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A bioladroagem

Tráfico de animais do Brasil rende
mais de 1 bilhão de dólares por ano

Leonardo Coutinho

 
Antonio Milena
Renato Chauí
Jaguatirica
15 000 dólares
Jararaca-ilhoa
20 000 dólares

Dono de algumas das mais importantes reservas naturais do planeta, o Brasil convive também com uma das modalidades de crime mais rentáveis do mundo: o tráfico de animais. Segundo um relatório que acaba de ser concluído pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), são pilhados da fauna brasileira anualmente mais de 12 milhões de animais. Trata-se de um negócio que movimenta em torno de 1 bilhão de dólares por ano. Esse total significa cerca de 10% do tráfico mundial de animais silvestres. Em termos financeiros, é uma prática criminosa que só perde para o contrabando de armas e para o tráfico de drogas. O relatório estima que existam no país de 300 a 400 grupos de traficantes organizados, muitos ligados também ao narcotráfico, especializados em capturar e distribuir os animais.

No Brasil, esse tráfico é estimulado por pessoas que pagam até 1 000 reais por uma arara ou 150 reais por um papagaio. Mas esse é o menor dos problemas. Quando o delito ultrapassa as fronteiras nacionais, os valores se multiplicam. Nos Estados Unidos, na Europa ou na Ásia, uma arara-azul do Pantanal pode ser vendida por até 30.000 dólares. "A falta de policiamento em ecossistemas ricos como o Pantanal e a Amazônia é uma dádiva para os traficantes", afirma o geógrafo Marcos Freitas, do Grupo Ambientalista da Bahia, Estado que funciona como um dos canais do tráfico no país. Levantamento feito por ambientalistas nos registros de apreensão do Ibama na Bahia identificou 146 espécies diferentes traficadas no Estado. Dessas, quase dois terços provêm de outras áreas do país. Cerca de 90% dos animais apreendidos nas mãos de traficantes na Bahia são aves que seriam vendidas como bichos de estimação. Pelo menos metade delas embarcaria para o exterior – sedada e como bagagem de mão – pelos aeroportos do Rio de Janeiro e de Curitiba, os preferidos dos traficantes. Um terço dos animais capturados nas matas e florestas do Brasil vai para o exterior, informa o relatório da Renctas.

Antonio Costa
Nellie Solitrenick
Harpia
13 000 dólares
Flamingo
5 000 dólares

Segundo o delegado Geraldo Araújo, superintendente da Polícia Federal no Pará, a principal rota de tráfico de animais vivos como araras e felinos capturados na Amazônia são os rios que ligam o Brasil ao Suriname, à Guiana e à Colômbia. Ele diz que muitos traficantes preferem levar os animais de barco para os países vizinhos cuja legislação permite a exportação. O tráfico de animais, que chegou a ser carimbado como inafiançável pela Constituição de 1988, passou a ser um delito passível de fiança com a Lei de Crimes Ambientais, de 1998. Para os ambientalistas, embora o número de punições tenha aumentado, a mudança favorece a reincidência de alguns traficantes. Pouca gente sabe que, além dos danos à natureza, o comércio de animais silvestres oferece riscos à saúde dos desavisados. A floresta é um reservatório de microrganismos que a ciência não conhece plenamente, e o animal retirado de seu habitat pode levar consigo alguma bomba biológica. Uma das doenças mais perigosas é a psitacose, transmitida por papagaios e araras. Ela ataca os sistemas nervoso e respiratório e provoca hemorragias. Macacos, por sua vez, hospedam o vírus da febre amarela. "Ao colocar um mico ou uma arara dentro de casa, a pessoa pode estar pondo a saúde de toda a família em risco", alerta o coordenador da Renctas Dener Giovanini.

   
 
   
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