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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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Trem contra o caos

Cidades descobrem que o metrô
deve ser feito antes que os
congestionamentos virem rotina

Adriana Negreiros

Divulgação
Plano de uma estação de metrô em Fortaleza: rapidez e conforto

Dentro de dois anos, Fortaleza, uma cidade com 2,1 milhões de habitantes, estará inaugurando o segundo maior metrô do Brasil em extensão e o terceiro em número de paradas. Na mesma época, Salvador, cuja população anda na casa dos 2,4 milhões, também abrirá as estações de seu metropolitano. A prefeitura de Natal, que tem apenas 800.000 moradores, acaba de assinar convênio com diretores do metrô de Lisboa para analisar a adoção de um sistema semelhante. Para quem vê essas cidades como paraísos turísticos, parece que as administrações nordestinas decidiram enterrar, literalmente, o dinheiro dos contribuintes. Mas, para quem vive nesses lugares, não poderia haver providência mais oportuna. "Cidades desse porte estão no ponto para adotar um sistema de metrô integrado com ônibus e vans, e isso pode ser uma tentação para a classe média deixar o carro em casa", diz o urbanista Cândido Malta Campos Filho, professor da Universidade de São Paulo. "A longo prazo, esse investimento acabará se tornando uma economia", afirma o engenheiro de transportes Felipe Loureiro, professor da Universidade Federal do Ceará.

O metrô de Fortaleza custará 502 milhões de dólares, bancados por recursos da União, do Estado e de financiamentos diversos. O de Salvador sairá por 307 milhões de dólares. São Paulo perde, em um ano, 1 bilhão de dólares com congestionamentos diários que passam dos 200 quilômetros. Com um automóvel para cada dois habitantes e um metrô que transporta 1,5 milhão de pessoas por dia, a capital paulista tem um rodízio que tira das ruas, nos horários de pico, 20% dos carros. No Rio de Janeiro, as obras do metrô em Copacabana, o bairro mais adensado do país, provocam talvez mais tráfego que aquele que o sistema irá resolver. "É esse quadro que as cidades menores estão evitando", afirma o diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos, Ailton Brasiliense. Com 1.660 ônibus e 350.000 carros nas ruas, Fortaleza já experimenta trânsito de alarmar turistas na Avenida Beira-Mar.

O metrô de Salvador e o de Fortaleza terão pequenos trechos subterrâneos – 1,4 quilômetro o primeiro e 4 quilômetros o outro. Isso barateia a construção, mas não diminui a intervenção urbana que ela representa. A paisagem ao longo das linhas mudará, com novas lojas, escolas, igrejas, hospitais e prédios residenciais. Ambas as cidades podem adotar a tarifa única, válida para uso combinado de diferentes transportes. Em Curitiba, que não tem metrô, a simples combinação de linhas e tamanhos de ônibus foi capaz de convencer 74% da população a usar o transporte público. As cidades nordestinas usufruirão também as vantagens de um sistema expansível – uma virtude que o metrô londrino ensina ao mundo desde a inauguração da primeira estação, em 1863. Hoje ele tem 267 estações.

   
 

 


Flavio Rodrigues

 

   
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