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Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002
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CINEMA

Divulgação

Asterix: muito superior ao primeiro


Asterix e Obelix: Missão Cleópatra
(Astérix et Obélix au Service de Cléopatre, França, 2002. Em cartaz a partir de sexta-feira) – Depois de um decepcionante primeiro episódio, Gérard Depardieu e Christian Clavier voltam aos papéis dos gauleses Obelix e Asterix numa continuação muito superior e bem mais fiel, até na escolha das cores, ao magnífico quadrinho criado pela dupla Goscinny e Uderzo. Para espezinhar o romano Júlio César, a rainha egípcia Cleópatra (a deslumbrante Monica Bellucci) aposta com ele que vai construir em apenas três meses o maior palácio já visto. Só a poção mágica dos gauleses poderá salvar o pescoço do infeliz arquiteto Numerobis. Até música soul entra na mistura do diretor Alain Chabat (que também interpreta César), com resultados agradáveis.

 

DVDs

Universal
Meu Nome É Coogan: um Clint de primeira


Meu Nome É Coogan
(Coogan's Bluff, Estados Unidos, 1968. Universal) – No melhor de seu tipo lacônico, Clint Eastwood faz aqui Coogan, um xerife do Arizona que vai a Nova York recolher um prisioneiro. Com seu chapéu e botas de caubói, ele é imediatamente tido pelos tiras da cidade grande como um caipira e posto de escanteio. Depois de apanhar um bocado, porém, ele mostra que as primeiras impressões nem sempre são verdadeiras. Clint e o diretor Don Siegel – que fizeram juntos um punhado de filmes, entre eles Perseguidor Implacável – se entendiam às mil maravilhas: os diálogos são um exemplo de economia e espirituosidade, o aproveitamento das locações é excelente e o bate-bola do astro com as várias atrizes que ele seduz é comparável ao de James Bond.

The Mike Douglas Show with John Lennon & Yoko Ono (ST2) – Em 1972, no auge de sua militância política, o ex-beatle John Lennon e sua mulher Yoko Ono foram convidados pelo apresentador Mike Douglas para ancorar seu talk-show durante uma semana. Pode-se dizer que a TV americana nunca mais foi a mesma. Lennon trouxe a público veteranos do Vietnã – cena aproveitada depois no filme Forrest Gump – e integrantes do movimento Panteras Negras, além de comandar um show antológico com Chuck Berry. Yoko, por sua vez, mostrou seu lado performático – em momentos que hoje têm mais valor folclórico que artístico. A versão americana, lançada numa caixa com cinco VHS, chega aqui condensada num disco duplo. Mas pode-se apreciar o espetáculo com tranqüilidade, já que nada dele foi cortado. Só os extras ficaram de fora.

 

TELEVISÃO

United Artists
Baskervilles: o melhor da Hammer


Hammer: a Fábrica do Terror
(Segunda a sábado, às 22h, no Telecine Classic) – Nos anos 50 e 60, o estúdio inglês Hammer produziu dezenas de filmes de horror e ficção científica de baixo orçamento, cujos enredos mirabolantes e visuais despojadíssimos até hoje fazem a delícia dos fãs de cinema trash. Esse festival traz seis produções de sua fase áurea, como Terror que Mata (1956, segunda), que fala sobre a transformação de um astronauta em monstro depois de uma viagem ao espaço. Christopher Lee e Peter Cushing, atores que marcaram os filmes do estúdio, fazem dupla em O Cão dos Baskervilles (1959, terça), adaptação da célebre história do detetive Sherlock Holmes. Cushing também atua em outro clássico do trash, As Noivas do Vampiro (1960, quarta), em que as moças de um internato se tornam discípulas de Drácula.

 

DISCOS

Maluco Beleza, Raul Seixas (Universal) – Tudo o que você precisa ter de Raul Seixas está contido nessa caixa. Ela compila os seis trabalhos que o baiano gravou pelo selo PolyGram (hoje Universal) entre 1973 e 1977, acrescidos de faixas tiradas de compactos e versões inéditas (como Caroço de Manga,que foi tema da novela A Volta de Beto Rockfeller). O estilo propagado pelo cantor nesses álbuns é até hoje imitado pelas bandas de rock brasileiro. Mas apenas Raul conseguiu acertar a mão na mistura dos ingredientes, que incluía fartas doses de rock'n'roll e ritmos regionais como baião e música caipira. Outro atrativo são suas parcerias com Paulo Coelho, que renderam letras que vão do bem-humorado (Al Capone e Tu És o MDC da Minha Vida) ao apocalíptico (Gîtâ e Sociedade Alternativa).

