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DVD
A
Princesa e o Guerreiro (Der Krieger und die Kaiserin, Alemanha,
2000. Columbia) Com tanta bobagem que chega aos cinemas, fica difícil
entender por que o filme que o diretor alemão Tom Tykwer fez em
seguida a Corra Lola, Corra está sendo lançado diretamente
em DVD e vídeo, e ainda por cima com dois anos de atraso. A estupenda
Franka Potente, estrela de Lola, interpreta aqui Sissi, enfermeira
na ala psiquiátrica de um hospital da cidade de Wuppertal. O caminho
de Sissi cruza o do igualmente solitário Bodo (Benno Fürmann)
quando ela é atropelada: Bodo, que acaba de cometer um assalto,
interrompe sua fuga e faz uma traqueostomia em Sissi para que ela volte
a respirar. Algum tempo depois, recuperada, ela quer se aproximar do autor
do milagre que a salvou. Não que encontre alguma reciprocidade.
Mas, quanto mais Bodo rechaça Sissi, mais ela insiste e
mais sua vida e a do rapaz se entrelaçam. O resultado não
é tão inovador quanto Lola, mas traz a mesma combinação
que parece ser a marca registrada de Tykwer: uma história absolutamente
romântica (a começar pelo título) contada com um sotaque
muito moderno.
LIVROS
Passo
de Caranguejo, de Günter Grass (tradução de
Flávio Quintiliano; Nova Fronteira; 205 páginas; 28 reais)
Prêmio Nobel de Literatura de 1999, o alemão Grass
causou comoção em seu país com este livro, cujo tema
é o naufrágio do cruzeiro Gustloff, atingido por
um torpedo russo no final da II Guerra. A maioria dos 9.000 passageiros
era de mulheres e crianças. Eles fugiam do Exército soviético,
que avançava com sanha destrutiva sobre a Alemanha derrotada. Estima-se
que o número de mortos tenha sido seis vezes maior que no desastre
do Titanic. A catástrofe raramente é mencionada porque
os alemães, ainda empenhados em expurgar o passado nazista, relutam
em falar de um incidente em que seriam vítimas. Grass rompeu esse
tabu. Célebre opositor do totalitarismo, o autor, contudo, não
minimiza as atrocidades cometidas por seus compatriotas sob o regime de
Hitler. O narrador do romance é um jornalista cético, sobrevivente
do Gustloff, que sabe evitar as armadilhas do revisionismo histórico
ao mesmo tempo em que relata o episódio trágico. Leia
trechos do livro.
O
Dia de um Escrutinador, de Italo Calvino (tradução
de Roberta Barni; Companhia das Letras; 88 páginas; 21 reais)
Para escrever esse conto, nos anos 60, o italiano Calvino (1923-1985)
buscou inspiração em sua vivência política.
Seu protagonista, Amerigo Ormea, é um intelectual do Partido Comunista
do qual o próprio Calvino fora militante e então
já havia se desligado convocado para atuar como escrutinador
de votos numa eleição. A seção onde ele dará
expediente é um hospital para deficientes de Turim, que tem fama
de ser curral de votos da direita. Isso não é à toa,
já que os religiosos conservadores da instituição
votam pelos doentes que não têm condições.
Calvino, que testemunhou tudo isso pessoalmente, pois atuou como escrutinador
no local, parte do absurdo da situação para refletir sobre
religião, política e filosofia.
No
Exército do Faraó, de Tobias Wolff (tradução
de Rubens Figueiredo; Rocco; 204 páginas; 25 reais) Depois
de narrar sua infância problemática em O Despertar de
um Homem, o americano Wolff oferece ao leitor um segundo volume de
memórias. Desta vez, ele fala da Guerra do Vietnã, na qual
serviu como oficial-tradutor. Não há bazófia militar
nem patriotadas neste livro. Wolff foi um soldado inepto, que passou a
maior parte de seu tempo na retaguarda. A narrativa se ocupa do dia-a-dia
num batalhão. Com sua prosa imaculada e mordaz, o autor desfia
anedotas como a da troca de um rifle chinês por uma televisão
em cores, na qual ele e um amigo soldado assistem a episódios do
seriado Bonanza. Um livro na melhor tradição das
denúncias sobre o absurdo da guerra.
DISCOS
But
One Day..., Ute Lemper (Universal) Dois anos após
o lançamento de Punishing Kiss, um álbum em que flertou
com a música de compositores contemporâneos, como Elvis Costello
e Nick Cave, a cantora alemã Ute Lemper retoma o estilo que a consagrou
e investe num repertório que põe em evidência seu
talento dramático. Lançado a princípio no Japão,
But One Day... apresenta releituras de canções famosas
de autores como Kurt Weill (cujo repertório foi destrinchado por
Lemper em diversos CDs), Astor Piazzolla e Jacques Brel. Há maravilhas,
como o clima bossa nova de Speak Low, a interpretação
emocionada de September
Song (ambas criadas por Weill), o tango Buenos Aires,
de Piazzolla, e Ne Me Quitte Pas, o clássico consagrado
na voz da francesa Edith Piaf.
Samba
Jazz!!, Meirelles e os Copa 5 (Dubas Música) É
o primeiro CD de canções inéditas do saxofonista
J.T. Meirelles em 28 anos. Criador do samba jazz, uma vertente mais sacolejante
da bossa nova, Meirelles vivia afastado do mundo artístico até
ser resgatado por Ed Motta que há três anos o recrutou
para participar de um tributo ao compositor João Donato. Ele é
o único integrante da formação original dos Copa
5 a participar de Samba Jazz!!. O grupo, no entanto, é repleto
de músicos experientes, como o baterista Robertinho Silva. Meirelles
não perdeu o fraseado elegante dos anos de samba jazz e conserva
a mesma criatividade. O CD passeia por canções calcadas
no som dos anos 60 (Beco
do Gusmão, Pinta Lá) e traz influências
da música africana (Senzala e Mandinga).
TELEVISÃO
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| A
Jornada...: a aventura da espécie
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A
Jornada do Homem (domingo, dia 15, às 22h, e quarta, às
20h, no National Geographic) No ano passado, uma equipe de cientistas
de vários países recolheu amostras de sangue de pessoas
nos quatro cantos do planeta. Objetivo: com base em seus traços
genéticos, reconstituir o modo como os ancestrais do homem se espalharam
pela Terra. A partir desses estudos, eles chegaram a uma teoria fascinante:
a de que toda a humanidade atual descenderia de um único grupo
familiar, que teria deixado a África há mais de 60.000 anos,
durante a Era do Gelo. Apresentado pelo geneticista americano Spencer
Wells, um dos responsáveis pela pesquisa, o especial com duas horas
de duração busca refazer os passos de nossos antepassados
e mostrar como se deu o povoamento do planeta.
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