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A
eleição do rei
Eleitores búlgaros entregam
o poder a Simeão
II, que
governou há meio século
AFP
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| Simećo
com eleitores: projeto monarquista |
Até
parece roteiro daqueles filmes que a TV só põe no ar durante
a madrugada. O rei perde a coroa após um plebiscito suspeito e
é expulso do país pelos comunistas, que instauram uma ditadura.
Meio século depois, volta à cena e recupera o poder pelas
urnas. Essa reviravolta ocorreu no último dia 17 na Bulgária,
com a acachapante vitória eleitoral de Simeão Borisov Saxe-Coburgotski,
de 64 anos, que foi rei-criança nos anos 40. Falta apenas a última
cena: a restauração da monarquia na Bulgária, país
que abandonou o comunismo no início dos anos 90. Enquanto isso
não acontece, Simeão deverá governar dos bastidores.
Seu partido, o Movimento Nacional Simeão II, criado há apenas
dois meses, obteve 43% dos votos nas eleições e conquistou
metade das cadeiras do Parlamento. Ele só desistiu de ser primeiro-ministro
porque seria obrigado a jurar respeito pela República, o que equivaleria
a abdicar das aspirações ao trono.
A volta por cima de Simeão II reflete a desilusão dos búlgaros.
Depois de quatro décadas de comunismo, a Bulgária tropeçou
na transição para a economia de mercado. Um em cada cinco
búlgaros está desempregado e 70% da população
vive abaixo da linha de pobreza. Simeão surgiu no cenário
como o salvador da pátria. Na campanha, abusou do populismo barato:
atacou a "luxúria dos políticos", prometeu acabar com a
corrupção e recuperar a economia. Ninguém sabe como
vai cumprir as promessas, pois sua experiência no trono não
conta. Simeão foi coroado em 1943, aos 6 anos, após a morte
do pai, Bóris III. Aos 9 anos, teve de fugir do país às
pressas com a mãe, Joana de Sabóia, e a irmã Luiza.
Na bagagem, apenas 200 dólares. A família vagou pelo Egito
e por Portugal antes de estabelecer-se na Espanha. Primo em segundo grau
da rainha Elizabeth II, Simeão chegou a ser conhecido como o "rei
pobretão". Uma providencial herança do avô materno
Victorio Emmanuel III, que foi rei da Itália, tirou a família
do sufoco.
Simeão voltou à Bulgária pela primeira vez em 1996,
já como próspero consultor de empresas. Foi então
que adotou uma versão búlgara do nome da dinastia, Saxe-Coburg,
de origem alemã. Foi aclamado, mas esperou o momento certo para
entrar na cena política. Seu plano, nunca admitido, é recuperar
o trono por meio de um plebiscito. A vitória de Simeão animou
outros pretendentes dos tronos extintos do Leste Europeu, como Miguel
(Romênia) e Alexandre (Iugoslávia). Será uma tarefa
difícil: mesmo na Bulgária, onde o ex-rei ganhou nas urnas,
apenas 14% da população apóia a restauração
da monarquia.
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