NOTÍCIAS DIÁRIAS
 
Brasil Sociedade

Esta semana
Sumário
Brasil
Aparece a primeira prova contra Jader
O que fazer para não faltar?
A impunidade dos sem-terra
Álvaro Luiz Catão quer provar que é filho do tio

Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

O tio que era pai

Meio século depois, socialite carioca
revela que
teve filho com o cunhado

Marcelo Camacho


Nellie Solitrenick
Antonio Guerreiro
Lourdes: decoradora bem-sucedida em Nova York, longe dos tempos de dondoca Enredo rodriguiano: a bela Lourdes traiu Álvaro com o cunhado Chico; nasceu Álvaro Luiz, que agora quer a fortuna do verdadeiro pai

Um dos axiomas das colunas sociais é que, em sociedade, tudo se comenta, tudo se sabe. Bem, nem tudo. Durante meio século, a socialite Lourdes Catão, 73 anos bem conservados, guardou um segredo daqueles. Dona de um dos sobrenomes mais conhecidos do que no passado se chamava alta sociedade, ela escondeu de todo mundo que seu filho mais velho, Álvaro Luiz Catão Filho, hoje com 51 anos, era, na verdade, produto de um romance com o cunhado, o empresário Francisco Catão – simplesmente o irmão mais novo de seu primeiro marido, Álvaro Luiz Catão. Lourdes e Álvaro foram casados durante 27 anos. Ricos e badalados, eles deram e freqüentaram as festas que fizeram a fama da sociedade do Rio de Janeiro nos anos dourados – os 40, 50 e 60. Oficialmente, tiveram três filhos: Álvaro, Bebel e Antônio. Na semana passada, a bomba. Em sua coluna no jornal O Globo, Hildegard Angel publicou que Álvaro Luiz é filho de Francisco. Junto, uma confissão da mãe. "Foi um segredo de muitos anos. Meu filntou, e não tive como não lhe dizer a verdade", disse Lourdes, há 24 anos radicada em Nova York, onde, separada do segundo marido, tem uma bem-sucedida carreira de decoradora.

O desenrolar desse intrincado novelo começou em agosto do ano passado, um mês depois da morte de Álvaro Catão, o pai oficial. Em rápida e, sim, novelesca seqüência, quem agonizava era Francisco Catão, que convocou o sobrinho predileto – Álvaro, naturalmente – para uma conversa decisiva. Antes de morrer, queria revelar que era seu verdadeiro pai. Durante os seis meses que se seguiram ao falecimento do "tio", Álvaro Filho se conteve para não confrontar a mãe com a pergunta inevitável. Pronunciou-a, por fim, há dois meses. Ouviu que era tudo verdade. A confirmação, em vez de instalar uma cabeluda crise familiar, na verdade abriu uma perspectiva animadora: a de que Álvaro e sua família consigam ter acesso a uma – qualquer uma – parte da herança milionária de Francisco Catão. Dono de negócios no setor portuário, na indústria química, no ramo imobiliário e no de mineração, além de luxuosos imóveis no Brasil e na França, Francisco foi casado duas vezes e não teve filhos. Veladamente, comenta-se que se apropriou de todos os bens da família, que ele administrava.

Por falta de um testamento que eventualmente beneficiasse os sobrinhos, todos os bens de Francisco deviam caber a sua viúva, Ângela Catão. Há duas semanas, porém, Álvaro entrou com um pedido de investigação de paternidade na Justiça do Rio de Janeiro. Quer provar que é filho de Francisco e, portanto, seu herdeiro. "Não estamos atrás de dinheiro. Só não queremos deixar os bens da família, que foram construídos por meu avô, nas mãos de outra pessoa", afirma, com notável desprendimento, Antônio Manuel Catão, irmão mais novo de Álvaro Luiz. A batalha jurídica promete. Apenas os depoimentos de Álvaro e Lourdes, com suas histórias, não bastarão. Será preciso um teste de DNA e, portanto, a exumação do corpo para que se saiba se a análise do material genético coincide com o do sobrinho que se acredita filho.

Álvaro e Lourdes Catão tiveram uma vida de glamour nos tempos áureos. Ao lado de Theresa e Didu de Souza Campos e Carmen e Tony Mayrink Veiga, eles formavam a trinca de casais mais badalados da sociedade carioca. Lourdes era personagem assídua da lista dos mais elegantes do colunista Jacinto de Thormes, no Diário Carioca. Separaram-se em 1972. Quando Álvaro morreu, em julho do ano passado, poucos bens deixou a seus herdeiros. Lourdes, que saiu do casamento "com a roupa do corpo", como diz uma amiga, refez a vida em Nova York. Tornou-se decoradora de sucesso, especializando-se em comprar imóveis arruinados, reformá-los com gosto requintado e depois vendê-los por três ou quatro vezes o preço inicial. Atualmente mora no 27º andar de um edifício na Quinta Avenida, na altura da Rua 61, com vista total para o Central Park. O apartamento anterior, em frente ao museu Metropolitan, ela vendeu por 1,6 milhão de dólares.

Discreta desde que abandonou o jet set, na semana passada ela se sentia traída pela colunista Hildegard Angel, que lhe havia prometido tratar o assunto sem grande estardalhaço. Com uma história dessa magnitude na mão, porém, a colunista deu-lhe o tratamento merecido, com direito a chamada de primeira página em O Globo. Pode ter perdido a amiga. Mas não perdeu a oportunidade de divulgar uma notícia sensacional.


Com reportagem de
Silvia Rogar

 

   
NOTÍCIAS DIÁRIAS
Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco