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Edição 1 782 - 18 de dezembro de 2002
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DVD

A Princesa e o Guerreiro (Der Krieger und die Kaiserin, Alemanha, 2000. Columbia) – Com tanta bobagem que chega aos cinemas, fica difícil entender por que o filme que o diretor alemão Tom Tykwer fez em seguida a Corra Lola, Corra está sendo lançado diretamente em DVD e vídeo, e ainda por cima com dois anos de atraso. A estupenda Franka Potente, estrela de Lola, interpreta aqui Sissi, enfermeira na ala psiquiátrica de um hospital da cidade de Wuppertal. O caminho de Sissi cruza o do igualmente solitário Bodo (Benno Fürmann) quando ela é atropelada: Bodo, que acaba de cometer um assalto, interrompe sua fuga e faz uma traqueostomia em Sissi para que ela volte a respirar. Algum tempo depois, recuperada, ela quer se aproximar do autor do milagre que a salvou. Não que encontre alguma reciprocidade. Mas, quanto mais Bodo rechaça Sissi, mais ela insiste – e mais sua vida e a do rapaz se entrelaçam. O resultado não é tão inovador quanto Lola, mas traz a mesma combinação que parece ser a marca registrada de Tykwer: uma história absolutamente romântica (a começar pelo título) contada com um sotaque muito moderno.

 

LIVROS

Passo de Caranguejo, de Günter Grass (tradução de Flávio Quintiliano; Nova Fronteira; 205 páginas; 28 reais) – Prêmio Nobel de Literatura de 1999, o alemão Grass causou comoção em seu país com este livro, cujo tema é o naufrágio do cruzeiro Gustloff, atingido por um torpedo russo no final da II Guerra. A maioria dos 9.000 passageiros era de mulheres e crianças. Eles fugiam do Exército soviético, que avançava com sanha destrutiva sobre a Alemanha derrotada. Estima-se que o número de mortos tenha sido seis vezes maior que no desastre do Titanic. A catástrofe raramente é mencionada porque os alemães, ainda empenhados em expurgar o passado nazista, relutam em falar de um incidente em que seriam vítimas. Grass rompeu esse tabu. Célebre opositor do totalitarismo, o autor, contudo, não minimiza as atrocidades cometidas por seus compatriotas sob o regime de Hitler. O narrador do romance é um jornalista cético, sobrevivente do Gustloff, que sabe evitar as armadilhas do revisionismo histórico ao mesmo tempo em que relata o episódio trágico. Leia trechos do livro.

O Dia de um Escrutinador, de Italo Calvino (tradução de Roberta Barni; Companhia das Letras; 88 páginas; 21 reais) – Para escrever esse conto, nos anos 60, o italiano Calvino (1923-1985) buscou inspiração em sua vivência política. Seu protagonista, Amerigo Ormea, é um intelectual do Partido Comunista – do qual o próprio Calvino fora militante e então já havia se desligado – convocado para atuar como escrutinador de votos numa eleição. A seção onde ele dará expediente é um hospital para deficientes de Turim, que tem fama de ser curral de votos da direita. Isso não é à toa, já que os religiosos conservadores da instituição votam pelos doentes que não têm condições. Calvino, que testemunhou tudo isso pessoalmente, pois atuou como escrutinador no local, parte do absurdo da situação para refletir sobre religião, política e filosofia.

No Exército do Faraó, de Tobias Wolff (tradução de Rubens Figueiredo; Rocco; 204 páginas; 25 reais) – Depois de narrar sua infância problemática em O Despertar de um Homem, o americano Wolff oferece ao leitor um segundo volume de memórias. Desta vez, ele fala da Guerra do Vietnã, na qual serviu como oficial-tradutor. Não há bazófia militar nem patriotadas neste livro. Wolff foi um soldado inepto, que passou a maior parte de seu tempo na retaguarda. A narrativa se ocupa do dia-a-dia num batalhão. Com sua prosa imaculada e mordaz, o autor desfia anedotas como a da troca de um rifle chinês por uma televisão em cores, na qual ele e um amigo soldado assistem a episódios do seriado Bonanza. Um livro na melhor tradição das denúncias sobre o absurdo da guerra.

 

DISCOS

But One Day..., Ute Lemper (Universal) – Dois anos após o lançamento de Punishing Kiss, um álbum em que flertou com a música de compositores contemporâneos, como Elvis Costello e Nick Cave, a cantora alemã Ute Lemper retoma o estilo que a consagrou e investe num repertório que põe em evidência seu talento dramático. Lançado a princípio no Japão, But One Day... apresenta releituras de canções famosas de autores como Kurt Weill (cujo repertório foi destrinchado por Lemper em diversos CDs), Astor Piazzolla e Jacques Brel. Há maravilhas, como o clima bossa nova de Speak Low, a interpretação emocionada de September Song (ambas criadas por Weill), o tango Buenos Aires, de Piazzolla, e Ne Me Quitte Pas, o clássico consagrado na voz da francesa Edith Piaf.

Samba Jazz!!, Meirelles e os Copa 5 (Dubas Música) – É o primeiro CD de canções inéditas do saxofonista J.T. Meirelles em 28 anos. Criador do samba jazz, uma vertente mais sacolejante da bossa nova, Meirelles vivia afastado do mundo artístico até ser resgatado por Ed Motta – que há três anos o recrutou para participar de um tributo ao compositor João Donato. Ele é o único integrante da formação original dos Copa 5 a participar de Samba Jazz!!. O grupo, no entanto, é repleto de músicos experientes, como o baterista Robertinho Silva. Meirelles não perdeu o fraseado elegante dos anos de samba jazz e conserva a mesma criatividade. O CD passeia por canções calcadas no som dos anos 60 (Beco do Gusmão, Pinta Lá) e traz influências da música africana (Senzala e Mandinga).

 

TELEVISÃO

A Jornada...: a aventura da espécie

A Jornada do Homem (domingo, dia 15, às 22h, e quarta, às 20h, no National Geographic) – No ano passado, uma equipe de cientistas de vários países recolheu amostras de sangue de pessoas nos quatro cantos do planeta. Objetivo: com base em seus traços genéticos, reconstituir o modo como os ancestrais do homem se espalharam pela Terra. A partir desses estudos, eles chegaram a uma teoria fascinante: a de que toda a humanidade atual descenderia de um único grupo familiar, que teria deixado a África há mais de 60.000 anos, durante a Era do Gelo. Apresentado pelo geneticista americano Spencer Wells, um dos responsáveis pela pesquisa, o especial com duas horas de duração busca refazer os passos de nossos antepassados e mostrar como se deu o povoamento do planeta.

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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