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De Lulu para Lalau

Papel mostra que Luiz Estevão andou
abastecendo a conta do juiz Nicolau

Ana d'Angelo, de Brasília

 
Dida Sampaio/AE
O ex-senador rebate mais uma evidência de envolvimento no TRT: "Provas? Que provas?"

Na semana passada, divulgou-se que das contas do ex-senador Luiz Estevão, abertas no Delta National Bank em Miami, saíram 1 milhão de dólares para a conta do juiz Nicolau dos Santos Neto, no banco Santander, na Suíça. Foi o primeiro elo concreto que une o ex-senador e o juiz, ambos enrolados até os centavos no escândalo de 169 milhões de reais das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. "Provas? Que provas?", reagiu o ex-senador, desmentindo, pela enésima vez, mais uma evidência de seu envolvimento no caso. Luiz Estevão alegou que não conhece a conta no Delta Bank em Miami e que, portanto, não sabe de depósito algum em favor do juiz Lalau. "É uma questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde ficará provado que não fiz nenhuma transferência de dinheiro para a conta do juiz Nicolau."


Ed Ferreira/AE

O juiz Nicolau: depósito pode ter coberto compra de imóvel


O tempo veio mais cedo, mas correu contra o senador. Já apareceu o documento que autoriza a conta do Delta Bank a mandar a quantia exata de 960.000 dólares para a conta do juiz na Suíça. E, mais uma vez, as digitais do ex-senador estão ali. O documento que pede ao Delta Bank a "fineza" de fazer a transferência dos dólares para a conta do juiz Lalau saiu do escritório do Grupo OK, de propriedade do ex-senador, em Brasília. Foi enviado por fax, às 11h39 do dia 11 de abril de 1994. De acordo com a Advocacia Geral da União, que vem ajudando a investigar as ligações do ex-senador com os demais envolvidos nas falcatruas do TRT paulista, a assinatura que aparece no fax da transferência é de Luiz Estevão. Da mesma conta que o ex-senador diz não ser sua saiu dinheiro para pagar as anuidades de um cartão de crédito em nome de sua mulher, Cleucy Meirelles de Oliveira.

Criptografia corrupta – Segundo os documentos enviados ao Brasil pelo Departamento de Justiça americano, que ajuda o governo a descobrir o destino do dinheiro do TRT, há duas contas no Delta Bank. Uma é movimentada por um tal de Leo Greene. A outra, por James Towers. Os procuradores do Ministério Público acham que Leo são as iniciais de Luiz Estevão de Oliveira e Greene, uma vaga referência à palavra green (verde, em inglês), cor característica das notas de dólar, popularmente chamadas de "verdinhas". Já a conta de James Towers (torres, em inglês) seria de Jairo Torres, um ex-diretor do Grupo OK. Além do indício de corrupção criptografada, a evidência mais sólida é que o contrato de abertura das duas contas traz a assinatura do diretor e do ex-senador.

O calhamaço de mais de 1.000 páginas com dados do exterior mostra que a movimentação das contas no Delta Bank, da abertura, em 1992, até 1996, foi intensa. Cálculos preliminares indicam que passearam por elas pelo menos 18 milhões de dólares. Diante de tal fartura, os procuradores suspeitam que as transferências feitas pelo ex-senador em favor de Lalau, em abril de 1994, serviram para cobrir a compra do luxuoso apartamento que o juiz arrematou em Miami no mês anterior. Em 17 de março de 1994, Nicolau enviou 720.000 dólares de sua conta na Suíça para sua empresa de fachada, a Hillside Trading. No dia 27 de março, comprou o imóvel por 800.000 dólares. Duas semanas depois, chegaram à conta de Nicolau na Suíça os 960.000 dólares enviados pelo ex-senador.

 

 

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