Edição 1 625 - 24/11/1999

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Epitácio Pessoa
O delegado Lima sai algemado
do depoimento


Justifica-se o entusiasmo verificado até agora com os resultados, ainda parciais, das CPIs que investigam desmandos do Judiciário e a rede nacional do narcotráfico. Na semana passada, a CPI do Narcotráfico produziu um momento inesquecível, quando o delegado Ricardo de Lima, de Campinas, saiu algemado do depoimento que prestara. Encarregado da repressão ao uso de entorpecentes, Lima acabou preso sob a acusação de fazer justamente o contrário: traficar drogas.

As investigações sobre o desvio de dinheiro público na construção de uma sede nova para o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo fechou o cerco sobre o que se costuma chamar de alguns peixes grandes – no caso, o senador Luiz Estevão, do PMDB de Brasília, e antes dele o juiz Nicolau dos Santos Neto, hoje um personagem familiar aos brasileiros, com aqueles óculos de meias lentes caídos sobre o nariz e um permanente ar de perplexidade estampado no rosto.

Os senadores pediram ao Ministério Público que investigasse as atividades do senador Luiz Estevão por suspeita de envolvimento com a teia de falcatruas que tinha na ponta paulista o juiz Nicolau dos Santos Neto. Estevão corre o risco de perder o mandato e de responder por seus atos na Justiça comum.

O mesmo Congresso que recentemente eliminou de seus quadros o deputado acreano Hildebrando Pascoal não hesitou em se livrar outra vez do manto do corporativismo quando chegou a hora de examinar o comportamento do senador Luiz Estevão. Não é o caso de condenar o senador por antecedência, mas a constatação de que as CPIs estão produzindo resultados, mesmo com algum estardalhaço desnecessário, e de que o Congresso se preocupa em cuidar de sua própria compostura, ao menos em situações graves como essas, é um sinal alentador.