Edição 1 658 - 19/7/2000

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Um vício novo e preocupante

A erotização da internet é um fenômeno mais real do que se pode imaginar à primeira vista. As pesquisas internacionais mostram que um terço dos acessos à rede é feito por pessoas que buscam algum tipo de atividade sexual virtual. Incluem-se aí visitas aos sites de conteúdo sexual explícito e as intermináveis horas passadas nas chamadas salas de bate-papo erótico. O fenômeno tem implicações comportamentais e uma surpreendente implicação econômica. No lado do comportamento, os especialistas vêm diagnosticando com freqüência o vício em sexo via internet, que arruína casamentos e afasta as pessoas dos relacionamentos normais. No Brasil, os psicólogos já recebem pacientes se queixando de passar catorze horas por semana diante da tela em busca de aventuras eróticas virtuais. Eles não conseguem abandonar o vício sem ajuda especializada. Em troca do prazer virtual, muitas pessoas perdem completamente o contato com a realidade e necessitam de cuidados especiais para se livrar da doença – tal qual os viciados em drogas.

A faceta econômica do problema também contribui para seu enorme interesse jornalístico, que motivou a reportagem especial da revista escrita pelo editor assistente Sérgio Ruiz Luz. Como a rede se expande numa velocidade vertiginosa, o problema tende a assumir uma dimensão cada vez maior. Trabalhos acadêmicos constataram que a esmagadora maioria do tráfego em busca de material pornográfico ocorre no horário comercial. Os prejuízos já são visíveis. Com base no número de horas desperdiçadas pelos funcionários durante o expediente, uma consultoria americana calculou que as empresas dos Estados Unidos acumularam, só no ano passado, um prejuízo de 1 bilhão de dólares com a distração de seus funcionários.