Lauro Jardim
| Dilema hamletiano-tupiniquim |
Chico Caruso/O Globo
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| To bingo or not to bingo? |
EMPREGOS
Quem dá trabalho
Até algum tempo atrás não
tinha erro: quem dava emprego mesmo era a indústria.
No ano passado, a eterna campeã Volkswagen ficou
abaixo do McDonald's no pódio de maior empregador
privado nacional e viu-se que as coisas estavam mudando.
Agora, consolidou-se de vez a supremacia do setor de serviços.
O Carrefour (na ponta, com 47.000
funcionários) e o Pão de Açúcar
(com 40.000) viraram os maiores
empregadores privados do país. A Volks tem de se
contentar com a quarta colocação, atrás
do McDonald's.
POLÍTICA
Distância
Continua
a todo o vapor o estranhamento entre FHC e o governador
Tasso Jereissati.
Nem Duda nem Nizan
O marketing
político das eleições de outubro terá
um sotaque diferente. O senador Jorge Bornhausen desembarca
em Madri na quinta-feira disposto a trazer para o PFL a equipe
de marqueteiros que levou à vitória o partido
do primeiro-ministro José María Aznar, há
duas semanas.
Sobrevida
O Palácio
do Planalto envia ao Congresso nesta semana uma medida provisória
que transfere do Ministério do Esporte e Turismo
para a CEF tudo o que for relativo a bingo. Com a operação,
o governo espera dar uma sobrevida ao ministro Rafael Greca.
Permanecendo ou não, Greca perderá mais poder.
Parte importante de seu ministério será transformada
em Secretaria de Turismo e deverá ser entregue ao
PFL. É de Jorge Bornhausen a preferência na
indicação, mas ele terá de dobrar ACM,
que também está de olho no cargo.
ECONOMIA
O dia da decisão
Se
não houver fato novo, o Cade crava no dia 29 se a
AmBev é para valer ou se a Antarctica e a Brahma
seguem cada uma o seu destino.
À flor da pele
As
relações entre a Coca-Cola e seus fabricantes
brasileiros andam tensas. Numa grande reunião realizada
na semana passada no Rio de Janeiro, eles soltaram os cachorros
para cima da Coca.
Viva a economia informal
O mercado de reciclagem movimenta no Brasil quase
200 milhões de reais por ano. Até aí,
tudo bem. Impressionante mesmo é o exército
de 150.000 brasileiros que vivem
hoje de catar latinhas de cerveja e refrigerante pelas ruas.
Eles levam para casa uma média de 3,5 salários
mínimos por mês.
Bom negócio
O empresário
Nelson Tanure, que há alguns anos tentou ser o imperador
do setor naval brasileiro e se afundou em dívidas,
está negociando com o BNDES uma fantástica
solução para suas pendências, que roçam
os 90 milhões de dólares. Fantástica
para ele, bem entendido.
JUSTIÇA
Reparação graúda
A indústria da indenização
continua correndo solta no Nordeste. Agora, a Justiça
do Ceará condenou o Banco do Brasil a pagar 6 milhões
de reais para a juíza Monique Coelho por danos morais.
O BB bloqueara erradamente um cartão de crédito
de Monique e a fez passar constrangimentos por isso. A quantia
arbitrada pela Justiça para a juíza cearense
equivale a 35 anos de trabalho na magistratura.
GOVERNO
Vai subir
O governo pediu
a um economista carioca para estudar mudanças na
metodologia de estimativa do PIB. No Ministério da
Fazenda a desconfiança é de que os cálculos
feitos pelo IBGE já estão há anos divorciados
da realidade.
CINEMA
Pacote completo
A indústria
americana de cinema está na Justiça para acabar
com mais uma reserva de mercado nacional –
a que obriga os filmes estrangeiros a ter suas cópias
feitas em laboratórios brasileiros. Querem trazer
tudo prontinho lá de fora.
LEÃO
Antes tarde...
Em todo o
mundo, fumo e cigarros são itens taxados até
a medula. Parecia que o Brasil acompanhava esse saudável
hábito. Mas só agora a Receita Federal descobriu
que fazia isso apenas em parte: os fabricantes de fumo picado
(usado para cachimbos) eram isentos de impostos. Isso mesmo:
não pagavam nada. Discretamente, a Receita tascou
uma alíquota de 30% para o segmento.
INTERNET
Concorrência para valer
A
inglesa Dataflex acaba de patentear um aparelhinho que vai
deixar as companhias telefônicas de cabelo em pé.
Funciona assim: quando o usuário disca, o tal aparelhinho
identifica qual a operadora que cobra a ligação
mais barata. No ato, o telefonema é feito através
da empresa que oferece o serviço mais em conta. Espera-se
uma guerra de preços dos diabos.