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No dia 11 de setembro de 1968, na véspera do meu aniversário,
a Editora Abril me dava um presente, com o lançamento de sua nova
publicação VEJA , que vinha acompanhada em
seu título de um "e Leia". Na capa, "O grande duelo no mundo comunista".
No mesmo dia 11 de setembro, 34 anos depois, na capa de VEJA, "O mundo
nunca mais foi o mesmo", uma excelente edição sobre o grande
duelo em um mundo capitalista, em que o fanatismo ainda sobrevive e assusta.
Um único senão, talvez em virtude da emoção
e da procura de melhores notícias, VEJA esqueceu o próprio
aniversário. Eu não tinha como. Parabéns! A
ofensiva contra o Iraque que está sendo desenhada neste momento
parece um sinal claro da intenção americana de desviar a
atenção de seus inúmeros problemas internos. Como
se sabe, criar inimigo externo é prática costumeira entre
líderes que desejam desviar a atenção de suas reais
dificuldades de governança interna.
Fiquei extremamente feliz em ler a entrevista com o doutor Luiz Roberto
Londres (Amarelas, 11 de setembro). Sou psicóloga, trabalho na
área de gerontologia e penso exatamente como ele: de que nos adiantará
viver mais anos sem desfrutar os pequenos prazeres da vida? Será
essa ditadura da medicina moderna o que chamamos qualidade de vida? E,
além disso, para que servem tantos aparatos tecnologicamente modernos
se o médico moderno não se digna sequer olhar nos olhos
do seu cliente na hora da consulta?
Tenho filhos adultos, de 24 e 25 anos, já formados e independentes
do ponto de vista financeiro. Sou de classe média e meus filhos
estudaram em colégios públicos de Brasília até
a 5ª série do ensino fundamental. Passaram no primeiro vestibular
nos cursos que escolheram. Hoje, quando me perguntam qual é a mágica,
eu respondo orgulhosa: "Acompanhei seus deveres escolares, fui a todas
as reuniões da escola, estimulei o hábito da leitura". Isso
fez toda a diferença.
O senhor Paulo Maluf diz: "Comigo, bandido vai trabalhar. Se ele quer
tomar leite, vai lá ordenhar a vaquinha" (Veja essa, 11 de setembro).
Só que ele já foi governador e sabemos que nenhum bandido
foi à vaquinha.
O Brasil pode estar caminhando para a pior aventura política de
todos os tempos ("Lula lá no primeiro turno?", 11 de setembro).
Ou a ordem natural da vida perdeu a lógica. Não é
racional que um homem, para mostrar eventual capacidade de lidar com a
administração pública, deva começar pelo cargo
mais importante do país.
Com um eleitorado feminino maior que o dos homens, os candidatos à
Presidência precisam muito mais do que a simples figura de uma mulher
desfilando do seu lado. O universo feminino é uma incógnita
que, além de ser desvendada, precisa ser interpretada. Para isso,
não basta carregar como um baluarte alguém que apesar de
ser mulher tenha pensamento machista ou notada submissão. As mulheres
não podem e não querem mais em sua grande maioria
fazer o papel de figurante ("Uma saia justa nos candidatos", 11
de setembro).
Sobre
a reportagem "Garanta o melhor lugar" (Guia, 11 de setembro), como funcionária
de companhia aérea, estou acostumada com pedidos de passageiros
pelos assentos na primeira fila e na fila de emergência. Esses assentos
oferecem um pouco mais de espaço, mas existem certas restrições:
a primeira fila é geralmente reservada para mulheres grávidas,
mães com crianças ou crianças desacompanhadas. Dependendo
do caso, também acomodamos pessoas com problemas de circulação,
operação no joelho etc. Na saída de emergência,
crianças e pessoas com problemas não podem ficar, a prioridade
é para pessoas que possam abrir a porta e ajudar os demais no caso
de alguma emergência.
Como bombeiro, quero pedir a atenção para certos aspectos
que, a meu ver, são verdadeiras lições a ser aprendidas
pelos nossos serviços de emergência, especialmente o Corpo
de Bombeiros. Não resta dúvida de que, apesar de heróico,
o trabalho do Corpo de Bombeiros de Nova York deixou a desejar. A imprensa
americana publicou, depois de cinco meses de intensa pesquisa, uma série
de artigos destacando os gravíssimos erros cometidos pela corporação,
responsável maior pela resposta emergencial ao desastre. Os principais
problemas que emergiram da investigação foram: ineficiência
do sistema de radiocomunicação; despreparo técnico
dos profissionais; ausência de planos de intervenção
em catástrofe para vigorar quando interagem várias organizações
que atuam em emergência; perda da disciplina operacional e perda
do controle das cerca de 200 equipes que trabalhavam no resgate às
vítimas. Esses dois últimos itens são derivados,
em grande parte, do colapso das comunicações, uma vez que
não havia como coordenar as guarnições de bombeiros
dentro dos prédios sem o apoio de rádio.
É
impossível deixar de comentar a entrevista com o doutor Londres
(Amarelas, 11 de setembro). Ele demonstra honestidade, sinceridade e sensatez
em suas declarações. Identifiquei-me com todos os seus posicionamentos.
