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Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
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A eleição do rei

Eleitores búlgaros entregam
o poder a
Simeão II, que
governou há meio século

AFP
Simećo com eleitores: projeto monarquista

Até parece roteiro daqueles filmes que a TV só põe no ar durante a madrugada. O rei perde a coroa após um plebiscito suspeito e é expulso do país pelos comunistas, que instauram uma ditadura. Meio século depois, volta à cena e recupera o poder pelas urnas. Essa reviravolta ocorreu no último dia 17 na Bulgária, com a acachapante vitória eleitoral de Simeão Borisov Saxe-Coburgotski, de 64 anos, que foi rei-criança nos anos 40. Falta apenas a última cena: a restauração da monarquia na Bulgária, país que abandonou o comunismo no início dos anos 90. Enquanto isso não acontece, Simeão deverá governar dos bastidores. Seu partido, o Movimento Nacional Simeão II, criado há apenas dois meses, obteve 43% dos votos nas eleições e conquistou metade das cadeiras do Parlamento. Ele só desistiu de ser primeiro-ministro porque seria obrigado a jurar respeito pela República, o que equivaleria a abdicar das aspirações ao trono.

A volta por cima de Simeão II reflete a desilusão dos búlgaros. Depois de quatro décadas de comunismo, a Bulgária tropeçou na transição para a economia de mercado. Um em cada cinco búlgaros está desempregado e 70% da população vive abaixo da linha de pobreza. Simeão surgiu no cenário como o salvador da pátria. Na campanha, abusou do populismo barato: atacou a "luxúria dos políticos", prometeu acabar com a corrupção e recuperar a economia. Ninguém sabe como vai cumprir as promessas, pois sua experiência no trono não conta. Simeão foi coroado em 1943, aos 6 anos, após a morte do pai, Bóris III. Aos 9 anos, teve de fugir do país às pressas com a mãe, Joana de Sabóia, e a irmã Luiza. Na bagagem, apenas 200 dólares. A família vagou pelo Egito e por Portugal antes de estabelecer-se na Espanha. Primo em segundo grau da rainha Elizabeth II, Simeão chegou a ser conhecido como o "rei pobretão". Uma providencial herança do avô materno Victorio Emmanuel III, que foi rei da Itália, tirou a família do sufoco.

Simeão voltou à Bulgária pela primeira vez em 1996, já como próspero consultor de empresas. Foi então que adotou uma versão búlgara do nome da dinastia, Saxe-Coburg, de origem alemã. Foi aclamado, mas esperou o momento certo para entrar na cena política. Seu plano, nunca admitido, é recuperar o trono por meio de um plebiscito. A vitória de Simeão animou outros pretendentes dos tronos extintos do Leste Europeu, como Miguel (Romênia) e Alexandre (Iugoslávia). Será uma tarefa difícil: mesmo na Bulgária, onde o ex-rei ganhou nas urnas, apenas 14% da população apóia a restauração da monarquia.

 
 
   
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