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Há
dois perfis definidos de quem está conhecendo pessoas pela internet.
O primeiro é o sujeito que se inscreve em um site de namoro com
o objetivo claro de sair com alguém. Ele paga uma mensalidade,
expõe sua foto, dá detalhes sobre seus gostos pessoais e
especifica quem quer conhecer. Nessa categoria, 95% das pessoas estão
dispostas a sair de casa para se encontrar com um estranho escolhido via
internet. O outro tipo é chamado de navegador "desbravador". É
o internauta que se aventura esporadicamente em salas de bate-papo e só
depois de muita conversa topa um programa pessoalmente. A experiência
mostra que, nesse caso, um contato ao vivo é raríssimo:
fala-se antes com cerca de quarenta interlocutores para confirmar um único
encontro.
Oscar Cabral
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"Apesar
de viver sempre rodeado de gente, sou um sujeito relativamente tímido.
Consigo me expressar muito melhor escrevendo do que falando. Foi
por essa razão que a internet se tornou um hábito
na minha vida. De uma hora para outra, passei a me relacionar com
uma série de pessoas que jamais imaginei encontrar no meu
dia-a-dia. Isso é
muito enriquecedor. Não entrei na internet com um objetivo
definido. Queria simplesmente ampliar o leque de pessoas que conheço.
E foi o que aconteceu."
CARLOS EDUARDO NIEMEYER,
fotógrafo,
48 anos
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Mas, afinal,
o que querem as pessoas que buscam um namoro pela internet? O banco de
dados do ParPerfeito aponta que os traços de caráter mais
especificados são diferentes para ambos os sexos. Eles querem conhecer
uma mulher bonita e independente. Elas, um homem companheiro e bem-humorado.
"Mas, no fundo, o que querem é outra coisa. Homens querem sexo.
Mulheres, achar o príncipe encantado", afirma o sexólogo
carioca Charles Rojtenberg, que durante oito anos entrevistou 5.000
freqüentadores de salas e sites de namoro para tentar responder à
pergunta. Esse é o ponto. A maioria das mulheres realmente quer
um envolvimento sério. Já os homens vêem na internet
um instrumento eficaz para encontros furtivos e casuais. Ou seja: sexo
sem compromisso. Na avaliação de Rojtenberg, isso não
significa que as relações iniciadas pelo computador estejam
fadadas ao fracasso. O que é preciso é saber dar a dimensão
exata a esse tipo de relacionamento. "O fundamental é ter claro
que a internet é um excelente lugar para conhecer pessoas. Não
significa que você vai se casar com elas", comenta. Segundo sua
pesquisa, apenas 2% das relações que nascem on-line resultam
em casamento. O restante não ultrapassa o jantarzinho, uma ida
ao motel ou uma viagem de fim de semana. O fotógrafo Carlos Eduardo
Niemeyer, 48 anos, neto do arquiteto Oscar Niemeyer, está inscrito
no Comovai. "Em geral, sou um cara tímido. Não entrei com
intenção definida. Queria simplesmente ampliar o leque das
pessoas que conheço. E isso realmente aconteceu", afirma.
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Com a mesma
freqüência com que se ouve falar das maravilhas dos encontros
pela internet se escutam casos bizarros. Todo mundo sempre tem uma história
horrorosa para contar. A do sujeito apaixonado que foi se encontrar com
um pitéu de 25 anos, que na verdade era um senhor homossexual de
56. A da moça que se dizia 'um pouco acima do peso' e, de fato,
estava com 165 quilos. Ou a da jovem que deu muito dinheiro a um picareta
que a tinha pedido em casamento depois de um mês de bate-papo na
internet. De fato, há uma coleção perturbadora de
casos dessa ordem. Ninguém duvida que, numa conversa entre dois
desconhecidos, possa haver boa dose de mentira e fantasia. "Mas, em geral,
são mentiras prosaicas ligadas à fantasia do que se pretende
ser. Mulheres mentem sobre sua aparência porque sabem que são
julgadas por isso. Homens mentem sobre o status social porque também
são cobrados socialmente nesse sentido", afirma o psiquiatra paulista
Luiz Cushnir. É evidente que existem homens e mulheres de péssimo
caráter on-line. Mas você poderia topar com qualquer um deles
em um restaurante ou mesmo no cafezinho de sua empresa.
Em geral,
tem-se a impressão de que as teorias sobre a falibilidade dos encontros
pela internet são mais baseadas em preconceitos que em fatos. Como
se só fosse possível conhecer a pessoa ideal na faculdade
(visão tradicional) ou numa trombada de carrinhos de supermercado
(visão super-romântica). É como se houvesse algum
código velado que proibisse as pessoas principalmente as
mulheres de colocar sua foto, dizer o que esperam de alguém
e, finalmente, poder achar uma pessoa interessante para se relacionar.
A principal vantagem da internet é possibilitar os encontros. É
evidente que o resto da paquera vai ficar por conta dos envolvidos. Como
em uma relação em que os dois foram apresentados por amigos
em comum. A advogada paulistana Renata Malagoli, 25 anos, namora há
seis meses o publicitário Rogério Barcellos, 30 anos, que
conheceu num site de namoro. Ambos são jovens, bonitos e bem-sucedidos
e vêm de famílias com dinheiro. "Eu sempre achei que ia encontrar
um cara como ele na praia, em uma viagem pela Europa, sei lá. Mas
nunca aconteceu. Percebo que algumas pessoas olham estranho quando digo
que o conheci na internet. É puro preconceito. O que importa é
que estamos no maior amor", diz.
Antonio Milena
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"Foi
idéia das minhas amigas me inscrever nos sites de namoro.
Eu recebia vários e-mails por dia de gente querendo me conhecer.
É uma maravilha para o ego. Um dia, chegou a foto do Rogério.
Eu pensei: 'Que gato! Não é possível!'. A gente
foi se falando e descobrindo coisas em comum. Freqüentávamos
os mesmos lugares, tínhamos quase a mesma rotina, mas nunca
havíamos nos encontrado. Sempre achei que fosse conhecer
um cara como ele na praia ou numa viagem pela Europa. A maioria
das mulheres cultiva essa fantasia romântica. Imaginar que
vai conhecer alguém pela internet sempre soou estranho. Mas
foi assim que achei o homem com que sempre sonhei."
RENATA MALAGOLI, advogada,
25 anos
"Na
minha opinião, o mais interessante da internet é a
possibilidade de você praticamente encomendar alguém.
Há tantos filtros para chegar a um perfil que seja compatível
com o que você espera que no mínimo amizade você
vai fazer com a outra pessoa. É evidente que há exceções.
Conheci cerca de quinze mulheres pessoalmente. Posso dizer que pelo
menos dez foram um erro, mentiram. A maioria disse que estava em
forma. Na verdade, estavam bem acima do peso. Mas cinco foram sensacionais.
Acho que isso já é excelente. Imagine: se você
for a uma boate ou um barzinho dificilmente vai conhecer uma pessoa
interessante. Que dirá cinco! Ter encontrado alguém
como a Renata me parecia quase impossível. E agora veja só:
tudo por causa de um anúncio num site de namoro."
ROGÉRIO BARCELLOS,
publicitário,
30 anos
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Ao que tudo
indica, as relações que parecem dar certo são as
construídas com o menor grau possível de expectativa. "É
um erro achar que só porque você teclou dias com alguém
virou íntimo da pessoa. É preciso saber que, ao se encontrarem,
vocês serão dois estranhos da mesma maneira. É necessário
começar todo o processo de conhecimento de novo", observa a psicanalista
Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. É evidente que há uma série de
posturas que a pessoa deve ter em mente antes de iniciar uma paquera pela
internet. A principal delas diz respeito a você mesmo. Os especialistas
aconselham a pessoas carentes e solitárias jamais se envolver em
relações virtuais. "Como está fragilizado, esse tipo
de temperamento se torna um alvo fácil para pessoas mal-intencionadas",
explica a psicoterapeuta paulista Lídia Aratangy. Também
é importante se preservar ao máximo, mesmo que a conversa
pela internet seja empolgante. Jamais dê seu endereço ou
o telefone de sua casa. É tão arriscado quanto sair distribuindo
seu cartão de visita pela arquibancada de um jogo de futebol. E
principalmente: nunca acredite de cara em tudo o que a outra pessoa escrever.
O tempo e a convivência vão dizer se você deve ou não
dar a ela um voto de confiança. Antes disso, só preste atenção.
E saiba: tendo ou não encontrado alguém para um relacionamento
amoroso, ninguém se arrepende de ter se inscrito nos sites. Todos
concordam que é um excelente manancial para fazer amigos, conhecer
pessoas diferentes e, sobretudo, inflar o ego. Receber trinta mensagens
de pessoas que o acharam o máximo e querem conhecê-lo triplica
a chance de você ter companhia durante suas vazias noites de sábado.
E, nesse caso, não faz a mínima diferença ser um
parceiro pontocom.
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