Quem dera todos os médicos fossem assim. Muito bem, VEJA!
Obrigado, doutor Luiz Roberto Londres. Sua opinião marca a diferença
entre os que exercem a profissão por vocação e os
que trabalham por dinheiro.
Quero cumprimentar a revista VEJA e o doutor Luiz Roberto Londres pela
importante entrevista. No atual estágio da profissão médica
no Brasil, temos assistido a um tecnicismo exacerbado, em detrimento da
relação médico-paciente. A avalanche tecnológica
que inundou a prática médica pode, se não tomarmos
cuidado, tirar o que temos de mais belo e importante em nossa profissão,
que é o forte conteúdo humanitário.
A dica sobre eleições ("O voto é secreto", Para usar,
11 de setembro) foi muito oportuna. É bom ressaltar que o lembrete
serve, também, para ser usado em qualquer tipo de relacionamento,
inclusive afetivo: ao tentar convencer o namorado ou a mãe de que
sua opinião é sensata corre-se o risco de desencadear um
conflito que pode desgastar a união. Muitas pessoas detestam discutir
política e candidatos. Meu conselho como eleitora é somente
dizer às pessoas que considerem seu voto único e decisivo,
e torcer para que elas reflitam mais sobre a importância de sua
escolha.
Em relação ao conteúdo da reportagem "Segredos da
pele" (Guia, 11 de setembro), parece-me oportuno e prudente esclarecer,
para que não gere conclusões errôneas por parte dos
pacientes, que a isotretinoína não constitui nenhuma novidade.
Lançada no mercado cerca de vinte anos atrás, e disponível
no Brasil há nove, trata-se de medicamento cuja eficácia
e confiabilidade há muito estão comprovadas.
Após a leitura da "intrevístia" com Seu Creysson, descobri
ser ele um ótimo "candidátio", pois seguramente, caso "elêitio",
não terá contas na "Çuíssa", nas "Barramas"
nem nas Ilhas "Kaymam", uma vez que este é "narfabético"
e não sabe onde ficam esses lugares.
Os Cassetas deveriam melhorar o nível do programa com as já
tradicionais críticas às nossas autoridades e as sátiras
às nossas mazelas sociais, como a violência.
Decididamente, Diogo torna minhas tardes de domingo mais divertidas. Por
favor, não desista ("Diogo
para presidente (3)", 11 de setembro).
Não, Mainardi, não desista de sua candidatura. Troque de
mulher. Assim você terá um "pillar" melhor para te sustentar.
No discurso, não esqueça de dizer que criará 8 milhões
de empregos. Deixe a barba crescer e siga com muita paz e amor. Com essa
fórmula, é segundo turno na certa. Afinal, o que seria do
Hino Nacional sem você? Um abraço de sua fã
de carteirinha.
Queremos expressar nosso apoio ao colunista de VEJA Diogo Mainardi, que
em sua coluna expressa brilhantemente a "fórmula" correta para
governar o Brasil. Ele já tem os nossos dois votos para presidente.
Estamos contigo, Diogo!
Poucas pessoas, raras mesmo, têm capacidade para opinar com tanta
racionalidade e isenção de paixões e nacionalismos
bobos quanto Diogo Mainardi. Pena que gente assim não é,
nem nunca será, candidata a presidente ("Diogo
para presidente (2)", 4 de setembro).
O risco de câncer de mama para uma mulher portadora de mutação
do gene BRCA1 ou BRCA2 varia de acordo com a população estudada
e o tipo de mutação encontrada (há mais de 1.000
mutações descritas) e tem oscilado entre 35% e 82%. O estudo
apresentado em "Revisão de genes" (4 de setembro) não necessariamente
se aplica a nosso meio. Estamos recolhendo os primeiros dados desse tipo,
em sessenta famílias estudadas em nosso departamento. Várias
mutações têm sido descobertas nessas pacientes brasileiras,
e o risco para algumas delas parece ser bastante alto. Portanto, as mulheres
portadoras dessas mutações ainda devem ser encaradas como
pessoas de risco elevado (de três a oito vezes em relação
à população geral). Além disso, não
há evidências na literatura médica de que mudança
de hábitos (dieta e exercícios) consiga diminuir de maneira
apreciável esse risco.
O articulista é um marco do jornalismo brasileiro. Não é
à toa que sua coluna é a primeira coisa que leio na revista.
O alerta sobre o Acre é válido, mas fica a pergunta: até
quando precisaremos dessas brilhantes e esclarecedoras opiniões
para tomarmos uma atitude ("O sinal de alarme que vem do Acre", Ensaio,
4 de setembro)?
Como brasileira, tenho o cívico dever de agradecer, assim, despudoradamente,
ao esclarecedor serviço social que essa coluna tem prestado às
pessoas que, como eu, passam atônitas por esse momento de transição
política.
Muito bom o perfil do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel
("O predador", Perfil, 28 de agosto). As comparações entre
o que se paga por um produto e o que se paga de imposto foram muito ilustrativas.
As alfinetadas elegantes sobre as injustiças da arrecadação
e o modo como o poder público torra esse recurso também
foram perfeitos. Há tempos admiro o trabalho da jornalista Thaís
Oyama. O texto estava perfeito. Parabéns!
CORREÇÕES:
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