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Milhões de empregos"O
próximo governante seguramente vai frustrar-se caso acredite verdadeiramente
na fórmula clássica de geração de empregos
O desafio da geração de empregos se divide em dois problemas com os quais se luta faz muitos anos, e sem muito sucesso: restaurar o crescimento e reduzir os encargos sobre os salários. Nesse segundo tema, as manifestações dos candidatos têm sido vagas e hesitantes, exceção para o documento denominado Agenda Perdida, escrito, sob encomenda de José Alexandre Scheinkman, por economistas de diversos partidos e persuasões, a maior parte dos quais jovem, ainda desconhecida e que vem estudando temas sociais (emprego, educação, pobreza, criminalidade, por exemplo) sob novos ângulos e com grande competência. Existem muitas idéias novas a explorar no terreno do emprego, todas passando pela redução dos encargos, ou seja, trata-se de repensar o FGTS, suas conexões com a Previdência, a CLT e a própria Justiça do Trabalho. Candidato que não quiser discutir esses temas em profundidade, e com a disposição para quebrar alguns paradigmas, não pode falar a sério sobre criação de empregos. Sobre o outro problema, o crescimento, há um importante detalhe sempre diminuído pelos candidatos: a contribuição do investimento público para a aceleração do crescimento vai ser pequena, especialmente se for mantida a responsabilidade fiscal como filosofia básica para as finanças públicas. Acabou a era dos Planos de Metas, e já faz tempo. Portanto, diferentemente do que ocorreu na época de JK, ou dos recém-reabilitados governos militares, o crescimento da economia terá de ser puxado pelo investimento privado. Essa tese foi talvez a principal conclusão de mais uma reunião do Fórum Nacional, na semana passada, no BNDES, a partir de um trabalho do professor Jorge Chami Batista. É importante que se tenha claro que o trato do investimento privado envolve uma tecnologia muito diferente daquela que requer o investimento público. Este resulta de decisão administrativa, ou política, e usa recursos de impostos, emissão de moeda ou dívida pública. Sempre precisa haver a famosa "vontade política" para onerar a sociedade em nome de alguma outra boa causa. O investimento privado não funciona com nada disso, muito pelo contrário. A boa teoria econômica ensina que o empresário é caprichoso e apenas investe quando se sente muito seguro sobre o futuro, pois investir envolve levantar dinheiro, que nunca é barato, assumir compromissos e empreendimentos de tamanho e sucesso incertos e tomar riscos, muitos riscos. O retorno esperado desse esforço deve ser maior que o custo do capital, e aqui no Brasil, como sabemos, não apenas o futuro, mas também o passado, é incerto, e o custo de capital é altíssimo. Para que o investimento privado decole, os empresários precisam de menos impostos e encargos, baixas taxas de juros (ou seja, finanças públicas em ordem e dívida pública em queda) para prazos longos (e não apenas no BNDES, mas no mercado de capitais em geral), horizontes previsíveis, políticas consolidadas e previsíveis e pouco sensíveis à oscilante "vontade política" dos governos. O próximo governante seguramente vai frustrar-se caso acredite verdadeiramente na fórmula clássica de geração de empregos via programa de governo. E, ao fracassar, já contará com um álibi: o "mercado" não terá entendido suas boas intenções. Os "especuladores internacionais" serão acusados, como no passado se atribuía a inflação aos "oligopólios" e aos "tubarões". Assusta, portanto, não apenas o fato de os candidatos estarem usando a embocadura incorreta no tema do crescimento e do investimento privado, mas também a constatação de que já conseguiram um "bode expiatório" para suas desventuras.
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