Edição 1 658 - 19/7/2000

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"Vejo que ainda existe muita gente presa à mediocridade consumista. Ah, se o dinheiro comprasse maturidade..."
Leonardo Hyppolito
leohyppolito@hotmail.com

 

Ricos

Excelente a matéria de capa de VEJA da semana passada ("Uma visita ao mundo dos brasileiros ricos", 12 de julho). Mas senti uma ausência na relação dos que ganham mais de 500.000 reais (declarados) por ano. Os artistas. Não dá para imaginar que essas duplas "sertanojas", esses horrorosos pagodeiros, todos cheios de discos de ouro e platina, ganhem menos de 500.000 reais por ano.
Edmilson Siqueira
Campinas, SP

Confesso que o primeiro impulso é ter uma inveja avassaladora de tamanha gastança. Mas num segundo momento fica difícil acreditar que existam pessoas tão desprovidas de ideais e bom senso.
Maricel Lara Nogueira
Curitiba, PR

Os "ilustres" entrevistados mostraram com sua extravagância sem par quão distantes estão da triste realidade brasileira. Todo esse dinheiro não foi capaz de lhes dar um mínimo de bom senso.
Betânia Abreu
Anápolis, GO

Comovente a chateação da socialite paulista Emily Cochrane por ter sido mal atendida pelas dasluzetes. Sem nenhum despeito, o que está faltando é um bom tanque de roupas para lavar.
Luiz Carlos Ralco de Oliveira

São Paulo, SP

Aqui em Curitiba, tem shopping center em que é melhor você nem aparecer. Por mais que você tenha dinheiro, acabam tratando-o como um ser de outro planeta, um asco. Essas idiotas não perceberam ainda que quem vem de berço não fica ostentando? Uma vez, numa dessas lojas, já quando entrei ficaram me olhando de cima a baixo. Perguntei quanto custava tal coisa, não responderam; pedi pela gerente, era outra insuportável. Disse que gostaria de ver uma série de coisas, ou seja, fiz que ela descesse as prateleiras inteiras e não levei um figo podre. E ainda acrescentei: isso é para você aprender a não ser tão nojenta, eu não tenho culpa se você nasceu do outro lado do balcão. Virei as costas e fui embora.
Viviane Osik

Curitiba, PR

 

Luiz Francisco de Souza

Fico feliz em saber que neste país ainda existem pessoas do calibre do procurador Luiz Francisco de Souza. Se FHC e os congressistas tivessem boa vontade, lutariam pela mudança da Constituição, para que o próximo procurador-geral saia de uma lista tríplice, dando mais autonomia ao Ministério Público para agir nos crimes do colarinho-branco (Amarelas, 12 de julho).
Kelson Guarínes dos Anjos
Nova Natal, RN

Ao ler a entrevista, concluí que o procurador se julga acima de tudo e de todos. Critica seu superior hierárquico e coloca-se acima do Poder Judiciário. Será o único certo?
Milton Rodbard
Curitiba, PR

 

Ensaio

Observações inteligentes, as do senhor Roberto Pompeu de Toledo. Será que os partidos perderiam seu "odor" se alterassem o nome? Ou talvez tivessem de mudar suas siglas para estabelecer coerência entre a prática e o distante discurso? O PFL poderia modificar ligeiramente sua sigla para Partido da Concentração de Renda. O PMDB está mais para Partido da DESmobilização..., e o PSDB deveria radicalizar e mudar para PACW – o Partido do Apoio ao Consenso de Washington (Ensaio, 12 de julho).
Luiz Eduardo Belletti
Curitiba, PR

Como Roberto Pompeu de Toledo diz, nomes de partidos não dizem nada. Existe, sim, uma ampla sopa de letrinhas no Congresso, como também nas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, que serve apenas para nos deixar engasgados de indignação com tanta corrupção e indiferença.
José Eustáquio Lobo
tacolobo@ig.com.br

 

Ricos 2

Fiquei indignado com o comportamento dos ricos. Será que se faz necessária a distribuição de lentes de aumento para tais pessoas enxergarem a atual situação brasileira? Como podem ser tão egoístas ("Uma visita ao mundo dos brasileiros ricos", 12 de julho)?
Marcos Ferraz
Washington, DC, EUA

O Brasil está cada dia mais violento, sem o mínimo de segurança. Para piorar, há muitos analfabetos e pessoas que não têm onde morar nem o que comer. Rezo todos os dias para não ver coisa pior. Mas, depois de saber que existem pessoas que possuem apartamentos apenas para guardar roupas de grife, confesso: que venha a guerra, estou preparada para tudo!
Sandra Aparecida Coelho
Caieiras, SP

É revoltante ver que, num país onde pessoas ainda morrem de fome, existem outras que gastam 20.000 reais em uma única bolsa. Ricas no bolso, mas pobres de espírito!
Nathalia Fernandes
Joinville, SC

 

Televisão

Obrigado a VEJA por chegar aos domingos em nossas casas e nos salvar da passividade que é ter de ficar em frente da televisão assistindo de camarote à regressão cultural brasileira ("Campeões do lixo",12 de julho).
Eky Carvalho Barradas
Teresina, PI

