Edição 1 658 - 19/7/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
Meditações
Eduardo-jorgianas

– No Brasil, a gente não pode achar um caminho que vem logo os procuradores atrás...

 

Economia

País da ilegalidade

Veja como a ilegalidade nos negócios cresce desbragadamente no Brasil. O mercado negro de cigarros já representa 32% das vendas totais. As tubaínas são donas do mesmo porcentual no ramo de refrigerantes. E, na distribuição de combustíveis, a cada 3 litros vendidos 1 sai da bomba de empresas sonegadoras. Só com essa brincadeira, o Brasil deixa de arrecadar anualmente 4,5 bilhões de reais em impostos.

 

Governo

Cada um por si

No meio das turbulências da semana passada, FHC renovou a um interlocutor uma queixa antiga: quando o céu está azul, cada ministro fatura individualmente as realizações de sua pasta, mas quando a maré está braba todos se fecham em copas – e ninguém defende o governo.

Reação descoordenada

Os aliados mais sinceros de FHC estão impressionados com a incapacidade do governo de se defender com competência dos terremotos políticos.

Ventos ruins

Como se o governo precisasse de outras más notícias para anunciar, vem aí mais uma. Na quinta-feira, o IBGE divulga a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Os dados preliminares indicam dor de cabeça. Como é relativa ao ano passado, a pesquisa pegou a rebordosa da desvalorização cambial.

Ajuda dos céus

Tem gente graúda no governo certa de que nenhuma das usinas termoelétricas prometidas pelo ministro Rodolpho Tourinho entrará em funcionamento em 2001. Para escapar do racionamento de energia, é bom que São Pedro dê uma força.

 

Internet

Rede econômica

A economista Elena Landau lançará em breve um site de análises econômicas, investimentos pessoais e ensino de finanças a distância. Entre os analistas do site, estrelas como Persio Arida e Delfim Netto.

 

Internacional

Reestruturação à cubana

Aqui e ali, sempre com muita discrição, Cuba vai experimentando o gostinho da lógica capitalista. Preocupado com a baixíssima produtividade em sete de suas fábricas de cigarros, o governo de Fidel apelou para a reengenharia. Para isso, pediu uma mãozinha à Souza Cruz, sua sócia em outra fábrica. O diagnóstico do parceiro brasileiro foi: para melhorar, só se fechar seis unidades, concentrar toda a operação numa só fábrica e modernizar o modo de produção. Os cubanos toparam, mas não levaram o choque capitalista às últimas conseqüências, é claro. Os trabalhadores excedentes serão reaproveitados na estatal cubana de charutos.

 

Pobreza

Ainda falta

O economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, escarafunchou os números do IBGE sobre o polêmico tema desigualdade de renda. Caiu muito ou pouco desde que o Real foi implantado? Na aurora do plano a sensação era de que a queda havia sido considerável. Pura ilusão: foi pequena. Hoje, percebe-se que o ganho mesmo foi da estabilidade da renda – o que é ótimo, mas não o bastante.

 

Violência

Maioridade antecipada

Se dependesse do brasileiro, a questão dos adolescentes infratores teria um tratamento mais rigoroso. Tratamento de gente grande, e não de menor. Pelo menos é isso que se deduz do resultado de uma pesquisa nacional de opinião feita pela MCI. Nada menos do que 85% responderam "sim" à pergunta: "Você é favorável a que se diminua de 18 anos para 16 a idade para a responsabilidade criminal do infrator?"

 

Educação

Enfim, uma boa notícia no campo

Para quem não agüenta mais ouvir falar de desgraças no campo, aí vai um refresco: o desempenho dos alunos da zona rural tem melhorado mais do que a média nacional. Lá, o crescimento do índice de aprovação no ensino fundamental foi de 23%, entre 1997 e o ano passado. No Brasil como um todo, esse aumento foi de 11%.

 

Cinema

Esse filme todos já viram

O candidato a cineasta Guilherme Fontes arranjou uma nova encrenca. Ele está sofrendo uma ação de despejo do Pólo Cinematográfico do Rio de Janeiro, onde alugara um estúdio para rodar seu interminável Chatô. O motivo? Nada de mais, em se tratando de Guilherme Fontes: desde o ano passado, ele não pagava o aluguel. Como se não bastasse, sublocava o estúdio para outras produções.



O pintor de parede

Lindauro Gomes/AE

Cacciola: 37 dias sem pintar o sete


O sem-banco Salvatore Cacciola na época da desvalorização cambial andou pintando o sete nos bastidores do mercado financeiro. Nos 37 dias em que ficou enjaulado no Rio de Janeiro teve de se contentar com uma rotina bem menos emocionante. Passava os dias de chinelão e bermuda. Mas pintar, mesmo, só sua cela – um cubículo de 1,80 metro de largura por 2 metros de comprimento. Foi ele quem fez o serviço. De próprio punho. Dos velhos tempos, restou a mordomia de um funcionário particular que lhe fazia pequenos serviços externos e levava a comida caseira.