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Jihad
evangélica
Direção da Record endurece
orientações para a programação.
Amaury Jr. já saiu do ar
Ricardo
Valladares
Fotos João Passos
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Rafael Campos
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| Amaury
e os cantores Lobão e Gabriel, o Pensador: na mira dos bispos
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Desde
que foi comprada pela Igreja Universal, em 1990, a Rede Record alterna
períodos de maior e menor ortodoxia em matéria de obediência
aos preceitos evangélicos. Com a ascensão do bispo Clodomir
dos Santos à vice-presidência do canal, há cerca de
dois meses, uma nova fase linha-dura está se impondo. A primeira
vítima foi o apresentador Amaury Jr. Na quinta-feira passada, ele
pediu rescisão de seu contrato com a emissora, três dias
depois de ser avisado de que sua atração diária,
a coluna social Amaury Jr., estava fora da programação.
Segundo a Record, os motivos foram estritamente comerciais, traduzidos
sob a forma de um prejuízo de 132.000 reais em agosto. O apresentador
contesta, sustentando que tinha um faturamento da ordem de 500.000 reais
ao mês. Diz também que, por levar ao ar fotos da atriz Deborah
Secco para a revista Playboy, no mês passado, passou a sofrer
sanções. "A equipe de gravação externa do
programa foi cortada, o que me impedia de cobrir festas. Além disso,
anunciaram que todas as pautas teriam de ser pré-aprovadas, o que
ia contra meu acordo inicial", diz Amaury. "Não reconheço
mais a televisão em que fui trabalhar."
Nos bastidores da Record, comenta-se que Clodomir dos Santos (um carioca
de 35 anos, que costuma dizer que a religião o tirou do tráfico
de drogas) pediu que se desse atenção redobrada a algumas
regras não escritas para a produção de programas.
Referências à religião católica e ao candomblé
estão terminantemente proibidas. O clima de Jihad evangélica
não deixa passar um detalhe, por mais irrelevante que seja. "Uma
promotora de eventos precisou mudar de roupa antes de participar de um
programa de entrevistas porque a que estava usando era estampada com cruzes",
diz uma funcionária da casa. Tatuagens não podem ser exibidas
no ar em hipótese alguma. Até as ações beneficentes
foram restritas. Um comunicado interno diz que "qualquer promoção,
doação ou premiação para entidades filantrópicas
deverá ser direcionada única e exclusivamente à Sociedade
Pestalozzi de São Paulo". A sociedade tem entre suas dirigentes
Marilene Silva, a primeira mulher a se tornar pastora da Igreja Universal.
Finalmente, artistas como o animador de auditório Sérgio
Mallandro e os cantores Lobão e Gabriel, o Pensador estão
na geladeira. Há algumas semanas, Mallandro soltou palavrões
e comentários execráveis no programa É Show,
de Adriane Galisteu. Já os casos de Lobão e Gabriel são
mais intrigantes. Eles não são especialistas em baixaria,
como Mallandro, mas artistas que gostam de causar polêmica. Eles
seriam parte de uma lista negra por suas opiniões sobre religião
e drogas. Entre as estrelas da programação da Record, só
o jornalista Boris Casoy manteve autonomia. "Com ele pode tudo", diz um
diretor da emissora. Por "pode tudo" entendam-se atos comezinhos, em regimes
de liberdade de expressão, como dar notícias sobre o papa
ou outros temas religiosos.
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