Edição 1 637 - 23/2/2000

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Coitado do Cacá

Apesar da torcida, ele não vai usar black-tie

Mario Sabino

 
Alexandre Campbell/Folha Imagem
Cacá: repare no boné de Spielberg

O genial Cacá Diegues, leitor assíduo de VEJA, teve uma notícia boa e uma ruim dias atrás. A boa: o filme Orfeu ganhou o disputadíssimo prêmio Glauber Rocha, concedido pela Quitandinha da Cultura, em evento realizado no hotel homônimo de Petrópolis. A ruim: não foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Perdeu o lugar para cinematografias robustas, como a nepalesa e a galesa. O genial Cacá estava tão confiante na condescendência dos imperialistas americanos (e no lobby da Warner, distribuidora de Orfeu) que chegou a dar uma entrevista de véspera ao genial Gerald Thomas, já se colocando na posição de concorrente à estatueta. Na ocasião, o diretor usava um bonezinho parecido com o de Steven Spielberg. Já pensou o sucesso que ele faria de boné e smoking, sentado ao lado de Sharon Stone? Tem nada, não, Cacá. Em seu próximo filme, em vez de colocar o genial cantor Toni Garrido de bumbum de fora (bumbuns masculinos são uma obsessão dos cineastas brasileiros), coloque o genial Gerald Thomas peladão na tela. Pelado e falando as genialidades de sempre – só que, por favor, em alemão e sem legendas. Você pode não conquistar Hollywood, mas com certeza vai faturar um outro prêmio Glauber Rocha.