Um vício novo e preocupante
A erotização da internet é um fenômeno
mais real do que se pode imaginar à primeira vista.
As pesquisas internacionais mostram que um terço
dos acessos à rede é feito por pessoas que
buscam algum tipo de atividade sexual virtual. Incluem-se
aí visitas aos sites de conteúdo sexual explícito
e as intermináveis horas passadas nas chamadas salas
de bate-papo erótico. O fenômeno tem implicações
comportamentais e uma surpreendente implicação
econômica. No lado do comportamento, os especialistas
vêm diagnosticando com freqüência o vício
em sexo via internet, que arruína casamentos e afasta
as pessoas dos relacionamentos normais. No Brasil, os psicólogos
já recebem pacientes se queixando de passar catorze
horas por semana diante da tela em busca de aventuras eróticas
virtuais. Eles não conseguem abandonar o vício
sem ajuda especializada. Em troca do prazer virtual, muitas
pessoas perdem completamente o contato com a realidade e
necessitam de cuidados especiais para se livrar da doença
tal qual os viciados em drogas.
A faceta econômica do problema também contribui
para seu enorme interesse jornalístico, que motivou
a reportagem especial da revista
escrita pelo editor assistente Sérgio Ruiz Luz. Como
a rede se expande numa velocidade vertiginosa, o problema
tende a assumir uma dimensão cada vez maior. Trabalhos
acadêmicos constataram que a esmagadora maioria do
tráfego em busca de material pornográfico
ocorre no horário comercial. Os prejuízos
já são visíveis. Com base no número
de horas desperdiçadas pelos funcionários
durante o expediente, uma consultoria americana calculou
que as empresas dos Estados Unidos acumularam, só
no ano passado, um prejuízo de 1 bilhão de
dólares com a distração de seus funcionários.