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DVD
Universal Pictures

Galinhas:
toneladas de massinha |
A Fuga das Galinhas (Chicken Run, Inglaterra, 2000. Universal)
Num campo de concentração, um grupo de mulheres inglesas
bola planos de fuga para escapar à morte certa, até que
a chegada de um aventureiro ianque muda sua sorte. É só
substituir os termos da frase acima por "granja" e "galinhas" e tem-se
o enredo desta deliciosa animação, para a qual os diretores
ingleses Nick Park e Peter Lord converteram 3 toneladas de massinha de
modelar em personagens impagáveis, como o galo Rocky (voz de Mel
Gibson) e a adorável e burrinha galinha Babs (Jane Horrocks). Dois
documentários explicam o complicado processo de produção.
Ao mesmo tempo, a Universal lança em vídeo três episódios
da série Wallace & Gromit, com que Park se tornou conhecido.
Coleção
Dirty Harry (Warner) Em 1971, já um astro graças
aos faroestes-espaguete do italiano Sergio Leone, Clint Eastwood topou
com o papel que se tornaria o mais definitivo de sua carreira: o detetive
Harry "O Sujo" Callahan, uma espécie de lobo solitário da
força policial de San Francisco. De poucas palavras e paciência
curta, o personagem se notabilizou pelos métodos ambíguos
e tenazes com que caçava os bandidos. Até 1988, Eastwood
encarnou Harry em cinco filmes: Perseguidor Implacável, Magnum
44, Sem Medo da Morte, Impacto Fulminante e Dirty Harry na Lista
Negra. Todos estão nesta coleção, que inclui
alguns making of da época (mais curiosos do que propriamente elucidativos)
e longas entrevistas com os envolvidos na série.
LIVROS
Ossos
de Sépia, de Eugenio Montale (tradução de
Renato Xavier; Companhia das Letras; 230 páginas; 27 reais)
O italiano Eugenio Montale (1896-1981) é um autor relativamente
bem divulgado no Brasil. Uma antologia de seus versos, Poesias,
e o livro Diário Póstumo (ambos da editora Record)
já estavam nas estantes do país, mas este novo lançamento
é precioso. Ossos de Sépia foi a primeira obra do
poeta, vencedor do Prêmio Nobel em 1975. Vários de seus textos,
como "Casa sobre o Mar", fazem parte da memória coletiva italiana.
Não se trata, contudo, de uma literatura fácil. Montale
costumava partir de fatos concretos para criar poemas enigmáticos,
de significado fugidio. É preciso lê-lo com dedicação
e vagar. Compensa e o leitor será ajudado pela boa tradução
e pelas boas notas da edição.
O
Livro dos Códigos, de Simon Singh (tradução
de Jorge Calife; Record; 446 páginas; 48 reais) Ao contrário
da biologia e da física, a matemática é uma ciência
que ainda não conta com um grande contingente de autores de divulgação
aqueles que, além de trocar em miúdos conceitos complicados,
conseguem entreter os leitores leigos. O inglês Simon Singh
é uma exceção. Há três anos ele emplacou
um best-seller, O Último Teorema de Fermat, sobre um enigma
da matemática que resistiu por quase quatro séculos às
tentativas de resolução. Agora, ele conta a história
dos códigos utilizados para manter informações sigilosas,
desde a antiguidade e seus papiros até os dias de hoje e a internet.
O livro traz gráficos e equações, mas não
só: traça perfis de geniais criadores e decifradores de
códigos e fala das mensagens cifradas que decidiram o destino de
reis e guerras.
DISCOS
Marvin
Gaye and Friends, Marvin Gaye (Universal) Antes de estourar
com What's Going On (1971), Marvin Gaye fez de tudo na gravadora
Motown. Tocou bateria nos discos de Stevie Wonder, gravou músicas
sob encomenda e serviu de parceiro para cantoras da casa. Essa faceta
de duetista é explorada nesta coletânea. Gaye cantava soberbamente
e ajudava suas colegas a brilhar. Fez isso com Mary Wells e Kim Weston,
mas principalmente com Tammi Terrell. A química entre os dois era
tão boa que muitos pensavam que eles eram um casal de verdade.
Gaye e Terrell aparecem juntos em oito canções, entre elas
a belíssima Ain't Nothin' Like the Real Thing. O CD traz
ainda quatro duetos do cantor com Diana Ross mas esses já
foram gravados no auge de sua fama.
The
Collection, Lynyrd Skynyrd (Universal) Esse grupo americano
saiu de cena em 1977, depois de um acidente de avião que matou
três de seus integrantes (entre eles o cantor e líder Ronnie
Van Zant). Até então, o Lynyrd Skynyrd era o principal expoente
do country-rock americano, combinando música caipira do sul dos
Estados Unidos com guitarras barulhentas o grupo tinha uma formação
incomum, com três guitarristas. The Collection traz sucessos
como Sweet Home Alabama e Gimme Three Steps, que embalaram
muitas festas nos tempos da bata indiana e da calça boca-de-sino.
Algumas canções boas e menos manjadas, como Swamp
Music, também foram pinçadas para compor o cardápio.
| LITERATURA
BRASILEIRA |

Toda
Prosa
Márcia Denser;
Nova Alexandria;
158 páginas;
25 reais |
A
esta altura, infelizmente, talvez seja preciso reapresentar Márcia
Denser. Ela estreou em 1976, com os contos de Tango
Fantasma, e consagrou-se em seguida,
com livros como O Animal dos Motéis.
Por seu jeito ousado de falar sobre sexo (ou sobre a mulher sexualmente
livre), chamavam-na de "Henry Miller de saias". O jornalista Paulo
Francis costumava celebrá-la. "É a única mulher
brasileira que sabe escrever", dizia. No começo dos anos
90, Márcia lançou A
Ponte das Estrelas. Saga esquisitona,
a obra não encontrou leitores. Deve ter sido uma experiência
incômoda. Depois disso, a autora não publicou virtualmente
nada. Sumiu das livrarias. Toda
Prosa marca, portanto, o seu
retorno depois de um longo tempo. Tomara que seja para valer. Márcia
é uma autora original e forte.
A
coletânea traz nove textos, quatro deles inéditos.
Entre os antigos, a novela Exercícios
para o Pecado, ambientada no "mundo
literário", e o excelente conto O
Último Tango em Jacobina, sobre
o flerte entre um mecânico e uma menina rica, demonstram o
talento da autora para captar com deliciosa crueldade os detalhes
do intercâmbio social em hábitat paulistano. Entre
os inéditos, Nevermore faz
lembrar o universo fantasioso de A
Ponte das Estrelas, enquanto Trade
Lights é um conto sobre identidades
sexuais cruzadas, escrito com voz masculina.
Márcia
é uma autora de estilo complexo, que oscila entre a frase
límpida e o parágrafo opulento, preciosista. Um bom
paralelo é com a inglesa Angela Carter. Elas têm muito
em comum: a geração, a temática feminina, a
linguagem rica. O escritor Salman Rushdie, fã de Carter,
certa vez disse que seus textos tinham "cadências de opiômana
interrompidas por dissonâncias cômicas, misturas de
grandiosidade e bobagem, altos vôos e quedas livres". São
boas palavras também para Márcia Denser.
Carlos
Graieb
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