Turista
bem tratado
Bahia inaugura seu grande resort,
com luxo, conforto
e campo de golfe.
Só não tem água-de-coco natural
Marcelo
Camacho, de Sauípe
Fotos Selmy Yassuda
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| Vista
aérea do resort Costa do Sauípe |
Qualquer
turista interessado em praias fora dos grandes centros conhece o
conjunto: sol o ano todo, brisa fresca intermitente, água
do mar a uma temperatura deliciosa, dunas de areia branca, um belo
coqueiral e uma pousadinha muito simples, quando não
ruim de doer, à disposição de quem chega sonhando
com férias paradisíacas. Para quem gosta de praia,
sim, mas também quer conforto e mordomias do tipo proporcionado
pelos grandes hotéis de lazer, a mais recente novidade do
litoral nordestino é a salvação das férias.
Resultado de um investimento de 340 milhões de reais e dois
anos de obras em ritmo intenso, abre as portas nesta quarta-feira,
no norte da Bahia, o enorme resort Costa do Sauípe, o maior
complexo turístico já erguido no Brasil. Enorme mesmo:
tem cinco hotéis de luxo, seis pousadas confortáveis
(dotadas de ar-condicionado com controle remoto e TV a cabo) e um
centro de diversões e esportes que inclui lojas, restaurantes,
quinze quadras de tênis e um campo de golfe de 66 hectares.
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Piscina e varanda de pousadas na Vila Nova da Praia: investimento
em infra-estrutura, esportes e entretenimento
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Chegar
a Sauípe exige certa paciência, já que, depois
do avião para Salvador, é preciso encarar um ônibus
ou van, cortesia do resort, para percorrer os 76 quilômetros
até os hotéis (quem pode vai de helicóptero).
Lá, tudo impressiona. Dos cinco hotéis, dois são
da francesa Sofitel, da operadora Accor; dois pertencem à
cadeia americana Marriott (um sob a chancela da grife Renaissance,
um segmento mais sofisticado) e um faz parte da rede SuperClubs,
que ganhou renome na Jamaica. Ao todo, são 1.466 apartamentos.
Somando os 168 quartos das seis pousadas, chega-se a um total de
1.634 acomodações quatro vezes a média
dos grandes hotéis e resorts do país. Por enquanto,
só as pousadas e o SuperClubs Breezes estão em funcionamento,
mas os demais hotéis abrirão as portas entre novembro
e dezembro. As instalações que compõem Costa
do Sauípe ocupam 1 quilômetro junto ao mar. Mais afastados
do litoral ficam as quadras de tênis e o campo de golfe, além
de um centro eqüestre, campo de futebol soçaite, quadras
poliesportivas, ciclovia e uma lagoa para a prática de windsurfe
e canoagem. Tudo feito sob medida para os turistas de resort, aqueles
que em geral viajam com os filhos, gostam de ter muita gente por
perto e curtem a miríade de atividades padronizadas.
Pernilongos
abolidos O centro nervoso de Costa do Sauípe é
a Vila Nova da Praia, "vilarejo" construído para abrigar
as pousadas, lojas e os restaurantes do resort. Dominam o lugar
uma praça com igrejinha (de mentirinha, é claro) e
uma mistura de estilos arquitetônicos nordestinos, desde o
colonial, com varandas de gradil, até casinhas coloridas.
A sensação é a de visitar uma cidade cenográfica
da Globo, aquela de novelas nordestinas tudo tinindo de novo,
mas fingindo estar ali há um tempão. Há lojas
de roupas, artesanato, banco e joalheria. Faltam farmácia,
sorveteria e caixa 24 horas, mas estão nos planos. Pernilongos
foram abolidos. O serviço ainda está longe do perfeito,
e o treinamento segue intensivo (veja quadro).
Quem fica nas pousadas, onde as tarifas para casal custam a partir
de 195 reais, está pertinho de tudo. Os hóspedes dos
hotéis, um pouco mais distantes, podem circular a pé
ou nos carrinhos elétricos colocados à disposição
deles e usufruir as amenidades da Vila Nova da Praia, onde, ao anoitecer,
rolam aulas de axé dance e apresentações de
grupos folclóricos.
Os hotéis, porém, têm vida independente. No
SuperClubs Breezes, com a diária promocional de lançamento
a 259 reais por pessoa, vigora o prático sistema "super-inclusive".
Ou seja, o preço é bem salgado, mas todas as refeições
e bebidas, alcoólicas ou não, estão incluídas
e é proibido dar gorjeta. Também fazem parte
do pacote o uso das quadras de tênis, as aulas de trapézio
(tem até isso) e, mais importante para pais estressados,
o serviço de babá. "Só ficam de fora telefonemas,
lavanderia e cabeleireiro", enumera Xavier Veciana, diretor de operações
do SuperClubs no Brasil. Ideal para famílias com crianças,
o Breezes oferece um clima descontraído, em uma ambientação
moderna.

