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O azarão no
celeiro petista
Germano
Rigotto, do PMDB,
está prestes a
realizar um feito:
impingir uma derrota histórica
ao PT do Rio Grande do Sul
Diogo
Schelp

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Em nenhum
lugar do Brasil o PT se enraizou de forma tão sólida como
no Rio Grande do Sul. O partido comanda a capital há catorze anos,
administra o governo do Estado há quatro e mantém sob seu
controle 7% das prefeituras do interior. Agora, um candidato azarão
está testando a resistência dessa estrutura. Apesar de pertencer
a um partido grande, o PMDB, o deputado federal Germano Rigotto entrou
na disputa pelo governo do Estado como se fosse um nanico qualquer, com
apenas 4% das intenções de voto. Num colégio eleitoral
que contabilizou 5,8 milhões de votos válidos no primeiro
turno, significa ter iniciado a corrida eleitoral com apenas 235 000 votos.
No decorrer da campanha, Rigotto disparou. Ultrapassou o ex-governador
Antônio Britto, atropelou o candidato do PT, Tarso Genro, e fechou
o primeiro turno com 2,4 milhões de votos um crescimento
de dez vezes. De acordo com pesquisa para o segundo turno, Rigotto atingiu
a casa dos 58% das intenções de votos válidos, contra
42% de Tarso Genro.
A candidatura
Rigotto tinha tudo para ser um fiasco. Entre os três principais
candidatos que disputaram o primeiro turno para o governo do Rio Grande
do Sul, ele era o menos conhecido e também o menos experiente.
Seu adversário no segundo turno, Tarso Genro, é um dos nomes
mais populares do Rio Grande do Sul. Já venceu com folga duas eleições
para a prefeitura de Porto Alegre e recebeu boas notas da população
por seu trabalho. É um dos nomes que o PT guarda na manga para
lançar em vôos mais altos. Antônio Britto foi governador
de seu Estado, chegou em segundo lugar na última disputa pelo governo
e é o líder da oposição ao governo do PT.
O peemedebista Rigotto, por sua vez, foi eleito três vezes deputado
federal, mas nunca ocupou cargo no Poder Executivo. Nas duas vezes em
que tentou ser prefeito de Caxias do Sul, seu principal reduto eleitoral,
acabou derrotado. Sua chapa, formada pelo PMDB e pelo PSDB, tentou lançar
ao governo do Estado o senador Pedro Simon, que desistiu. Cogitou um segundo
nome, que também desistiu. Rigotto foi a terceira opção.
Na campanha,
Tarso e Britto se agrediam mutuamente e tratavam Rigotto como um candidato
menor. Melhor para ele. Pôde dedicar seu tempo na TV a falar de
propostas. Prometeu criar empregos e disse que em seu governo acabaria
com as invasões de terras. Na crítica mais dura que recebeu,
foi chamado de mentiroso por Tarso em um debate. Pegou tão mal
que o petista precisou pedir desculpas em público. Além
de se manter fora da linha de tiro, Rigotto soube aproveitar algumas especificidades
de sua candidatura. Primeiro, ele tinha o maior tempo na televisão.
Depois, contava com uma baixíssima taxa de rejeição.
Quando os pesquisadores perguntavam em quem o eleitor "jamais" votaria,
38% respondiam Britto e 25% respondiam Tarso, mas apenas 6% respondiam
Rigotto.
Sob a administração
petista, praticamente todos os indicadores sociais mudaram para melhor
no Rio Grande do Sul. O partido cuidou com zelo das finanças públicas
e foram poucos os casos de corrupção. Segundo as pesquisas,
o eleitor não tem raiva do partido, mas está um pouco cansado.
Além disso, a eleição trouxe à superfície
alguns problemas que pareciam ter sido superados. Em seu primeiro ano
como governador, Olívio Dutra negou-se a assinar o contrato que
concedia isenções fiscais para a Ford instalar uma fábrica
no Estado. A montadora foi embora e se estabeleceu na Bahia. Os adversários
do PT abusaram dessa imagem: na Bahia, operários trabalhando na
linha de montagem. No Rio Grande do Sul, desempregados olhando o terreno
vazio onde a fábrica seria erguida. Por tudo isso, a equipe de
Rigotto sente-se capaz de realizar um feito: impingir uma derrota acachapante
ao PT no Estado que se tornou a principal vitrine do partido.
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