Edição 1 641 - 22/3/2000

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Jamais contei esta história e nunca pensei que iria fazê-lo. Não exatamente por temer que duvidassem, mas porque sentia vergonha... e porque a história era minha. Sempre achei que ao contá-la baratearia tanto a ela quanto a mim, faria com que ela parecesse menor e mais mundana, uma história de fantasmas qualquer, daquelas contadas ao redor da fogueira num acampamento. Creio ainda que temia que ao narrar a história, ao ouvi-la com meus próprios ouvidos, poderia começar a duvidar de mim mesmo. Mas não consigo dormir muito bem desde que minha mãe morreu. Cochilo e desperto de novo, os olhos arregalados, tremendo. Deixar o abajur aceso ajuda, mas não tanto quanto se poderia pensar. Você já notou como à noite as sombras aumentam? Até com a luz acesa há sombras demais. Então você pensa: as sombras maiores poderiam pertencer a qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.