O
tio que era pai
Meio
século depois, socialite
carioca
revela que teve
filho com o cunhado
Marcelo
Camacho
Nellie Solitrenick
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Antonio Guerreiro
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| Lourdes:
decoradora bem-sucedida em Nova York, longe dos tempos de dondoca |
Enredo
rodriguiano: a bela Lourdes traiu Álvaro com o cunhado Chico;
nasceu Álvaro Luiz, que agora quer a fortuna do verdadeiro pai |
Um dos axiomas das colunas sociais é que, em sociedade, tudo
se comenta, tudo se sabe. Bem, nem tudo. Durante meio século,
a socialite Lourdes Catão, 73 anos bem conservados, guardou
um segredo daqueles. Dona de um dos sobrenomes mais conhecidos do
que no passado se chamava alta sociedade, ela escondeu de todo mundo
que seu filho mais velho, Álvaro Luiz Catão Filho,
hoje com 51 anos, era, na verdade, produto de um romance com o cunhado,
o empresário Francisco Catão simplesmente o
irmão mais novo de seu primeiro marido, Álvaro Luiz
Catão. Lourdes e Álvaro foram casados durante 27 anos.
Ricos e badalados, eles deram e freqüentaram as festas que
fizeram a fama da sociedade do Rio de Janeiro nos anos dourados
os 40, 50 e 60. Oficialmente, tiveram três filhos:
Álvaro, Bebel e Antônio. Na semana passada, a bomba.
Em sua coluna no jornal O Globo, Hildegard Angel publicou
que Álvaro Luiz é filho de Francisco. Junto, uma confissão
da mãe. "Foi um segredo de muitos anos. Meu filntou,
e não tive como não lhe dizer a verdade", disse Lourdes,
há 24 anos radicada em Nova York, onde, separada do segundo
marido, tem uma bem-sucedida carreira de decoradora.
O desenrolar desse intrincado novelo começou em agosto do
ano passado, um mês depois da morte de Álvaro Catão,
o pai oficial. Em rápida e, sim, novelesca seqüência,
quem agonizava era Francisco Catão, que convocou o sobrinho
predileto Álvaro, naturalmente para uma conversa
decisiva. Antes de morrer, queria revelar que era seu verdadeiro
pai. Durante os seis meses que se seguiram ao falecimento do "tio",
Álvaro Filho se conteve para não confrontar a mãe
com a pergunta inevitável. Pronunciou-a, por fim, há
dois meses. Ouviu que era tudo verdade. A confirmação,
em vez de instalar uma cabeluda crise familiar, na verdade abriu
uma perspectiva animadora: a de que Álvaro e sua família
consigam ter acesso a uma qualquer uma parte da herança
milionária de Francisco Catão. Dono de negócios
no setor portuário, na indústria química, no
ramo imobiliário e no de mineração, além
de luxuosos imóveis no Brasil e na França, Francisco
foi casado duas vezes e não teve filhos. Veladamente, comenta-se
que se apropriou de todos os bens da família, que ele administrava.
Por
falta de um testamento que eventualmente beneficiasse os sobrinhos,
todos os bens de Francisco deviam caber a sua viúva, Ângela
Catão. Há duas semanas, porém, Álvaro
entrou com um pedido de investigação de paternidade
na Justiça do Rio de Janeiro. Quer provar que é filho
de Francisco e, portanto, seu herdeiro. "Não estamos atrás
de dinheiro. Só não queremos deixar os bens da família,
que foram construídos por meu avô, nas mãos
de outra pessoa", afirma, com notável desprendimento, Antônio
Manuel Catão, irmão mais novo de Álvaro Luiz.
A batalha jurídica promete. Apenas os depoimentos de Álvaro
e Lourdes, com suas histórias, não bastarão.
Será preciso um teste de DNA e, portanto, a exumação
do corpo para que se saiba se a análise do material genético
coincide com o do sobrinho que se acredita filho.
Álvaro
e Lourdes Catão tiveram uma vida de glamour nos tempos áureos.
Ao lado de Theresa e Didu de Souza Campos e Carmen e Tony Mayrink
Veiga, eles formavam a trinca de casais mais badalados da sociedade
carioca. Lourdes era personagem assídua da lista dos mais
elegantes do colunista Jacinto de Thormes, no Diário Carioca.
Separaram-se em 1972. Quando Álvaro morreu, em julho do ano
passado, poucos bens deixou a seus herdeiros. Lourdes, que saiu
do casamento "com a roupa do corpo", como diz uma amiga, refez a
vida em Nova York. Tornou-se decoradora de sucesso, especializando-se
em comprar imóveis arruinados, reformá-los com gosto
requintado e depois vendê-los por três ou quatro vezes
o preço inicial. Atualmente mora no 27º andar de um
edifício na Quinta Avenida, na altura da Rua 61, com vista
total para o Central Park. O apartamento anterior, em frente ao
museu Metropolitan, ela vendeu por 1,6 milhão de dólares.
Discreta desde que abandonou o jet set, na semana passada ela se
sentia traída pela colunista Hildegard Angel, que lhe havia
prometido tratar o assunto sem grande estardalhaço. Com uma
história dessa magnitude na mão, porém, a colunista
deu-lhe o tratamento merecido, com direito a chamada de primeira
página em O Globo. Pode ter perdido a amiga. Mas não
perdeu a oportunidade de divulgar uma notícia sensacional.
Com reportagem de
Silvia Rogar
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