Terror chocho
Polanski tropeça no gênero
do
qual já foi um expoente
Isabela Boscov
Divulgação
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Johnny Depp: às voltas com
o demônio
em O Último Portal |
O que não falta a Roman Polanski é intimidade
com o trágico e o sinistro. Polonês de origem
judaica, ele se safou de ser morto pelos nazistas, mas perdeu
a mãe. Em 1969, sua mulher, a atriz Sharon Tate,
que estava grávida, foi assassinada pelo maníaco
Charles Manson. Poucos anos depois, Polanski foi proibido
de pisar nos Estados Unidos, acusado de fazer sexo com uma
menina de 13 anos. Sempre foi celebrado também como
o diretor de filmes tensos e aterradores, como O Bebê
de Rosemary e O Inquilino o último
verdadeiramente notável de sua carreira. É
alarmante constatar que faz 24 anos que ele foi lançado.
No território do horror, restou a Polanski tentar
imitar a si próprio, como demonstra O Último
Portal (The Ninth Gate, França/Espanha/Estados
Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira em circuito
nacional. Os ingredientes de praxe estão todos lá.
O ator Johnny Depp interpreta Dean Corso, um especialista
em livros raros. Um milionário o contrata para autenticar
um volume que, diz-se, é capaz de conjurar o capeta.
Pessoas estranhas surgem à volta de Dean, como a
figura vivida por Emmanuelle Seigner, mulher do diretor.
Outras tantas morrem. Tudo frio e mecânico, sem alma.
O diretor é um caso raro de artista que perdeu a
inspiração ao ganhar uma musa. Enquanto não
parar de fazer filmes para exibir as curvas da mulher, Polanski
não vai meter medo em ninguém.