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Edição 1 770 - 25 de setembro de 2002
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Projetos de salvação

Nesta edição, VEJA oferece ao leitor um conjunto de entrevistas com os quatro principais candidatos à Presidência da República, todas realizadas na semana passada. São relativamente curtas, de perguntas diretas e respostas objetivas. Os políticos são naturalmente vocacionados para as entrevistas. Essa é uma forma eficaz de falarem aos eleitores. A norma, no entanto, é que aproveitem a oportunidade para desviar-se das questões mais embaraçosas sob o argumento de que o mais adequado é discutir o "programa de governo", aquele documento maçudo em que eles reúnem suas copiosas propostas para a educação, a saúde e o combate à miséria com as formas de retomar o crescimento econômico e gerar empregos.

Os candidatos mais organizados dividem os programas em livrinhos, por temas. Os pontos principais são recheados de números e tabelas, sugerindo a quem lê que nada disso foi implementado até hoje por pura distração das autoridades que estão no poder. A verdade é que programas são documentos necessários ao cumprimento de um ritual eleitoral. É preciso ter um, e todos têm o seu. Na hora de colocar em prática, a história é outra.

Os programas desta disputa presidencial estão de tal forma parecidos que, embaralhados, há quem diga que nem os próprios presidenciáveis seriam capazes de distinguir o seu na pilha. Ambiciosos, esses projetos de governo sugerem que o Brasil cheio de problemas ancestrais pode transformar-se num país bem-sucedido no prazo de quatro anos. Além disso, os textos se tornaram uma espécie de gincana da criatividade. O candidato que promete mais apresenta-se como mais eficiente do que o concorrente que promete menos. E o que promete menos questiona a seriedade e a capacidade de realização daquele que promete mais. Nas entrevistas desta edição, VEJA optou por discutir com os candidatos temas de outra natureza. O resultado é um flagrante de como eles são, como decidem, como reagem a perguntas que as pessoas comuns gostariam de fazer e como estão se sentindo no calor da batalha eleitoral.

 
 
   
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