Lauro Jardim
Chico Caruso/O Globo
Meditações
Eduardo-jorgianas

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No Brasil, a gente não pode achar um caminho
que vem logo os procuradores atrás...
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Economia
País da ilegalidade
Veja como a ilegalidade nos negócios cresce desbragadamente
no Brasil. O mercado negro de cigarros já representa
32% das vendas totais. As tubaínas são donas
do mesmo porcentual no ramo de refrigerantes. E, na distribuição
de combustíveis, a cada 3 litros vendidos 1 sai da
bomba de empresas sonegadoras. Só com essa brincadeira,
o Brasil deixa de arrecadar anualmente 4,5 bilhões
de reais em impostos.
Governo
Cada um por si
No meio das turbulências da semana passada, FHC
renovou a um interlocutor uma queixa antiga: quando o céu
está azul, cada ministro fatura individualmente as
realizações de sua pasta, mas quando a maré
está braba todos se fecham em copas e ninguém
defende o governo.
Reação descoordenada
Os aliados mais sinceros de FHC estão impressionados
com a incapacidade do governo de se defender com competência
dos terremotos políticos.
Ventos ruins
Como se o governo precisasse de outras más notícias
para anunciar, vem aí mais uma. Na quinta-feira,
o IBGE divulga a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad). Os dados preliminares indicam dor de cabeça.
Como é relativa ao ano passado, a pesquisa pegou
a rebordosa da desvalorização cambial.
Ajuda dos céus
Tem gente graúda no governo certa de que nenhuma
das usinas termoelétricas prometidas pelo ministro
Rodolpho Tourinho entrará em funcionamento em 2001.
Para escapar do racionamento de energia, é bom que
São Pedro dê uma força.
Internet
Rede econômica
A economista Elena Landau lançará em breve
um site de análises econômicas, investimentos
pessoais e ensino de finanças a distância.
Entre os analistas do site, estrelas como Persio Arida e
Delfim Netto.
Internacional
Reestruturação à cubana
Aqui e ali, sempre com muita discrição,
Cuba vai experimentando o gostinho da lógica capitalista.
Preocupado com a baixíssima produtividade em sete
de suas fábricas de cigarros, o governo de Fidel
apelou para a reengenharia. Para isso, pediu uma mãozinha
à Souza Cruz, sua sócia em outra fábrica.
O diagnóstico do parceiro brasileiro foi: para melhorar,
só se fechar seis unidades, concentrar toda a operação
numa só fábrica e modernizar o modo de produção.
Os cubanos toparam, mas não levaram o choque capitalista
às últimas conseqüências, é
claro. Os trabalhadores excedentes serão reaproveitados
na estatal cubana de charutos.
Pobreza
Ainda falta
O economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, escarafunchou os
números do IBGE sobre o polêmico tema desigualdade
de renda. Caiu muito ou pouco desde que o Real foi implantado?
Na aurora do plano a sensação era de que a
queda havia sido considerável. Pura ilusão:
foi pequena. Hoje, percebe-se que o ganho mesmo foi da estabilidade
da renda o que é ótimo, mas não
o bastante.
Violência
Maioridade antecipada
Se dependesse do brasileiro, a questão dos adolescentes
infratores teria um tratamento mais rigoroso. Tratamento
de gente grande, e não de menor. Pelo menos é
isso que se deduz do resultado de uma pesquisa nacional
de opinião feita pela MCI. Nada menos do que 85%
responderam "sim" à pergunta: "Você é
favorável a que se diminua de 18 anos para 16 a idade
para a responsabilidade criminal do infrator?"
Educação
Enfim, uma boa notícia no campo
Para quem não agüenta mais ouvir falar de
desgraças no campo, aí vai um refresco: o
desempenho dos alunos da zona rural tem melhorado mais do
que a média nacional. Lá, o crescimento do
índice de aprovação no ensino fundamental
foi de 23%, entre 1997 e o ano passado. No Brasil como um
todo, esse aumento foi de 11%.
Cinema
Esse filme todos já viram
O candidato a cineasta Guilherme Fontes arranjou uma nova
encrenca. Ele está sofrendo uma ação
de despejo do Pólo Cinematográfico do Rio
de Janeiro, onde alugara um estúdio para rodar seu
interminável Chatô. O motivo? Nada de
mais, em se tratando de Guilherme Fontes: desde o ano passado,
ele não pagava o aluguel. Como se não bastasse,
sublocava o estúdio para outras produções.
O pintor de parede
Lindauro Gomes/AE
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Cacciola: 37
dias sem pintar o sete
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O sem-banco Salvatore Cacciola na época da
desvalorização cambial andou pintando
o sete nos bastidores do mercado financeiro. Nos 37
dias em que ficou enjaulado no Rio de Janeiro teve
de se contentar com uma rotina bem menos emocionante.
Passava os dias de chinelão e bermuda. Mas
pintar, mesmo, só sua cela um cubículo
de 1,80 metro de largura por 2 metros de comprimento.
Foi ele quem fez o serviço. De próprio
punho. Dos velhos tempos, restou a mordomia de um
funcionário particular que lhe fazia pequenos
serviços externos e levava a comida caseira.
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