|
|
Resultados à vista
Epitácio Pessoa
 |
O delegado
Lima sai algemado
do depoimento |
Justifica-se
o entusiasmo verificado até agora com os resultados,
ainda parciais, das CPIs que investigam desmandos do Judiciário
e a rede nacional do narcotráfico. Na semana passada,
a CPI do Narcotráfico produziu um momento inesquecível,
quando o delegado Ricardo de Lima, de Campinas, saiu algemado
do depoimento que prestara. Encarregado da repressão
ao uso de entorpecentes, Lima acabou preso sob a acusação
de fazer justamente o contrário: traficar drogas.
As investigações
sobre o desvio de dinheiro público na construção
de uma sede nova para o Tribunal Regional do Trabalho de
São Paulo fechou o cerco sobre o que se costuma chamar
de alguns peixes grandes no caso, o senador Luiz
Estevão, do PMDB de Brasília, e antes dele
o juiz Nicolau dos Santos Neto, hoje um personagem familiar
aos brasileiros, com aqueles óculos de meias lentes
caídos sobre o nariz e um permanente ar de perplexidade
estampado no rosto.
Os senadores
pediram ao Ministério Público que investigasse
as atividades do senador Luiz Estevão por suspeita
de envolvimento com a teia de falcatruas que tinha na ponta
paulista o juiz Nicolau dos Santos Neto. Estevão
corre o risco de perder o mandato e de responder por seus
atos na Justiça comum.
O mesmo
Congresso que recentemente eliminou de seus quadros o deputado
acreano Hildebrando Pascoal não hesitou em se livrar
outra vez do manto do corporativismo quando chegou a hora
de examinar o comportamento do senador Luiz Estevão.
Não é o caso de condenar o senador por antecedência,
mas a constatação de que as CPIs estão
produzindo resultados, mesmo com algum estardalhaço
desnecessário, e de que o Congresso se preocupa em
cuidar de sua própria compostura, ao menos em situações
graves como essas, é um sinal alentador.
|