TELEVISÃO
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Cidadão Kane:
como
sempre, o
melhor
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Cem Anos, Cem
Filmes (domingo às 21h e segunda-feira às
13h, no MGM Gold) Em 1998, o American Film Institute
resolveu comemorar o centenário do cinema elaborando
uma lista dos 100 melhores filmes realizados entre 1896
e 1996. Agora a lista pode ser conhecida na forma de especial,
com trechos de cada uma das obras e comentários de
personalidades sobre elas. O vencedor, claro, é o
clássico Cidadão Kane, que Orson Welles
dirigiu em 1941. Mas, como os critérios incluem também
impacto cultural e relevância histórica, o
resultado acaba sendo bem eclético: inclui desde
sucessos de público, como Tubarão,
até épicos festejados, como Lawrence da
Arábia.
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Participante do boi-bumbá de Parintins:
invenções
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Música
do Brasil (MTV, sexta-feira às 22h)
Um mérito deste programa é não se deixar
contaminar pelo tom soporífero das produções
didáticas. Em vez de discursos sobre "a importância
do maracatu", Música do Brasil mostra como
os ritmos do país sofreram influências uns
dos outros e também foram marcados por importações
do estrangeiro. Muitos cruzamentos apontados vão
dar o que falar, como o da surf music americana com os sons
da Amazônia. Há passagens curiosas sobre as
invenções oriundas das festividades do boi-bumbá
de Parintins, no Amazonas, ou sobre os sambas do Recôncavo
Baiano, diluidíssimos por grupos como É o
Tchan. Em quinze episódios, Música do Brasil
terá apresentação do cantor Gilberto
Gil e contará com vários convidados especiais.
DISCO
Imagine,
John Lennon (EMI Music) Em sua carreira-solo, o ex-beatle
sempre tentou combinar lirismo e discurso político,
mas raramente os resultados foram satisfatórios.
Ou Lennon gravava discos excessivamente panfletários
ou transformava suas obras em tediosas ladainhas sobre questões
pessoais e conjugais. Imagine, no entanto, foi uma
ocasião em que tudo deu certo. O disco tem canções
humanistas, protestos contra o "sistema" e ainda rasgadas
declarações de amor à mulher, Yoko
Ono. O álbum chega às lojas em edição
remasterizada, sob a coordenação de Yoko.
Além do tratamento sonoro, apresenta outras novidades,
como fotos inéditas de Lennon e a letra manuscrita
de How Do You Sleep?, em que John acusa Paul McCartney,
ex-companheiro nos Beatles, de ser um compositor medíocre.
É certo que a faixa-título já foi usada
à exaustão em tudo quanto é documentário
e reportagem sobre guerra. Mas o disco contém maravilhas,
como Jealous Guy, Oh My Love e How?
VÍDEO
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Virgin 
Mick Jagger: perto
do público
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Bridges to Babylon,
Rolling Stones (ST2 Vídeo) Este vídeo
pode consolar aqueles que nunca se perdoaram por ter perdido
as antológicas apresentações do grupo
inglês no Brasil, em abril de 1998. A vantagem do
vídeo é que não será preciso
disputar a cotoveladas um lugar melhor na platéia.
Bridges to Babylon foi a melhor turnê dos Rolling
Stones na década de 90, por apresentar uma sensível
mudança de estilo nos megashows de rock. Além
das habituais toneladas de luz e som, os roqueiros ingleses
criaram alguns momentos de intimidade com a platéia.
Eles se dirigiam a um pequeno palco montado no centro do
estádio e tocavam pérolas de seu início
de carreira. Agora, basta ligar o videocassete para sentir
Mick Jagger & Cia. bem próximos.
LIVROS
A Saga da Comida,
de Gabriel Bolaffi (Record; 715 páginas; 54 reais
em capa dura/39 reais em brochura) Nos últimos
anos, a culinária se tornou um filão rentável
no mercado de livros. Os lançamentos se multiplicaram.
Esta obra se destaca por dois motivos. Está longe
de ser pretensiosa, com grandes "teorias" sobre a cozinha.
É um livro para quem gosta de cozinhar para os amigos,
como indicam as porções sugeridas, quase todas
para oito ou dez convivas. Tanto há pratos elaborados
quanto receitas prosaicas. Bolaffi, além disso, viajou
pelo mundo registrando curiosidades sobre comida. É
a outra atração do livro. Ele demole teses
consagradas, como a de que a feijoada brasileira foi inventada
pelos escravos com as carnes rejeitadas pela casa-grande.
Bolaffi mostra que os senhores de engenho teriam de comer
uma quantidade impressionante de lombos de porco antes de
deixar para trás os pés e as orelhas necessários
para alimentar a grande população de cativos.
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Greene: caso de
amor inusitado
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Fim de Caso,
de Graham Greene (tradução de Léa Viveiros
de Castro; Record; 237 páginas; 15 reais)
Um dos mais importantes escritores ingleses do século
XX, Greene buscou inspiração em episódios
de sua própria vida para conceber, em 1951, um dos
mais inusitados casos de amor de que se tem notícia
na literatura, envolvendo um escritor, uma mulher casada
e... (bom, é necessário ler o livro até
o fim para descobrir). O próprio autor tinha reservas
quanto ao resultado que alcançara em Fim de Caso,
argumentando que certas soluções do enredo
lhe pareciam abruptas. A despeito de suas objeções,
o livro é dos mais reveladores sobre as convicções
de Greene, um convertido ao catolicismo. Transformado agora
num belíssimo filme de mesmo nome, continua sendo
um dos pontos altos na longa e intensa carreira desse escritor
que deixou obras-primas, como O Poder e a Glória.
| OS
MAIS VENDIDIOS |
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Crítica
Ocupando o sexto
posto na lista de mais vendidos, Filha da Fortuna
(tradução de Mario Pontes; Bertrand
Brasil; 469 páginas; 42 reais) marca o retorno
da escritora chilena Isabel Allende às obras
de ficção. Ela não se aventurava
por esse terreno desde 1992, ano que foi marcado por
uma tragédia: a morte de sua filha, Paula,
depois de uma longa doença. Para assimilar
o baque, Isabel escreveu duas memórias, Paula
e Cartas a Paula. Agora, com as feridas
curadas, ela volta ao seu gênero predileto:
o romance histórico. O mercado aplaude e compra.
Mas a literatura não estava sentindo a mínima
falta.
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Filha da Fortuna
conta a história de Eliza Sommers, uma
chilena do século XIX que foi abandonada pelos
pais e criada por um casal de ingleses. Embora a nova
família lhe ofereça luxo, Eliza se sente
inquieta. Rebelde, embarca para os Estados Unidos
no rastro de um amante, que decidiu tomar parte na
Corrida do Ouro, iniciada em 1849. Ao chegar à
Califórnia, ela primeiro ganha a vida tocando
piano em um bordel. Depois descobre que se disfarçando
de homem pode transitar com mais liberdade por uma
sociedade ainda sem ordem nem lei.
Adolfo Gerchmann
Isabel: de volta
à ficção histórica
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Sem lei, deve-se
dizer, é também o romance. Isabel tentou
ocupar-se com personagens demais de madames
inglesas a um chinês chamado Tao Chi'en. Tentou
trabalhar com um excesso de fios narrativos. Acabou
com um novelo enrolado nas mãos, em vez de
uma história bem tecida. Quanto a seu modo
de escrever, continua "sensível", o que é
apenas uma maneira educada de dizer piegas. Se você
é fanático por romances históricos,
vá em frente. Caso contrário, não
perca tempo.
Carlos
Graieb
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