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Edição 1 782 - 18 de dezembro de 2002
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Transição e grandeza

Alisson Melo/1° Plano
Crianças pobres atendidas pelo programa Saúde da Família em São Paulo

Em um momento de franqueza, Felipe González, ex-primeiro-ministro socialista da Espanha, disse que o processo de pacificar, redemocratizar e modernizar seu país "teve suas raízes plantadas ainda no regime de Franco". Foi uma concessão feita por um político de esquerda a um ogro da direita, Francisco Franco, que de 1939 até sua morte, em 1975, manteve a Espanha submetida a uma ditadura. Felipe González se referia ao período final da vida de Franco, em que o ditador, ao não permitir o surgimento de um sucessor e ao deixar em vigor os instrumentos legais de desmonte do regime, levou-o para o túmulo junto com ele. Entre 1983 e 1996, González afastou seu PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) do marxismo e executou políticas econômicas de mercado que tiraram a Espanha do marasmo e a levaram a ser atualmente um dos países mais ricos da Europa.

É muito difícil explicar o próprio sucesso, como fez o descobridor da lei da gravidade, o inglês Isaac Newton (1642-1727), que atribuía seus feitos visionários ao fato de enxergar o mundo "do ponto de vista privilegiado dos gigantes" que o precederam. A presente edição de VEJA traz três reportagens que ajudam a entender esses momentos especiais da vida das nações, quando se processa a transição de um grupo político para outro. A primeira trata da transformação do núcleo governante do PT, que submeteu seus impulsos ideológicos a um choque de realismo político. A segunda enfoca a saga de González na Espanha e mostra que os ingredientes para repetir a receita de sucesso estão todos disponíveis no Brasil de hoje. A terceira descreve a herança social deixada por Fernando Henrique Cardoso. Pelas realizações sociais de seu governo, FHC recebeu, na semana passada, um prêmio da Organização das Nações Unidas. Lula demonstrará sabedoria se souber começar sua política social do patamar deixado por seu antecessor.

 
 
   
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