
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Fora,
Romário
"Romário
daria vexame contra qualquer zagueiro
europeu. Continua marcando gols no Brasil
porque os adversários são ruins"
Romário?
Fora. Eu não o convocaria para a Copa do Mundo. Assim como não
convocaria nenhum jogador de time brasileiro. Há mais de vinte
anos exportamos jogadores de primeira e segunda linha para a Europa. O
que sobrou aqui é gente de terceira linha. Se disputasse o campeonato
italiano, o Atlético Paranaense, último campeão brasileiro,
estaria em 11º lugar da série B, correndo sério risco
de rebaixamento para a C. Portanto, fora, Romário. E, junto com
ele, todos os outros jogadores que, descartados pelos times europeus,
foram obrigados a voltar de cabeça baixa para cá: Juninho
Paulista, Dida, Vampeta, Leonardo, Beto, Alex.
Eu sempre
torci por Romário. Acho que, com um pouco mais de empenho, ele
teria sido um dos maiores jogadores da história. Agora é
tarde. Ficou velho. Acabou. Daria vexame contra qualquer zagueiro europeu.
Continua marcando gols no Brasil apenas porque os adversários são
muito ruins. A única contribuição que ele ainda poderia
dar à seleção seria uma certa dose de cafajestice.
Eu gosto de jogador cafajeste. E Romário é o mais cafajeste
de todos. Aprovei, inclusive, sua recente filiação ao PPB.
Demonstrou, mais uma vez, que sua cafajestice não é só
de fachada. Por gostar de jogadores cafajestes, eu excluiria da seleção
brasileira todos os Atletas de Cristo. Não confio em jogador que
respeita o técnico, não fala mal dos companheiros e não
tenta fugir da concentração. Eles afinam na hora da decisão.
Além
de excluir jogadores de times brasileiros e Atletas de Cristo, eu chamaria
um técnico de fora. Em 2000, quando o Brasil sofria com Wanderley
Luxemburgo, sugeri a contratação do sueco Sven-Goran Eriksson,
na época treinador da Lazio. A CBF não ouviu meu conselho.
Os ingleses, sim. Eriksson não só levou a seleção
inglesa para a Copa do Mundo, como vai ganhá-la. Minha indicação,
agora, é o argentino Héctor Cuper, da Internazionale de
Milão. Sua primeira medida será acabar com essa bobagem
de 3-5-2, um esquema de jogo que só funciona para quem tem bons
zagueiros. Os do Brasil são, notoriamente, os piores do mundo.
Em vez de limitar o problema, escalando somente dois zagueiros, Luiz Felipe
Scolari decidiu colocar mais um. É como se, para contornar a ruindade
de nossos políticos, criássemos um terceiro órgão
legislativo, além da Câmara dos Deputados e do Senado. Melhor
seria, claro, suprimir o Senado e cortar pela metade o número de
deputados.
Muitos torcedores
acham que a seleção está mal por causa da corrupção
na CBF. Não é verdade. Cartolas de futebol sempre roubaram.
Estão aí para isso. Outros torcedores põem a culpa
na falta de talento dos nossos jogadores. Também não é
verdade. Entre os melhores classificados dos campeonatos da Itália,
Espanha, França e Alemanha, estão times abarrotados de brasileiros.
A culpa pelo nosso fracasso é dos próprios torcedores, técnicos
e comentaristas esportivos, sobretudo ex-jogadores como Casagrande, Falcão
e Tostão, que, de tanto ver cabeças-de-bagre jogando, desaprenderam
o que é futebol. Por isso seremos eliminados na primeira fase da
Copa do Mundo, com uma derrota para a Costa Rica e empates contra Turquia
e China.
Minha seleção
(4-5-1): no gol, um frangueiro, conforme tradição; na defesa,
Cafu, Lúcio, Edmílson e Roberto Carlos; no meio-campo, Emerson,
Juninho Pernambucano, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Denilson; no
ataque, só Ronaldo. Se por acaso algum deles é Atleta de
Cristo, será cortado.
|
|
 |