Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002
Eleições 2002

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Eleições 2002
 

Turbulência na semana decisiva
O desafio de Lula para controlar os radicais do PT
Quem são os petistas: militantes, simpatizantes e adesistas
Rigotto ameaça hegemonia do PT no Sul

Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

O azarão no celeiro petista

Germano Rigotto, do PMDB,
está prestes
a realizar um feito:
impingir uma derrota
histórica
ao PT do Rio Grande do Sul

Diogo Schelp


Veja também
Nesta edição
Transição na crise
Vai ser preciso segurar
Nem todos que lulam são PT
Na internet
Cobertura completa no site Eleições 2002

Em nenhum lugar do Brasil o PT se enraizou de forma tão sólida como no Rio Grande do Sul. O partido comanda a capital há catorze anos, administra o governo do Estado há quatro e mantém sob seu controle 7% das prefeituras do interior. Agora, um candidato azarão está testando a resistência dessa estrutura. Apesar de pertencer a um partido grande, o PMDB, o deputado federal Germano Rigotto entrou na disputa pelo governo do Estado como se fosse um nanico qualquer, com apenas 4% das intenções de voto. Num colégio eleitoral que contabilizou 5,8 milhões de votos válidos no primeiro turno, significa ter iniciado a corrida eleitoral com apenas 235 000 votos. No decorrer da campanha, Rigotto disparou. Ultrapassou o ex-governador Antônio Britto, atropelou o candidato do PT, Tarso Genro, e fechou o primeiro turno com 2,4 milhões de votos – um crescimento de dez vezes. De acordo com pesquisa para o segundo turno, Rigotto atingiu a casa dos 58% das intenções de votos válidos, contra 42% de Tarso Genro.

A candidatura Rigotto tinha tudo para ser um fiasco. Entre os três principais candidatos que disputaram o primeiro turno para o governo do Rio Grande do Sul, ele era o menos conhecido e também o menos experiente. Seu adversário no segundo turno, Tarso Genro, é um dos nomes mais populares do Rio Grande do Sul. Já venceu com folga duas eleições para a prefeitura de Porto Alegre e recebeu boas notas da população por seu trabalho. É um dos nomes que o PT guarda na manga para lançar em vôos mais altos. Antônio Britto foi governador de seu Estado, chegou em segundo lugar na última disputa pelo governo e é o líder da oposição ao governo do PT. O peemedebista Rigotto, por sua vez, foi eleito três vezes deputado federal, mas nunca ocupou cargo no Poder Executivo. Nas duas vezes em que tentou ser prefeito de Caxias do Sul, seu principal reduto eleitoral, acabou derrotado. Sua chapa, formada pelo PMDB e pelo PSDB, tentou lançar ao governo do Estado o senador Pedro Simon, que desistiu. Cogitou um segundo nome, que também desistiu. Rigotto foi a terceira opção.

Na campanha, Tarso e Britto se agrediam mutuamente e tratavam Rigotto como um candidato menor. Melhor para ele. Pôde dedicar seu tempo na TV a falar de propostas. Prometeu criar empregos e disse que em seu governo acabaria com as invasões de terras. Na crítica mais dura que recebeu, foi chamado de mentiroso por Tarso em um debate. Pegou tão mal que o petista precisou pedir desculpas em público. Além de se manter fora da linha de tiro, Rigotto soube aproveitar algumas especificidades de sua candidatura. Primeiro, ele tinha o maior tempo na televisão. Depois, contava com uma baixíssima taxa de rejeição. Quando os pesquisadores perguntavam em quem o eleitor "jamais" votaria, 38% respondiam Britto e 25% respondiam Tarso, mas apenas 6% respondiam Rigotto.

Sob a administração petista, praticamente todos os indicadores sociais mudaram para melhor no Rio Grande do Sul. O partido cuidou com zelo das finanças públicas e foram poucos os casos de corrupção. Segundo as pesquisas, o eleitor não tem raiva do partido, mas está um pouco cansado. Além disso, a eleição trouxe à superfície alguns problemas que pareciam ter sido superados. Em seu primeiro ano como governador, Olívio Dutra negou-se a assinar o contrato que concedia isenções fiscais para a Ford instalar uma fábrica no Estado. A montadora foi embora e se estabeleceu na Bahia. Os adversários do PT abusaram dessa imagem: na Bahia, operários trabalhando na linha de montagem. No Rio Grande do Sul, desempregados olhando o terreno vazio onde a fábrica seria erguida. Por tudo isso, a equipe de Rigotto sente-se capaz de realizar um feito: impingir uma derrota acachapante ao PT no Estado que se tornou a principal vitrine do partido.

 
 


   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS