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Edição 1 778 - 20 de novembro de 2002
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Quatro horas com FHC

 
Ana Araujo
Roberto Pompeu com Fernando Henrique no Alvorada

O presidente Fernando Henrique Cardoso foi entrevistado por Roberto Pompeu de Toledo, editor especial e colunista de VEJA, durante duas rodadas de conversa, de cerca de duas horas cada uma, na chamada Sala de Estado da biblioteca do Palácio da Alvorada. Os melhores trechos da conversa são reproduzidos na presente edição. Pompeu já havia submetido o presidente a sabatina semelhante em agosto de 1997, quando Fernando Henrique completava seu terceiro ano de governo, que deu origem a um livro, O Presidente Segundo o Sociólogo, publicado pela Companhia das Letras.

Que presidente o jornalista encontrou cinco anos depois? "Fernando Henrique não mudou muito", diz Pompeu. "O exercício do poder, as crises, a derrota eleitoral de seu candidato à sucessão parecem não ter cobrado um preço muito alto de suas emoções." Pompeu viu no presidente a mesma compulsão de explicador que tanto o marcara na primeira entrevista. "Como todo professor, ele tem obsessão por explicar e ser entendido. Ele atribui as poucas frustrações que experimentou no exercício da Presidência ao fato de não ter sido compreendido, não apenas pela oposição, mas pelos próprios companheiros."

Nas respostas que deu ao jornalista de VEJA, Fernando Henrique alertou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de "transformar o vago sentimento de esperança em algo objetivo" e falou sobre suas expectativas depois de deixar o cargo. FHC fez um balanço de seu mandato e encontrou bons argumentos até mesmo para defender uma das questões mais polêmicas de sua gestão: a manutenção do câmbio engessado até 1999. "A política de câmbio pode não ter sido tão errada assim", disse ele. "Uma conseqüência positiva dela foi permitir a modernização da indústria. Quando diziam que estávamos sucateando a indústria, a indústria estava se reequipando."

 
 
   
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