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Edição 1 740 - 27 de fevereiro de 2002
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Fora, Romário

"Romário daria vexame contra qualquer zagueiro europeu. Continua marcando gols no Brasil porque os adversários são ruins"

Romário? Fora. Eu não o convocaria para a Copa do Mundo. Assim como não convocaria nenhum jogador de time brasileiro. Há mais de vinte anos exportamos jogadores de primeira e segunda linha para a Europa. O que sobrou aqui é gente de terceira linha. Se disputasse o campeonato italiano, o Atlético Paranaense, último campeão brasileiro, estaria em 11º lugar da série B, correndo sério risco de rebaixamento para a C. Portanto, fora, Romário. E, junto com ele, todos os outros jogadores que, descartados pelos times europeus, foram obrigados a voltar de cabeça baixa para cá: Juninho Paulista, Dida, Vampeta, Leonardo, Beto, Alex.

Eu sempre torci por Romário. Acho que, com um pouco mais de empenho, ele teria sido um dos maiores jogadores da história. Agora é tarde. Ficou velho. Acabou. Daria vexame contra qualquer zagueiro europeu. Continua marcando gols no Brasil apenas porque os adversários são muito ruins. A única contribuição que ele ainda poderia dar à seleção seria uma certa dose de cafajestice. Eu gosto de jogador cafajeste. E Romário é o mais cafajeste de todos. Aprovei, inclusive, sua recente filiação ao PPB. Demonstrou, mais uma vez, que sua cafajestice não é só de fachada. Por gostar de jogadores cafajestes, eu excluiria da seleção brasileira todos os Atletas de Cristo. Não confio em jogador que respeita o técnico, não fala mal dos companheiros e não tenta fugir da concentração. Eles afinam na hora da decisão.

Além de excluir jogadores de times brasileiros e Atletas de Cristo, eu chamaria um técnico de fora. Em 2000, quando o Brasil sofria com Wanderley Luxemburgo, sugeri a contratação do sueco Sven-Goran Eriksson, na época treinador da Lazio. A CBF não ouviu meu conselho. Os ingleses, sim. Eriksson não só levou a seleção inglesa para a Copa do Mundo, como vai ganhá-la. Minha indicação, agora, é o argentino Héctor Cuper, da Internazionale de Milão. Sua primeira medida será acabar com essa bobagem de 3-5-2, um esquema de jogo que só funciona para quem tem bons zagueiros. Os do Brasil são, notoriamente, os piores do mundo. Em vez de limitar o problema, escalando somente dois zagueiros, Luiz Felipe Scolari decidiu colocar mais um. É como se, para contornar a ruindade de nossos políticos, criássemos um terceiro órgão legislativo, além da Câmara dos Deputados e do Senado. Melhor seria, claro, suprimir o Senado e cortar pela metade o número de deputados.

Muitos torcedores acham que a seleção está mal por causa da corrupção na CBF. Não é verdade. Cartolas de futebol sempre roubaram. Estão aí para isso. Outros torcedores põem a culpa na falta de talento dos nossos jogadores. Também não é verdade. Entre os melhores classificados dos campeonatos da Itália, Espanha, França e Alemanha, estão times abarrotados de brasileiros. A culpa pelo nosso fracasso é dos próprios torcedores, técnicos e comentaristas esportivos, sobretudo ex-jogadores como Casagrande, Falcão e Tostão, que, de tanto ver cabeças-de-bagre jogando, desaprenderam o que é futebol. Por isso seremos eliminados na primeira fase da Copa do Mundo, com uma derrota para a Costa Rica e empates contra Turquia e China.

Minha seleção (4-5-1): no gol, um frangueiro, conforme tradição; na defesa, Cafu, Lúcio, Edmílson e Roberto Carlos; no meio-campo, Emerson, Juninho Pernambucano, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Denilson; no ataque, só Ronaldo. Se por acaso algum deles é Atleta de Cristo, será cortado.

 
 
   
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