
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Raul Gil sabe que...
...os
brasileiros gostam de
ver anônimos bancando
os patetas na TV
Ricardo Valladares
João
Miguel Júnior
 |
Divulgação

Briga
aos sábados: Luciano Huck (à esq.) imita o quadro
de calouros de Raul. O apresentador da Record virou alvo da cobiça
de Silvio Santos e da Globo |
Sai ano,
entra ano e a televisão brasileira não consegue dar cabo
de um tipo de atração que remonta à época
de ouro do rádio: o programa de calouros. Ao dar chance ao batalhão
de anônimos que querem aparecer na TV, o apresentador Raul Gil,
da Rede Record, conseguiu virar o jogo da audiência nas tardes de
sábado: há dois meses, vem superando os índices da
Rede Globo nesse horário. A produção de seu programa
resolveu investir no filão depois de verificar que, entre os vários
quadros, aqueles protagonizados por calouros eram os responsáveis
pelos picos de ibope. "Na verdade, os segmentos com gente famosa derrubavam
a audiência", diz o produtor Nelson Tandari. Daí para defenestrar
esquetes tradicionais, como o do Banquinho e o do Chapéu, foi um
passo. Como em televisão muito pouco se cria, a Globo já
começou a copiar a idéia de Raul. No sábado dia 15,
o programa Caldeirão do Huck lançou o quadro Quanto
Vale Essa Loucura?. Nele, o candidato pode mostrar o "talento" que bem
entender: cantar, fazer imitações ou contar piadas. Já
na estréia da nova atração, o Caldeirão
subiu de audiência, o que só prova que os telespectadores
brasileiros adoram ver desconhecidos bancando os patetas. O jovem Luciano
Huck, é claro, acha tudo muito criativo.
Foi justamente
como apresentador de programas de calouros que Raul Gil iniciou sua carreira
na TV Excelsior, em 1967, e se tornou uma referência no meio artístico.
Ele se vangloria de ter dado a primeira chance a grupos como Titãs
e Só pra Contrariar e a músicos como Sidney Magal e Gian
e Giovani (sim, a culpa é mesmo de Raul). Há um mês,
foi a vez de o bancário paulista Robinson Monteiro sentir o gosto
da fama. Sua cantoria agradou tanto à platéia que já
lhe rendeu um fã-clube (meia dúzia de cretinos, na realidade)
e um contrato com uma gravadora. A nova onda de sucesso de Raul Gil o
transformou em alvo de cobiça. Silvio Santos, que o considera sem
rival no comando de um auditório, já sondou o apresentador
sobre seus planos para depois de novembro de 2002, quando expira seu contrato
com a Record. Silvio não é o único a querê-lo.
Na última quarta-feira, Raul Gil foi visto em almoço com
um executivo da Globo. Com medo de perder sua estrela, a direção
da Record quer renovar o contrato do apresentador por mais quatro anos.
Pelo jeito, o alto nível e a originalidade da televisão
brasileira não correm o risco de ser conspurcados a médio
prazo. É mesmo de tirar o chapéu.
|
|
 |
|
 |

|
 |