A tolerância com a maconha
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| Capas de VEJA sobre
drogas: preocupação permanente |
Drogas é um assunto que preocupa cada
vez mais a sociedade. Por essa razão, VEJA tem voltado
ao tema com a freqüência que ele exige. Em três
décadas, publicou centenas de reportagens sobre o
assunto, das quais onze mereceram destaque de capa. Em algumas
dessas ocasiões, a questão das drogas foi
tratada no aspecto policial, relacionado ao narcotráfico.
Em outras, a revista dedicou mais atenção
ao aspecto comportamental envolvendo o uso dessas substâncias
e efeitos que elas acarretam à saúde. Nesta
semana, VEJA volta ao tema. Desta vez, o foco está
no consumo de maconha entre os adolescentes.
Na década de 70, o uso da maconha esteve associado
aos movimentos de contestação. Foi um dos
ícones da cultura hippie. Hoje, a droga não
carrega mais essa associação cultural que
teve no passado. Já não serve de símbolo
a nada. Mas há duas novidades importantes relacionadas
a ela. A primeira é a maior aceitação
pela sociedade do consumo desse tipo de droga de alguns
anos para cá. Pais, professores e autoridades tratam
o assunto com tolerância cada vez maior. A tal ponto
que fumar maconha deixou de ser motivo para expulsão
das escolas. Outro fato, esse preocupante, é que
o crescimento do consumo se dá, principalmente, na
faixa entre os 16 e 18 anos.
Em apenas duas décadas, a reação
da sociedade em relação à erva pulou
de um extremo a outro. Antes, um garoto pego com um cigarrinho
de maconha corria o risco de ser preso e tratado como traficante.
Tudo isso era um absurdo e é bom que tenha mudado.
Ainda assim, o grau de tolerância atual deve ser tema
de discussão. Embora os efeitos da maconha sejam
menos dramáticos que o de drogas como cocaína,
crack ou heroína, está provado que ela causa
danos à saúde e alterações no
comportamento. E isso deve merecer toda a atenção
da sociedade.