Edição 1 658 - 19/7/2000

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AFP
Gault com o chef Bocuse (à esq.): morte


Morreram: o jornalista francês Henri Gault. Em parceria com Christian Millau, ele foi o autor de um dos mais respeitados guias gastronômicos do mundo, o Gault-Millau, lançado em 1972. Gault criou o termo nouvelle cuisine, escola gastronômica que prima pela pouca comida e pela beleza dos pratos. Dia 9, aos 70 anos, de causas desconhecidas, em Paris.

.o ator americano Justin Pierce, 24 anos. Conhecido pela participação no filme Kids, de 1995, ele cometeu suicídio por enforcamento num quarto de hotel de luxo. Dia 10, em Las Vegas.

.Lord Robert Runcie, arcebispo de Canterbury entre 1980 e 1991. Foi ele quem em 1981 celebrou o casamento de Lady Di com o príncipe Charles. Tido como um reformista dentro da Igreja Anglicana, manifestou-se a favor da ordenação de mulheres e do casamento de divorciados. Dia 12, aos 78 anos, de câncer, em Hertfordshire, Inglaterra.

Acidentou-se: o ator irlandês Liam Neeson, 48 anos. Ele atropelou um veado enquanto passeava de motocicleta. Fraturou a bacia e sofreu escoriações. Até sexta-feira, recuperava-se bem. Dia 11, em Dutchess, Estados Unidos.

 
AP
Stevens: expulso de Israel

Proibido: de entrar em Israel o cantor inglês Cat Stevens, 53 anos. Convertido ao islamismo (seu nome agora é Yusuf Islam), ele milita em favor da organização palestina radical Hamas. Depois de ficar detido no aeroporto por várias horas, o cantor foi despachado para a Alemanha. Dia 13, em Jerusalém.

Processado: o cantor Michael Jackson, 41 anos. David Orgell, dono de uma joalheria em Beverly Hills, acusa Jackson de não ter pago por um relógio com diamantes, avaliado em 1,5 milhão de dólares. Segundo o comerciante, o cantor teria pego a jóia emprestada para se decidir sobre a compra. Quatro meses depois teria devolvido o relógio arranhado. Dia 11, em Los Angeles.

Internado: vítima de insuficiência respiratória, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, 103 anos. Dia 14, no Rio de Janeiro.

Firmado: o acordo pré-nupcial da atriz galesa Catherine Zeta-Jones, 30 anos, e do ator americano Michael Douglas, 55 anos. Eles se casam em 25 de setembro. Grávida de oito meses, Catherine receberá, em caso de divórcio, 3,2 milhões de dólares para cada ano de matrimônio. Dia 11, em Los Angeles.

Decretadas: a prisão preventiva do empresário do Rio de Janeiro Jair Coelho, o "rei da quentinha". Ele é acusado de usar documentos falsos em contratos de licitação com o Estado. Sua empresa, a Brasal, fornece refeições a preços superfaturados para o sistema penitenciário fluminense. Até o final da semana, Coelho não havia sido encontrado. Dia 13, no Rio.

.a prisão preventiva do ex-presidente do Equador Jamil Mahuad. Acusado de desrespeito à Constituição ao congelar as contas bancárias em 1999, ele foi destituído do cargo em janeiro passado. Hoje, está refugiado nos Estados Unidos. Dia 13, em Quito.

Determinada: pela Justiça, a abertura de processo criminal contra o bispo Edir Macedo, 55 anos, da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele é suspeito de desvio e uso de documentos falsos na importação de equipamentos para a Rádio Record. Dia 13, em Brasília.

Absolvido: pela Câmara dos Vereadores o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, 53 anos. Era alvo de onze denúncias de irregularidades administrativas feitas pela Ordem dos Advogados do Brasil, que sustentaram um pedido de impeachment. Dia 12, em São Paulo.

Divulgada: a internação da vice-presidente da Embratur, Márcia Kubitschek, 56 anos. A filha do ex-presidente Juscelino Kubitschek está no Hospital Sírio Libanês, com cirrose hepática, desde 23 de junho. Dia 14, em São Paulo.

Condenados: as fabricantes americanas de cigarro a pagar mais de 140 bilhões de dólares de indenização a 300.000 fumantes da Flórida por danos à saúde causados pelo tabaco. O valor é o mais alto já determinado por um júri americano. Dia 14, em Miami.

à prisão perpétua o goiano Wedson Morais, 36 anos, pelo assassinato dos avós de sua ex-mulher. O brasileiro corria o risco de ser condenado à morte (veja reportagem). Dia 14, em Modesto, Estados Unidos.

Libertado: o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, 56 anos. O presidente interino do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, expediu o alvará de soltura mediante um pedido de habeas-corpus para que ele aguardasse o julgamento em liberdade. Dia 14, no Rio de Janeiro.



Desafio em Roma


AP
AFP
Papa condena o homossexualismo: "Ofensa aos cristãos" Em Roma: parada gay


O desafio foi tremendo. Em pleno Jubileu de 2000, ano santo e época de peregrinação de católicos, cerca de 70 000 pessoas participaram de uma parada gay pelas ruas de Roma, no sábado 8. No dia seguinte, o papa João Paulo II fez um de seus pronunciamentos mais contundentes contra o homossexualismo. Falando aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, ele qualificou a manifestação de "uma ofensa aos valores cristãos numa cidade que é tão cara ao coração dos católicos de todo o mundo". Desde fevereiro, o Vaticano vinha pedindo ao governo italiano o adiamento da Marcha do Orgulho Gay. A posição intransigente da Igreja Católica em relação ao homossexualismo é encarada como uma espécie de rixa pessoal pelos militantes gays de Roma – e um dos objetivos do desfile foi realmente demonstrar desacordo com a opinião da Santa Sé. "A verdadeira ofensa são a homofobia e o preconceito alimentados pela hierarquia do Vaticano", retrucou Franco Grillini, um dos organizadores da marcha.

Barrado no aeroporto

Lili Martins
O meia Edu: de volta ao Brasil


A festa do meia Eduardo César Daud Gaspar, o Edu do Corinthians, durou pouco. Vendido ao time inglês Arsenal por 9 milhões de dólares, o jogador deveria apresentar-se ao novo clube nesta semana. Será praticamente impossível. Na terça-feira da semana passada, ao desembarcar em Londres, ele foi barrado no Aeroporto de Heathrow e deportado para o Brasil no primeiro vôo. Isso porque os funcionários da alfândega suspeitaram da autenticidade do passaporte português apresentado por Edu. Tratava-se de uma estratégia para contornar a legislação inglesa, que impõe certas barreiras à contratação de jogadores de fora da União Européia. Para obter o visto de trabalho, Edu precisaria ter disputado 75% dos jogos da seleção brasileira nos últimos dois anos – e ele nunca foi convocado. O passaporte, diz o jogador, foi obtido em Lisboa por seu empresário, Juan Figer. A embaixada portuguesa em Brasília diz que o procedimento correto é outro: como neto de portugueses, ele tem direito à cidadania lusitana, mas o pedido precisaria ter sido feito no consulado em São Paulo e demoraria de dois a quatro anos para ser concedido. Ninguém sabe direito como fica. O jogador não está proibido de entrar na Inglaterra, mas a imprensa local diz que seu nome agora consta da lista negra do serviço de imigração, o que certamente vai causar-lhe problemas no aeroporto. "Espero voltar à Inglaterra o mais breve possível", diz Edu. Além de embolsar 1,35 milhão de dólares com a venda de seu passe, ele havia negociado com o clube inglês um salário mensal de 100 000 dólares.