Concordo em gênero, número e grau com a reportagem que mostra o lixo "humorístico" que as emissoras de TV estão produzindo. A queda de audiência é o melhor remédio que o público pode aplicar contra isso. Felizmente, temos outras opções na TV a cabo, que nos oferece entretenimento sadio e cultura.
Henrique Jorge da Silva
Balneário Camboriú, SC

João Kléber e Tom Cavalcante precisam ser avisados de que existe uma distância muito grande entre imitador e humorista de verdade.
José Antoni
etc@u-net.com.br

Por que, ultimamente, está tão difícil os programas de humor fazerem rir? A reprise de Os Trapalhões é, de longe, o melhor do gênero na TV. E ninguém consegue reproduzir o humor inteligente do seriado americano Friends.
Luis Gonzaga Gomes
luggomes@uol.com.br
São João da Boa Vista, SP

Como leitora assídua de VEJA e funcionária da TV Câmara, gostaria de acrescentar dados à nota publicada (Holofote,12 de julho) sobre sua programação. Importante esclarecer que as palestras citadas por VEJA fazem parte da programação normal da TV Câmara, intensificadas nos meses de julho e dezembro, em virtude do recesso parlamentar. Como é do conhecimento da imprensa escrita e falada, as sessões são transmitidas, sempre que possível, na íntegra, sendo apenas realizadas em menor número em razão do referido recesso, mas a programação jamais deixa de cumprir com o objetivo precípuo para o qual a emissora foi criada.
Bianca Cobucci Rosière
Brasília, DF

 

Cultura

O artigo "É um espanto" (12 de julho), sobre as orientações do Ministério da Cultura em relação aos projetos O Guarani, de Norma Bengell, e Chatô, de Guilherme Fontes, merece retificação em dois pontos de informação factual. Primeiro, o processo referente a O Guarani não se encontra mais no Ministério da Cultura. Desde 17 de janeiro deste ano, foi, na forma da lei, enviado ao Tribunal de Contas da União, em face das irregularidades constatadas em sua prestação de contas. Segundo, o Ministério da Cultura está procedendo, em cumprimento a suas obrigações e dentro dos prazos legais, à análise da prestação de contas de Chatô, que cobre um período de quatro anos: 1996-1999. O ministério contratou, no dia 5 deste mês, os serviços de auditoria da Universidade de Brasília, que já designou um profissional para examinar a prestação de contas de Fontes, entre outros.
Sheila Sterf
Comunicação social do Ministério da Cultura
Brasília, DF

 

Claudio de Moura Castro

Como itabirano e descendente do Batistinha (José Baptista Martins da Costa Júnior), senti o maior orgulho ao vê-lo na mesma página em que estão Santos Dumont, outro ilustre mineiro, e os irmãos Wright (Ponto de vista, 12 de julho). Batistinha, magistralmente retratado no Almanaque do Batistinha, da psicanalista Maria Inês Lodi (neta do biografado), era de fato uma figura ímpar, que acreditava na bondade, era criativo e levava a sério a função, hoje reabilitada, do ócio. O engraçado é que, casado durante anos com uma mulher extremamente racional, quando ela desejava me ofender ou me deixar embaraçado me chamava de "descendente de Batistinha", o que, revelo agora, sempre me orgulhou. Valorizemos os Batistinhas. O Brasil precisa muito mais deles que dos corruptos que assolam nossa vida e atrasam o país.
Robinson Damasceno dos Reis
Itabira, MG

Ao fazer uma crítica sobre o pensamento brasileiro, o artigo abre perspectivas, pois nos convoca à memória e à história, para dar um passo a mais: fazer um esforço em direção aos atos efetivos que transformem o ambiente em que vivemos.
Maria Inês Lodi
milodi.bh@zaz.com.br

 

Guia

Tenho 23 anos e estou impressionado com a reportagem "Jovens e perigosos" (12 de julho). Já tinha consciência de que nós, os mais jovens, somos os responsáveis por muitos dos acidentes de trânsito, só não sabia que éramos tanto assim. Dos quatro fatores de risco citados por VEJA, rachas nunca fiz. Desde o novo Código, quando bebo, tomo no máximo dois copos de cerveja antes de dirigir. Logo que tirei a carteira, gostava de correr muito, mas, um ano depois, bati o carro numa noite chuvosa quando, por ironia, estava a menos de 70 quilômetros por hora. Meu pai disse que aquilo tinha sido um aviso para eu ter mais cuidado. Iniciativas como a do Hospital Sarah, em Brasília, deveriam ser seguidas em outras cidades. Isso evitaria que muitos jovens se tornassem estatística entre mortos e feridos no trânsito, ou até mesmo matassem outras pessoas.
Fernando Levi Buarque
Recife, PE

Para nós, jovens, é muito consolador saber que há empresas, como a Junior Achievement, que se dedicam a nossa formação profissional, ainda mais em um mercado de trabalho cada vez mais concorrido. Participei do programa Mini-Empresa e reconheço o amadurecimento profissional e pessoal que ela proporciona ("Lições para ganhar dinheiro", 12 de julho).
Samantha Gil Prates
samantha@hotnet.net
Porto Alegre, RS

