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Mortos
pela própria mãe
Num
caso extremo de depressão
pós-parto, americana afoga
os cinco filhos
Fotos AP e Reuters
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| Os
filhos, com idade de 6 meses a 7 anos: a morte na banheira |
De
todos os crimes, nenhum parece contrariar mais a natureza que o da mãe
que mata o filho. Na semana passada, ocorreu nos Estados Unidos uma dessas
tragédias que desafiam a compreensão o assassinato
de cinco crianças pela própria mãe num cenário
doméstico que impressiona pela banalidade. Andrea Pia Yates, a
assassina dos filhos, acordou cedo na manhã de quarta-feira, em
Houston, no Estado do Texas. Preparou o café da manhã e
foi até a porta despedir-se do marido, Russell Yates, engenheiro
que trabalha na Nasa, a agência espacial americana. Uma hora depois,
ele recebeu um telefonema da mulher, que lhe pedia que voltasse imediatamente
para casa. Ao chegar, os cinco filhos estavam mortos: Noah, de 7 anos;
John, de 5; Paul, de 3; Luke, de 2; e Mary, um bebê de 6 meses.
Os corpos estavam molhados, sobre uma cama, enrolados num lençol.
Só o mais velho estava na banheira. Pouco antes de chamar o marido,
ela havia ligado para a polícia e confessado: "Matei meus filhos".
Depois, narrou friamente e com alguns comentários irônicos
como os afogou, um a um.
AP
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| Andrea:
tentativa de suicídio há dois anos e depressão após a morte do pai |
Andrea, de 36 anos, era uma mãe dedicada e paciente. A hipótese
provável é que o crime seja conseqüência de depressão
pós-parto, distúrbio que atinge 20% das mães. Em
casos leves, provoca apenas sonolência e acessos de choro. Em crises
extremas e raras, leva ao desatino de rejeitar ou matar o filho. Andrea
passou por uma perturbação profunda após o nascimento
de Luke, há dois anos. Chegou a tentar o suicídio e foi
submetida a tratamento psiquiátrico. Parecia bem até fevereiro,
quando perdeu o pai, pouco depois do nascimento da caçula, Mary.
Voltou a ser tratada, mas os medicamentos não deram resultado.
Os sintomas estavam lá, porém ninguém percebeu o
perigo. "Casos agudos como esse são geralmente associados a distúrbios
psicológicos ou psiquiátricos preexistentes", diz o psiquiatra
Eduardo Navajas Filho, da Universidade Federal de São Paulo.
Presa sem resistência, Andrea pode ser condenada à morte.
Mas a depressão pós-parto torna pantanosa a atribuição
de culpa nos casos de infanticídio. Na Inglaterra, a lei beneficia
a mãe em crimes cometidos contra crianças de até
2 anos. O Código Penal brasileiro também prevê atenuantes.
Em abril, uma funcionária pública paulistana jogou o filho
de 5 meses do 3º andar do prédio em que mora, após
discutir com o marido. Mesmo sob tratamento de depressão pós-parto,
foi indiciada por homicídio doloso. A questão não
é apenas jurídica, mas também como reagirá
Andrea no momento em que o surto psicótico passar. Isso pode demorar
dias ou semanas. Quando isso acontecer e ela perceber que exterminou a
prole, corre o risco de enlouquecer de vez.
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