Piscina
do SuperClubs Breezes: diária inclui esportes, todas
as
refeições e bebida importada
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Mais
luxuosos são os dois hotéis da rede Sofitel: o Suites,
onde todos os cômodos consistem num amplo quarto-e-sala que
se transforma em dois quartos (diárias por casal a partir
de 470 reais, com café da manhã e almoço ou
jantar), e o Conventions, que dispõe de mais de 1.000 metros
quadrados de área para grandes reuniões. Conservadores
na atmosfera e na decoração, com quartos austeros,
móveis de madeira escura e colchas comportadamente estampadas,
o Renaissance e o Marriott cobram diárias entre 284 e 370
reais, em apartamentos duplos, com café da manhã.
Seu público-alvo são os turistas americanos. "Até
por hábito. Eles se sentem mais seguros hospedados num hotel
de cadeia americana", diz Thomas Humpert, vice-presidente de marketing
e vendas do resort. Há amplos espaços entre os hotéis
e pousadas, para quem quer um pouco de sossego, longe das atividades
de praxe. Mais difícil é achar sombra e água
fresca. As mangueiras e outras árvores plantadas ainda não
cresceram e apenas o coqueiral à beira-mar protege do sol.
Apesar de tanto coqueiro à vista, água-de-coco, que
é bom, só de garrafinha.
Praia com conforto A expectativa é de que,
nos dois primeiros anos de operações, o resort receba
25% de turistas estrangeiros e de que o número suba para
50% daqui a quatro anos. Potencial para isso a região tem.
O Praia do Forte Eco-Resort, hotel de lazer pioneiro na região,
existe há dezoito anos e sua taxa de ocupação
por turistas estrangeiros, vindos principalmente de Portugal, Alemanha
e Argentina, é de 40%. Situado a 25 quilômetros de
Sauípe, o Praia do Forte 250 confortáveis apartamentos
de frente para o mar, piscinas, academia de ginástica e uma
paisagem de tirar o fôlego até agora reinou
absoluto como única opção mais sofisticada
no litoral norte da Bahia, uma região que, pela própria
geografia, exige investimento em infra-estrutura voltada para o
conforto, os esportes e as atividades de lazer. Sim, porque a Costa
dos Coqueiros como é conhecida a região
é linda, sem dúvida. Mas é uma praiona em linha
reta, às vezes com mais pedra que areia, principalmente na
região de Sauípe. Chega uma hora que cansa. E, aí,
uma aula de trapézio vem bem a calhar.
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Muita
gentileza, pouca eficiência
Paisagem bonita, instalações luxuosas e a simpatia
contagiante dos baianos são uma maravilha, mas, se
a bebida não chegar gelada e a comida quente, não
adianta. Serviço eficiente é imprescindível.
Quando Costa do Sauípe estiver operando a todo o vapor,
2 500 funcionários metade da região,
metade importada principalmente de Salvador estarão
trabalhando no local. Lidarão diariamente com turistas
brasileiros e estrangeiros, gente que paga caro pela estada
e espera atendimento exemplar. Aquela história de "meu
rei" e "sorria, você está na Bahia" dá
certo na pousadinha simpática, não em hotéis
de alto padrão, com preços idem. Por enquanto,
o staff de Costa do Sauípe ainda tem muito a treinar.
Todos os funcionários são gentilíssimos.
Dão "bom-dia", "boa-tarde" e "boa-noite" a todo mundo,
o que torna a atmosfera agradável e descontraída.
Sobra simpatia, mas falta eficiência. Nos restaurantes,
onde a comida é boa, acontece de tudo. O prato pedido
pode vir errado e a conta, demorar um tempão para chegar.
"Pedi um gim-tônica no SuperClubs e o barman não
sabia o que era. Parece que fizeram um recrutamento, não
uma seleção da mão-de-obra", diz a turista
mineira Marília Braga, hospedada em Sauípe na
semana passada.
Para evitar erros graves, o resort se encontra em ritmo intensivo
de treinamento de pessoal. A média de escolaridade
é a 7ª série completa e, nos cargos de
chefia, exige-se conhecimento de uma segunda língua.
Há duas semanas, os 500 funcionários dos dois
hotéis Sofitel estavam passando por essa fase. No primeiro
dia de treinamento foram recebidos com tapete vermelho e taças
de champanhe. Também tomaram o mesmo café da
manhã que será oferecido aos hóspedes.
A intenção era fazer com que sentissem como
é ser bem recebido. Os trabalhos continuaram com exercícios
que estimulam o raciocínio, a criatividade e a tomada
de decisões. "Em geral, as pessoas estão acostumadas
a receber e a obedecer ordens. Queremos que eles aprendam
a refletir e decidir", diz André Victoria da Silva,
gerente operacional do Sofitel. No final do curso, todos os
funcionários serão divididos em três grupos.
Enquanto duas equipes estiverem trabalhando, uma se hospedará
no hotel, com direito a um acompanhante, para testar o serviço
dos colegas e fazer críticas depois. Se nada disso
der certo, a saída é uma só: sorria,
meu rei.
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