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O
novo rei do Congo
"Além
de maracatu, a festa da posse
contará com outros espetáculos
folclóricos. O PT gosta de folclore.
Mussolini também gostava. E Hitler.
E Stalin. Folclore é coisa
de regimes
nacionalistas
e
totalitários"
Um dos coordenadores do PT disse que "a festa da posse terá a cara
do governo Lula". Para saber o que irá acontecer nos próximos
quatro anos, portanto, é muito mais útil estudar a origem
do maracatu do que descobrir o nome do presidente do Banco Central. O
PT teima com esse negócio de maracatu. Em seu programa de cultura,
cita-o como exemplo daquilo que o novo governo saberá incentivar.
Um incentivo que já se manifestará na festa da posse, com
um espetáculo de maracatu na Esplanada dos Ministérios,
saudando a passagem, em carro aberto, do glorioso presidente Lula. Como
eu nunca tive a menor idéia do que fosse maracatu, achei melhor
me informar.
Aparentemente, trata-se de uma dança pernambucana. Acompanhada
de batuque. Copiei a letra de um tradicional maracatu: "Nagô Nagô
/ Nossa Rainha já se coroou / Nagô Nagô / A boneca
é de seda / Seda e madeira". Ignoro o que seja essa boneca de seda
e madeira. Quanto à rainha, representa a rainha do Congo. De fato,
o maracatu é uma homenagem dos ex-escravos aos reis do Congo. Durante
a festa, um caboclo se veste de rei, uma cabocla se veste de rainha, outros
caboclos se vestem de legionários romanos (?), e todos eles saem
pulando alegremente pelas ruas de Olinda. Deve ser muito bonito. Do ponto
de vista histórico, porém, é o contrário do
que o PT postula. O PT sempre falou em reforçar a cultura nacional,
resistindo bravamente ao colonialismo americano. Os reis do Congo, que
dominavam parte dos atuais Congo e Angola, comportaram-se de maneira oposta:
no fim do século XV, assim que entraram em contato com os colonizadores
portugueses, decidiram macaquear a cultura alienígena, convertendo-se
imediatamente ao catolicismo e adotando nomes exóticos, como Afonso
I. A partir daquele momento, dedicaram-se a um lucrativo comércio
de escravos, capturando-os nas tribos vizinhas e vendendo-os aos brancos
em troca de bens de luxo.
Além de maracatu, a festa da posse contará com outros espetáculos
folclóricos. O PT gosta de folclore. Mussolini também gostava.
E Hitler. E Stalin. Folclore é coisa de regimes nacionalistas e
totalitários. Até hoje funciona assim. O líder carismático
da extrema direita austríaca, Joerg Haider, sempre aparece nas
festas populares de seu país tomando cerveja com trajes típicos.
De certa forma, é o que fará Lula, transformando a festa
da posse num grande desfile de maracatu. No maracatu, ex-escravos se fantasiam
de rei e rainha do Congo. Em Brasília, o ex-operário Lula
calçará seus sapatos J. Jacometti, fabricados em Franca
especialmente para ele, com couro de cabra por fora e couro de carneiro
por dentro, e desfilará pela Esplanada dos Ministérios num
imperial Rolls-Royce conversível, aplaudido por centenas de milhares
de pessoas, muitas das quais interessadas num dos 18.500 cargos de confiança
do governo federal. Personalidades políticas do mundo inteiro prometem
participar do evento, transmitido ao vivo por um pool de emissoras de
TV. Com a apoteose de um show de música caipira. O governo do PT
terá a cara de um desfile de maracatu. Eu já estou fantasiado
de legionário romano. Pronto para saudar Lula, o novo rei do Congo.
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