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Transição
e grandeza
Alisson Melo/1° Plano
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| Crianças
pobres atendidas pelo programa Saúde da Família em São Paulo |
Em um momento de franqueza, Felipe González, ex-primeiro-ministro
socialista da Espanha, disse que o processo de pacificar, redemocratizar
e modernizar seu país "teve suas raízes plantadas ainda no
regime de Franco". Foi uma concessão feita por um político
de esquerda a um ogro da direita, Francisco Franco, que de 1939 até
sua morte, em 1975, manteve a Espanha submetida a uma ditadura. Felipe González
se referia ao período final da vida de Franco, em que o ditador,
ao não permitir o surgimento de um sucessor e ao deixar em vigor
os instrumentos legais de desmonte do regime, levou-o para o túmulo
junto com ele. Entre 1983 e 1996, González afastou seu PSOE (Partido
Socialista Operário Espanhol) do marxismo e executou políticas
econômicas de mercado que tiraram a Espanha do marasmo e a levaram
a ser atualmente um dos países mais ricos da Europa.
É
muito difícil explicar o próprio sucesso, como fez o descobridor
da lei da gravidade, o inglês Isaac Newton (1642-1727), que atribuía
seus feitos visionários ao fato de enxergar o mundo "do ponto de
vista privilegiado dos gigantes" que o precederam. A presente edição
de VEJA traz três reportagens que ajudam a entender esses momentos
especiais da vida das nações, quando se processa a transição
de um grupo político para outro. A
primeira
trata da transformação do núcleo governante do PT,
que submeteu seus impulsos ideológicos a um choque de realismo
político. A
segunda
enfoca a saga de González na Espanha e mostra que os ingredientes
para repetir a receita de sucesso estão todos disponíveis
no Brasil de hoje. A
terceira
descreve a herança social deixada por Fernando Henrique Cardoso.
Pelas realizações sociais de seu governo, FHC recebeu, na
semana passada, um prêmio da Organização das Nações
Unidas. Lula demonstrará sabedoria se souber começar sua
política social do patamar deixado por seu antecessor.
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