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O que incomoda o
terror
AP

Os
bombeiros cravam a bandeira americana em Nova York, repetindo o gesto
simbólico dos fuzileiros depois de tomar Iwo Jima, em 1945 |
O verdadeiro
alvo visado pelos terroristas que atacaram Nova York e Washington na semana
passada não foram as torres gêmeas do sul de Manhattan nem
o edifício do Pentágono. O atentado foi cometido contra
um sistema social e econômico que, mesmo longe da perfeição,
é o mais justo e livre que a humanidade conseguiu fazer funcionar
ininterruptamente até hoje. Não foi um ataque de Davi contra
Golias. Nem um grito dos excluídos do Terceiro Mundo que, de modo
trágico mas efetivo, se fez ouvir no império. Foi uma agressão
perpetrada contra os mais caros e mais frágeis valores ocidentais:
a democracia e a economia de mercado.
O que realmente
incomoda a ponto da exasperação os fundamentalistas, apontados
como os principais suspeitos de autoria dos atentados, não é
só a arrogância americana ou seu apoio ao Estado de Israel.
O que os radicais não toleram, mais que tudo, é a modernidade.
É a existência de uma sociedade em que os justos podem viver
sem ser incomodados e os pobres têm possibilidades reais de atingir
a prosperidade com o fruto de seu trabalho. Esse é o verdadeiro
anátema dos terroristas que atacaram os Estados Unidos. Eles são
enviados da morte, da elite teocrática, medieval, tirânica
que exerce o poder absoluto em seus feudos. Para eles, a democracia é
satânica. Por isso tem de ser combatida e destruída.
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