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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
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Raul Gil sabe que...

...os brasileiros gostam de
ver anônimos bancando
os patetas na TV

Ricardo Valladares

 
João Miguel Júnior
Divulgação

Briga aos sábados: Luciano Huck (à esq.) imita o quadro de calouros de Raul. O apresentador da Record virou alvo da cobiça de Silvio Santos e da Globo

Sai ano, entra ano e a televisão brasileira não consegue dar cabo de um tipo de atração que remonta à época de ouro do rádio: o programa de calouros. Ao dar chance ao batalhão de anônimos que querem aparecer na TV, o apresentador Raul Gil, da Rede Record, conseguiu virar o jogo da audiência nas tardes de sábado: há dois meses, vem superando os índices da Rede Globo nesse horário. A produção de seu programa resolveu investir no filão depois de verificar que, entre os vários quadros, aqueles protagonizados por calouros eram os responsáveis pelos picos de ibope. "Na verdade, os segmentos com gente famosa derrubavam a audiência", diz o produtor Nelson Tandari. Daí para defenestrar esquetes tradicionais, como o do Banquinho e o do Chapéu, foi um passo. Como em televisão muito pouco se cria, a Globo já começou a copiar a idéia de Raul. No sábado dia 15, o programa Caldeirão do Huck lançou o quadro Quanto Vale Essa Loucura?. Nele, o candidato pode mostrar o "talento" que bem entender: cantar, fazer imitações ou contar piadas. Já na estréia da nova atração, o Caldeirão subiu de audiência, o que só prova que os telespectadores brasileiros adoram ver desconhecidos bancando os patetas. O jovem Luciano Huck, é claro, acha tudo muito criativo.

Foi justamente como apresentador de programas de calouros que Raul Gil iniciou sua carreira na TV Excelsior, em 1967, e se tornou uma referência no meio artístico. Ele se vangloria de ter dado a primeira chance a grupos como Titãs e Só pra Contrariar e a músicos como Sidney Magal e Gian e Giovani (sim, a culpa é mesmo de Raul). Há um mês, foi a vez de o bancário paulista Robinson Monteiro sentir o gosto da fama. Sua cantoria agradou tanto à platéia que já lhe rendeu um fã-clube (meia dúzia de cretinos, na realidade) e um contrato com uma gravadora. A nova onda de sucesso de Raul Gil o transformou em alvo de cobiça. Silvio Santos, que o considera sem rival no comando de um auditório, já sondou o apresentador sobre seus planos para depois de novembro de 2002, quando expira seu contrato com a Record. Silvio não é o único a querê-lo. Na última quarta-feira, Raul Gil foi visto em almoço com um executivo da Globo. Com medo de perder sua estrela, a direção da Record quer renovar o contrato do apresentador por mais quatro anos. Pelo jeito, o alto nível e a originalidade da televisão brasileira não correm o risco de ser conspurcados a médio prazo. É mesmo de tirar o chapéu.

   
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