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deserto do Senai
"Os
catedráticos do PT sempre puseram
palavras na boca de Lula, como ventríloquos da miséria.
Agora, se eleito,
sugiro que Lula se rebele, mandando
fechar as universidades e transferindo
seus alunos e professores para o Senai"
Na fotografia que ilustra esta coluna, visto um paletó azul-marinho
Armani. É o único paletó que possuo. Depois que Lula
aderiu ao terno azul-marinho Armani, nunca mais poderei usar meu paletó.
O próximo passo é queimá-lo.
Excetuando-se esses problemas de guarda-roupa, fico cada dia mais feliz
com a perspectiva de um governo lulista. Lula despreza o ambiente universitário
tanto quanto eu. Vem repetindo, nas últimas semanas, que um torneiro
mecânico formado pelo Senai está mais bem preparado para
comandar o país que um professor universitário. Justo! Espero
que ele leve esse seu raciocínio adiante e se livre de todos os
ilustres professores universitários que o circundam. Em primeiro
lugar, Marilena Chaui. Outro dia, numa conferência na Maison de
France, ela defendeu a idéia de que o fundamentalismo religioso
é gerado pelo mercado. Qual mercado? O de Cabul? O de Cartum? De
jeito nenhum. O mercado a que Marilena Chaui se refere é o capitalista.
Pior: o mercado consumidor. Como se a possibilidade de escolher entre
duas marcas de pasta de dentes levasse as pessoas direto para o martírio
em nome de Deus. Não é de estranhar que, com professores
desse tipo, alguns alunos da USP tenham homenageado Osama bin Laden no
aniversário dos atentados de 11 de setembro.
Antonio Candido é outro acadêmico histórico do PT.
A propósito de Cuba, ele declarou, em tom solene: "Estou preparado
para aceitar uma sociedade em que haja restrições provisórias
à liberdade, inclusive de pensamento, se isso for indispensável
para chegar à justiça social". Qual a diferença entre
Antonio Candido e um fundamentalista religioso? O primeiro fala em "justiça
social" e o segundo em "justiça divina"? E o que dizer de Alfredo
Bosi, outro emérito professor universitário petista? Em
suas análises, ele se deleita em descrever a realidade brasileira
como "neoliberal", "pós-moderna" e "ultramodernizante". Ou seja,
usa todos os prefixos errados. O Brasil é anteliberal, pré-moderno,
submodernizante. Esses catedráticos do PT sempre puseram palavras
na boca de Lula, como ventríloquos da miséria. Agora, se
eleito presidente, sugiro que o fantoche Lula se rebele, mandando fechar
as universidades e transferindo seus alunos e professores para as dependências
do Senai.
Seria ótimo para o Brasil. Neste momento, o Senai oferece 240 cursos
nas áreas de alimentos, confeitaria, marcenaria, eletricidade e
hidráulica. Mas existem outras interessantes oportunidades espalhadas
por aí. O Senai do Acre, por exemplo, exibe artefatos Mataybá
na Amazontech 2002 e o Senai de Santa Catarina ensina regulamentos técnicos
de rotulagem de alimentos transgênicos. O jornal do Senai também
merece ser lido com muita atenção. Em seu último
número, há um perfil de Cesar Augusto Olsen. Assim como
Lula, Olsen obteve o diploma de torneiro mecânico do Senai, mas,
em vez de se deixar ludibriar por professores universitários, criou
a terceira maior indústria de equipamentos odontomédicos
da América Latina. Um de seus produtos é a poltrona anti-stress,
em que o paciente é massageado em seis pontos, enquanto o dentista
lhe obtura as cáries. Bem mais útil que qualquer coisa que
Lula possa vir a fazer em seus quatro anos de governo. A não ser,
claro, que ele siga meu conselho e incorpore estas novas palavras de ordem:
Senai para todos! Ternos Armani para todos!
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