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Quatro
horas com FHC
Ana Araujo
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| Roberto
Pompeu com Fernando Henrique no Alvorada |
O
presidente Fernando Henrique Cardoso foi entrevistado por Roberto Pompeu
de Toledo, editor especial e colunista de VEJA, durante duas rodadas de
conversa, de cerca de duas horas cada uma, na chamada Sala de Estado da
biblioteca do Palácio da Alvorada. Os
melhores trechos da conversa são reproduzidos na presente edição.
Pompeu já havia submetido o presidente a sabatina semelhante em
agosto de 1997, quando Fernando Henrique completava seu terceiro ano de
governo, que deu origem a um livro, O Presidente Segundo o Sociólogo,
publicado pela Companhia das Letras.
Que presidente o jornalista encontrou cinco anos depois? "Fernando Henrique
não mudou muito", diz Pompeu. "O exercício do poder, as
crises, a derrota eleitoral de seu candidato à sucessão
parecem não ter cobrado um preço muito alto de suas emoções."
Pompeu viu no presidente a mesma compulsão de explicador que tanto
o marcara na primeira entrevista. "Como todo professor, ele tem obsessão
por explicar e ser entendido. Ele atribui as poucas frustrações
que experimentou no exercício da Presidência ao fato de não
ter sido compreendido, não apenas pela oposição,
mas pelos próprios companheiros."
Nas respostas que deu ao jornalista de VEJA, Fernando Henrique alertou
o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade
de "transformar o vago sentimento de esperança em algo objetivo"
e falou sobre suas expectativas depois de deixar o cargo. FHC fez um balanço
de seu mandato e encontrou bons argumentos até mesmo para defender
uma das questões mais polêmicas de sua gestão: a manutenção
do câmbio engessado até 1999. "A política de câmbio
pode não ter sido tão errada assim", disse ele. "Uma conseqüência
positiva dela foi permitir a modernização da indústria.
Quando diziam que estávamos sucateando a indústria, a indústria
estava se reequipando."
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