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VÍDEO
Mifune (Mifunes
Sidste Sang, Dinamarca/Suécia, 1999. Cult)
Os mandamentos do movimento dinamarquês Dogma 95 são
radicais: é proibido usar luz artificial, trilha
sonora ou cenários apenas locações
de verdade são permitidas. Câmara só
na mão, sem tripé, e o diretor não
assina o filme. Esse voto de pobreza produziu fitas muito
comentadas, como Festa de
Família, Os Idiotas
e Mifune,
que chega agora em vídeo e é, disparado, o
melhor exemplar do trio, até por ser o menos "dogmático".
Ou seja, o diretor Soren Kragh-Jacobsen (sim, sabe-se sempre
quem é o autor da obra) não fica balançando
a câmara desnecessariamente, só para parecer
anárquico. A história também é
acima da média. Kresten, o protagonista, posa de
empresário bem-sucedido e acaba de se casar. Mas,
quando seu pai morre, é obrigado a reencontrar o
passado, na forma de uma fazenda caindo aos pedaços
e um irmão deficiente mental. Precisando de ajuda,
contrata uma empregada aliás, uma prostituta perseguida
por um psicopata. Logo, tudo o que parecia horrível
se torna promissor. Um filme surpreendente.
LIVROS

Lembrando Babilônia,
de David Malouf (tradução de Rubens Figueiredo;
Companhia das Letras; 253 páginas; 22 reais)
Separe este livro para ler durante as Olimpíadas
de Sydney. Não, ele não tem nada a ver com
práticas esportivas. Mas se trata de um ótimo
romance sobre o período de formação
da Austrália e o encontro de culturas que se deu
ali. Malouf conta a história de um grupo de colonos
escoceses que, em meados do século passado, constroem
seu vilarejo numa das regiões mais isoladas e inóspitas
do país. Um dia, um homem surge dos pântanos.
Europeu, ele foi abandonado na infância e criado por
uma tribo de aborígines. "Paródia de um homem
branco", nas palavras do autor, esse novo personagem causa
inquietação e perplexidade entre os moradores
do vilarejo e traz à tona todas as contradições
do processo colonizador. Malouf, o mais importante escritor
australiano da atualidade, explora os conflitos que se seguem
e ainda oferece descrições detalhadas das
paisagens de sua terra natal.
Valdemir Cunha
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Valdemir Cunha
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| Londres:
história romanceada |
Londres, o Romance,
de Edward Rutherfurd (tradução de Alves Calado;
Record; 1.019
páginas; 65 reais) Nem livro de história
nem guia turístico, esta obra é uma espécie
de biografia romanceada da capital da Inglaterra, na qual
figuras reais como Thomas Cromwell e Charles Dickens se
misturam com mais de 100 personagens inventados pelo autor.
Começando pelo tempo dos druidas, 2.000
anos atrás, e chegando até os dias de hoje,
Rutherfurd não deixa escapar nenhum evento importante.
Há também muitas curiosidades como a origem
dos nomes de ruas ou da palavra "xerife", e as técnicas
necessárias para fabricar uma armadura. Para cobrir
tantos assuntos, ele recorre a métodos folhetinescos.
A ação corre depressa. Seus heróis
e vilões ganham traços caricaturais ao lutar
pela glória ou pelo amor, pela honra ou pela vingança.
Mas tudo é muito divertido e, no final, as peças
se encaixam. O efeito pode não ser o mesmo de uma
visita a Londres, mas essa viagem literária certamente
tem seus encantos e vantagens. Pelo menos, você não
vai ter de provar a comida inglesa.
DISCO
The
Very Best of, Ray Charles
(WEA) Para quem não dispõe de nenhum CD
de Ray Charles em sua discoteca, essa coletânea vem
a calhar. O álbum reúne as principais colaborações
do cantor e pianista de 69 anos à cena musical americana.
Seu currículo é dos mais respeitáveis.
Foi ele o responsável pelo surgimento da soul music,
um dos ritmos mais populares no mundo todo. Isso remonta
à década de 50, quando o artista misturou
os blues ensandecidos que tocava ao piano com aquele coral
típico das igrejas gospel americanas. Esse cruzamento
é muito bem ilustrado em faixas como Hallelujah
I Love Her So e What'd
Say, que tiveram grande repercussão
na época em que foram lançadas. A receita
foi aproveitada por cantores de todas as cores, raças
e credos. Marvin Gaye, Joe Cocker e Stevie Wonder, entre
outras feras, foram seguidores confessos do estilo criado
por Ray Charles. Nas décadas seguintes, ele adicionou
à sua invenção ritmos como jazz, rock
e até mesmo country. Dessa fase destacam-se hits
que até hoje estão presentes nas apresentações
do cantor, como Unchain My
Heart e as deliciosas baladas
I Can't Stop Loving You
e Georgia On My Mind.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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A
comparação era inevitável e Zélia
Gattai logo tratou de esclarecer: Terra
Nostra serviu mesmo
de inspiração para seu mais recente
livro de memórias. Foi assistindo aos primeiros
capítulos da novela da Rede Globo, encerrada
há pouco, que ela teve a idéia de contar
a imigração de seus parentes da Itália
para o Brasil, no final do século XIX. A dívida,
no entanto, acaba por aí mesmo. Nas aventuras
e desventuras de Angelina Da Col e Ernesto Gattai,
seus pais, e nas lembranças de sua própria
infância, Zélia tinha material mais do
que suficiente para não precisar recorrer a
outras fontes. Città
di Roma (Record;
174 páginas; 22 reais) ocupa nesta semana a
sétima posição na lista de mais
vendidos de VEJA. Às vezes terno, às
vezes engraçado, o que o livro nunca deixa
de ser é autêntico.
Cida Souza
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| Zélia:
mais histórias de família
em seu novo e cativante
livro |
O título das memórias
corresponde ao nome do navio que trouxe Angelina e
Ernesto, ainda crianças, de Gênova até
o Porto de Santos. Essa travessia é apenas
um ponto de partida. Zélia depois vai narrar
episódios variados, relativos não apenas
à vida familiar, mas também às
dificuldades encontradas pelos italianos na nova terra.
Ninguém deve esperar do livro exatidão
histórica absoluta. Zélia afirma que
não fez uso de anotações ou diários,
tendo confiado apenas na memória. Ao contrário
do que ocorre em seu livro mais conhecido, Anarquistas
Graças a Deus
(1979), ela não dá muita ênfase
à política em Città di Roma,
embora esse tema renda algumas passagens fortes, como
a da prisão e tortura de Ernesto, simpatizante
do comunismo, pela polícia de Getúlio
Vargas. O que a mulher de Jorge Amado desejava mesmo
era contar boas histórias. E isso ela conseguiu.
Carlos
Graieb
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