 

Comportamento

É mesmo triste ver a que ponto estamos chegando no Brasil, onde as mulheres precisam sair de casa com a chamada "bolsa do ladrão" e os especialistas nos aconselham a sempre andar com bastante dinheiro para que os ladrões fiquem felizes e nada de pior nos aconteça. É mesmo triste, mas assim está o Brasil, assim é o mundo de hoje ("Mulheres em pânico", 12 de julho).
Matteo Sarubbi
teosarubbi@hotmail.com

 

Congresso

Excelente, imparcial, precisa e equilibrada a reportagem "Im(p)unidade" (12 de julho). Toda a evolução da teoria da tripartição dos poderes foi durante séculos descrita e examinada, de Locke, na Inglaterra, a Montesquieu, na França, gerando os sistemas inglês e francês. No entanto, por melhor que tenham sido as intenções dos constituintes brasileiros, seus modelos de Constituição não podem medrar no Terceiro Mundo, em especial quando se trata da terra do "jeitinho" e das falcatruas. Mais elucidativa que o ótimo texto da reportagem foi a ilustração. Basta olhar para as duas fotos (os parlamentos inglês e brasileiro) para constatar o gigantesco contraste em termos de seriedade e compostura.
Maria Thereza Rezende Teixeira
tetert@infolink.com.br

 

Athina Onassis

Fiquei comovida com o problema da neta de Aristóteles Onassis. Confesso que desde que li a reportagem não consigo dormir direito pensando numa maneira de ajudar a pobre moça a solucionar um problema desse tamanho. Afinal, livrar-se de 1,5 bilhão de dólares não é uma tarefa fácil. Mas estive pensando e, se ela quiser uma sugestão, posso passar o número da minha conta corrente e dividir o encargo com ela. Tenho certeza de que saberia muito bem como administrar esse problema verdinho ("Dinheiro demais", 12 de julho)!
Aureni de Almeida
Vitória da Conquista, BA

 

Eduardo Jorge

Importante neste imbróglio entre o ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge e o juiz Lau-Lau é a revelação do processo de tomada de decisão do Planalto. Parece que o guru é Chico Buarque e seu inesquecível refrão: "Chama o ladrão!" ("O homem dos conselhos milionários", 12 de julho).
Israel Jaques Wainer
ijwainerneco@ig.com.br
Brasília, DF

É uma vergonha que nosso presidente seja no mínimo conivente com toda essa bandalheira. Ele deve explicações à nação sobre mais esse escândalo.
Paulo Roberto de Faria
Taubaté, SP

Exigimos a apuração de toda a bandalheira que está colocando em dúvida a honestidade deste governo.
José Américo Machado
jose-machado@ uol.com.br

 

CORREÇÕES: Adolf Hitler era austríaco e não alemão, como informou a reportagem "Pena nazista" (12 de julho). Ariano Suassuna não é pernambucano, como foi publicado em Veja essa (12 de julho), mas paraibano.

 

 


A reportagem "Inferno no paraíso" (12 de julho), sobre a falta de infra-estrutura e as dificuldades enfrentadas por moradores e visitantes do arquipélago de Fernando de Noronha, foi confirmada por uma dezena de leitores. Paulo Manuel Moreira Souto, de João Pessoa, foi um deles: "Na época em que estive por lá, não havia padre, e o administrador só aparecia a cada quinze dias, já que morava no Recife – e tudo era muito caro! Não entendo por que chamam aquilo de paraíso". Lena Peres, de São Paulo, esteve por lá no início do ano passado e ajudou a socorrer vítimas de um acidente de carro. Ela fala da precariedade do hospital local, sem gaze, raios X nem médicos treinados para atender a traumas. Mergulhadora há dez anos, Lena alerta também para a ausência de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas, nos barcos de mergulho. Nem tudo, porém, é choro e ranger de dentes na ilha, uma das pérolas de nosso litoral. A reportagem "Jóias preservadas" (20 de janeiro de 1999) tratou Fernando de Noronha como "um dos lugares mais bonitos e bem preservados da costa brasileira" e "exemplo de como conciliar turismo com proteção da natureza". A preocupação com a preservação ambiental na ilha já havia sido registrada na reportagem "Gelo ecológico" (3 de setembro de 1997), que citou o plano de substituição dos 700 refrigeradores locais por "aparelhos que poluem menos", sem o gás clorofluorcarbono – CFC. Essa medida reduziria a queima de diesel na usina que fornece a energia local em 300.000 litros por ano. A coluna Hipertexto (10 de março de 1999) anunciou a chegada da internet, incrementando as comunicações do arquipélago com o restante do país e do mundo. Uma melhoria importante na qualidade de vida dos ilhéus. Foi pela rede mundial de computadores que a leitora Luzineide Azevedo de Morais, moradora da ilha, protestou contra a inclusão da história de sua separação do marido, com a divisão ao meio da casa em que moravam, no corpo da reportagem da semana passada. "Não fui ouvida", reclamou.