Directions in Music: Live at Massey Hall, Herbie Hancock (Universal) – Um dos instrumentistas mais versáteis da história do jazz, o pianista Herbie Hancock gravou desde canções tradicionais do gênero até hits do Nirvana. No ano passado, ele se reuniu ao trompetista Roy Hargrove e ao saxofonista Michael Brecker numa série de concertos para lembrar o 75º aniversário de Miles Davis e John Coltrane (o Pelé e o Tostão do jazz). Hancock trocou a faceta pop pelos improvisos ao piano, que lhe renderam fama nos anos 60 – quando integrou o grupo de Davis. O trio relê faixas como The Sorcerer, Naima (de Coltrane, com uma performance espetacular de Brecker), além de se arriscar em canções próprias (Misstery, The Poet e D Trane).

6Horas da Tarde, Marina Machado (Independente) – Na década passada, Belo Horizonte se transformou na capital da música pop brasileira, exportando bandas como Skank e Pato Fu. Mas a cidade também gerou uma nova safra de cantoras talentosas. É o caso de Marina Machado. Ela não possui grande alcance vocal, mas é pródiga em boas idéias. 6Horas da Tarde, seu segundo disco-solo, agrega faixas da nova geração de compositores mineiros (Lúcio Tadeu, autor da faixa-título e de Donde Estás) a versões personalíssimas de Dê um Rolê, dos Novos Baianos, e Going to California, do Led Zeppelin – aqui combinada com uma canção de estilo oriental. Encomendas pelo telefone (31) 3284-1914.

 

 

CRÍTICA – OS MAIS VENDIDOS

Nos últimos três anos, as crônicas do gaúcho Luis Fernando Verissimo vêm ganhando reedições atualizadas que, mal chegam às livrarias, conquistam seu lugar na lista de mais vendidos de VEJA. Somados, títulos como As Mentiras que os Homens Contam, Comédias para se Ler na Escola, Sexo na Cabeça e A Mesa Voadora já ultrapassaram a marca dos 500.000 exemplares comercializados. Agora chegou a vez de o mais famoso personagem do autor voltar à tona. Em oitava posição na categoria de ficção, Todas as Histórias do Analista de Bagé (Objetiva; 76 páginas; 18,90 reais) reúne vinte contos protagonizados por aquela figura de bombachas, que atende seus pacientes entre um gole de chimarrão e um impropério, sempre muito bem assessorado por sua sexy recepcionista Lindaura. Da boca do personagem saíram pérolas célebres. Do tipo: "Não existe gaúcho homossexual. São apenas correntes migratórias". Reich, para o analista, sempre foi prenúncio de cuspida. Complexo de Édipo, um neg&oacu protagonizados por aquela figura de bombachas, que atende seus pacientes entre um gole de chimarrão e um impropério, sempre muito bem assessorado por sua sexy recepcionista Lindaura. Da boca do personagem saíram pérolas célebres. Do tipo: "Não existe gaúcho homossexual. São apenas correntes migratórias". Reich, para o analista, sempre foi prenúncio de cuspida. Complexo de Édipo, um negócio que "dá mais que pereba de moleque". Isso sem falar de seu notório método para curar problemas existenciais, à base de um "joelhaço" nos países baixos. Dois detalhes chamam a atenção no livro. O primeiro deles é óbvio: mesmo depois de vinte anos, o analista de Bagé continua divertidíssimo. A outra curiosidade é que aqui, em pouco mais de setenta páginas, está concentrado tudo o que Verissimo publicou sobre ele. É espantosamente pouco para um personagem de tamanha repercussão, que rendeu uma peça teatral que permaneceu mais de quinze anos em cartaz. "Sou mais comentado do que vida de manicure", já dizia o analista.

 

   
 



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