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Trem contra o
caos
Cidades
descobrem que o metrô
deve ser feito antes que os
congestionamentos virem rotina

Adriana Negreiros
Divulgação
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| Plano
de uma estação de metrô em Fortaleza: rapidez
e conforto |
Dentro
de dois anos, Fortaleza, uma cidade com 2,1 milhões de habitantes,
estará inaugurando o segundo maior metrô do Brasil em extensão
e o terceiro em número de paradas. Na mesma época, Salvador,
cuja população anda na casa dos 2,4 milhões, também
abrirá as estações de seu metropolitano. A prefeitura
de Natal, que tem apenas 800.000 moradores, acaba de assinar convênio
com diretores do metrô de Lisboa para analisar a adoção
de um sistema semelhante. Para quem vê essas cidades como paraísos
turísticos, parece que as administrações nordestinas
decidiram enterrar, literalmente, o dinheiro dos contribuintes. Mas, para
quem vive nesses lugares, não poderia haver providência mais
oportuna. "Cidades desse porte estão no ponto para adotar um sistema
de metrô integrado com ônibus e vans, e isso pode ser uma
tentação para a classe média deixar o carro em casa",
diz o urbanista Cândido Malta Campos Filho, professor da Universidade
de São Paulo. "A longo prazo, esse investimento acabará
se tornando uma economia", afirma o engenheiro de transportes Felipe Loureiro,
professor da Universidade Federal do Ceará.
O metrô de Fortaleza custará 502 milhões de dólares,
bancados por recursos da União, do Estado e de financiamentos diversos.
O de Salvador sairá por 307 milhões de dólares. São
Paulo perde, em um ano, 1 bilhão de dólares com congestionamentos
diários que passam dos 200 quilômetros. Com um automóvel
para cada dois habitantes e um metrô que transporta 1,5 milhão
de pessoas por dia, a capital paulista tem um rodízio que tira
das ruas, nos horários de pico, 20% dos carros. No Rio de Janeiro,
as obras do metrô em Copacabana, o bairro mais adensado do país,
provocam talvez mais tráfego que aquele que o sistema irá
resolver. "É esse quadro que as cidades menores estão evitando",
afirma o diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos,
Ailton Brasiliense. Com 1.660 ônibus e 350.000 carros nas ruas,
Fortaleza já experimenta trânsito de alarmar turistas na
Avenida Beira-Mar.
O metrô de Salvador e o de Fortaleza terão pequenos trechos
subterrâneos 1,4 quilômetro o primeiro e 4 quilômetros
o outro. Isso barateia a construção, mas não diminui
a intervenção urbana que ela representa. A paisagem ao longo
das linhas mudará, com novas lojas, escolas, igrejas, hospitais
e prédios residenciais. Ambas as cidades podem adotar a tarifa
única, válida para uso combinado de diferentes transportes.
Em Curitiba, que não tem metrô, a simples combinação
de linhas e tamanhos de ônibus foi capaz de convencer 74% da população
a usar o transporte público. As cidades nordestinas usufruirão
também as vantagens de um sistema expansível uma virtude
que o metrô londrino ensina ao mundo desde a inauguração
da primeira estação, em 1863. Hoje ele tem 267 estações.
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