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Edição 1 770 - 25 de setembro de 2002
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No deserto do Senai

"Os catedráticos do PT sempre puseram
palavras na boca de Lula, como ventríloquos da miséria. Agora, se eleito,
sugiro que Lula se rebele, mandando
fechar as universidades e transferindo
seus alunos e professores para o Senai"

Na fotografia que ilustra esta coluna, visto um paletó azul-marinho Armani. É o único paletó que possuo. Depois que Lula aderiu ao terno azul-marinho Armani, nunca mais poderei usar meu paletó. O próximo passo é queimá-lo.

Excetuando-se esses problemas de guarda-roupa, fico cada dia mais feliz com a perspectiva de um governo lulista. Lula despreza o ambiente universitário tanto quanto eu. Vem repetindo, nas últimas semanas, que um torneiro mecânico formado pelo Senai está mais bem preparado para comandar o país que um professor universitário. Justo! Espero que ele leve esse seu raciocínio adiante e se livre de todos os ilustres professores universitários que o circundam. Em primeiro lugar, Marilena Chaui. Outro dia, numa conferência na Maison de France, ela defendeu a idéia de que o fundamentalismo religioso é gerado pelo mercado. Qual mercado? O de Cabul? O de Cartum? De jeito nenhum. O mercado a que Marilena Chaui se refere é o capitalista. Pior: o mercado consumidor. Como se a possibilidade de escolher entre duas marcas de pasta de dentes levasse as pessoas direto para o martírio em nome de Deus. Não é de estranhar que, com professores desse tipo, alguns alunos da USP tenham homenageado Osama bin Laden no aniversário dos atentados de 11 de setembro.

Antonio Candido é outro acadêmico histórico do PT. A propósito de Cuba, ele declarou, em tom solene: "Estou preparado para aceitar uma sociedade em que haja restrições provisórias à liberdade, inclusive de pensamento, se isso for indispensável para chegar à justiça social". Qual a diferença entre Antonio Candido e um fundamentalista religioso? O primeiro fala em "justiça social" e o segundo em "justiça divina"? E o que dizer de Alfredo Bosi, outro emérito professor universitário petista? Em suas análises, ele se deleita em descrever a realidade brasileira como "neoliberal", "pós-moderna" e "ultramodernizante". Ou seja, usa todos os prefixos errados. O Brasil é anteliberal, pré-moderno, submodernizante. Esses catedráticos do PT sempre puseram palavras na boca de Lula, como ventríloquos da miséria. Agora, se eleito presidente, sugiro que o fantoche Lula se rebele, mandando fechar as universidades e transferindo seus alunos e professores para as dependências do Senai.

Seria ótimo para o Brasil. Neste momento, o Senai oferece 240 cursos nas áreas de alimentos, confeitaria, marcenaria, eletricidade e hidráulica. Mas existem outras interessantes oportunidades espalhadas por aí. O Senai do Acre, por exemplo, exibe artefatos Mataybá na Amazontech 2002 e o Senai de Santa Catarina ensina regulamentos técnicos de rotulagem de alimentos transgênicos. O jornal do Senai também merece ser lido com muita atenção. Em seu último número, há um perfil de Cesar Augusto Olsen. Assim como Lula, Olsen obteve o diploma de torneiro mecânico do Senai, mas, em vez de se deixar ludibriar por professores universitários, criou a terceira maior indústria de equipamentos odontomédicos da América Latina. Um de seus produtos é a poltrona anti-stress, em que o paciente é massageado em seis pontos, enquanto o dentista lhe obtura as cáries. Bem mais útil que qualquer coisa que Lula possa vir a fazer em seus quatro anos de governo. A não ser, claro, que ele siga meu conselho e incorpore estas novas palavras de ordem: Senai para todos! Ternos Armani para todos!

 
 
   
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