Edição 1 637 - 23/2/2000

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Nariz a nariz

Corrida do Oscar será a mais
disputada dos últimos anos

Isabela Boscov

Acabou-se a monotonia. Neste ano, não vai haver aquela barbada de entregar estatuetas aos magotes para um mesmo filme – como as onze conquistadas por Titanic. Em 26 de março, o páreo do Oscar será dividido por candidatos que apresentam apenas um nariz de vantagem sobre os rivais. E não só por esta ser uma safra incomum, recheada de bons filmes. O que complica a parada é que, com o anúncio dos indicados, na terça-feira, nenhum franco favorito despontou. O título que mais se aproxima dessa descrição é o soberbo Beleza Americana, que concorre em oito categorias. Nada que lembre a batelada de treze indicações com que Shakespeare Apaixonado foi agraciado em 1999. Mas o que está realmente quebrando a cabeça dos especialistas é que o líder vem seguido de muito perto pelos outros candidatos. Os dramas O Informante e Regras da Vida (o grande azarão do ano) têm sete indicações cada um. O sucesso O Sexto Sentido ganhou seis. Na lanterninha vem o drama de prisão À Espera de um Milagre, com quatro. Só para filme estrangeiro há um concorrente tido como imbatível: Tudo sobre Minha Mãe, do espanhol Pedro Almodóvar.

A maior surpresa, contudo, ficou por conta das ausências. A mais notável é a de O Talentoso Ripley, que recebeu cinco indicações, mas nenhuma nas categorias mais vistosas. Também o comediante Jim Carrey ficou de fora, na segunda esnobada consecutiva que recebe da Academia. Já Meryl Streep faturou a 12º indicação, o que a iguala à recordista feminina, Katharine Hepburn. A cifra não se compara às 38 indicações computadas neste ano pelo maestro John Williams, o artista vivo que mais vezes disputou o Oscar. Outro recorde é o do veterano Richard Farnsworth, de A História Real. Aos 79 anos, ele será o mais velho concorrente a melhor ator. No geral, porém, a maioria dos indicados estará disputando uma estatueta pela primeira vez. Só um vitorioso está confirmado desde este momento: o cinema americano. Ao contrário de outros anos, todos os candidatos a melhor filme foram rodados nos Estados Unidos. E, das vinte indicações a atores, catorze foram entregues a americanos. Nas outras seis estão ingleses, um neozelandês e uma australiana que interpretaram personagens americanos. Pelo jeito, 26 de março acaba de ser eleito o novo dia da pátria por lá.