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Argentina
Menem na intimidade
Livro reúne extravagâncias e
amores
vividos nos bastidores
da primeira-família argentina
Raul Juste Lores, de Buenos
Aires
Editorial Perfil
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"Yuyito": vedete
é a mais pública das amantes de Menem
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O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa,
promete o início de uma era de sobriedade no dia de
sua posse, 10 de dezembro. Ao escolher um opositor comportado
como De la Rúa, o eleitorado demonstrou que não
vê ameaças ao legado mais substancial de Menem,
a estabilidade política e econômica. Ninguém
vê, porém, problema para já começar
a tripudiar sobre o moribundo político. Já de
olho num período de vacas magras em termos de mundanidade,
a jornalista Olga Wornat está raspando o tacho dos
dez anos de governo Carlos Menem com um livro lançado
na semana passada. As quase cinco centenas de páginas
de Menem La Vida Privada reúnem extravagâncias,
amores (mais ou menos) secretos e forte tempero de dramalhão.
A autora, que se especializou na família Menem como
repórter de revistas argentinas, teve a oportunidade
de conhecer de perto cada um de seus personagens. Muitos aceitaram
falar sobre a intimidade do presidente. Outras passagens Olga
presenciou. "Certa vez, dentro do avião presidencial,
vi um empresário ajoelhar-se aos pés de Menem
para lustrar-lhe os sapatos", disse a VEJA, esmiuçando
a lendária vaidade do mandatário argentino.
Nem a vaidade nem a obsessão de Menem pelo sexo oposto
são exatamente novidade. Sua fama já havia alcançado
dimensões globais quando a cantora Madonna, ninguém
menos, confessou ter corado enquanto os olhos presidenciais
a perscrutavam, durante uma recepção nos intervalos
das filmagens de Evita. O que o livro revela são
as intensas emoções despertadas por Menem, coisas
de deixar Bill Clinton no chinelo, e um estilo particular
que não se alterou com o passar do tempo, ao contrário
de seu discurso político. Dos tempos de governador
populista da província de La Rioja até os dias
atuais, como expoente do neoliberalismo latino-americano,
o presidente nunca prescindiu de dois tipos de companhia,
as amantes e as videntes, estas a serviço de sua segunda
maior paixão, o poder.
Gosto eclético Com ambas, Menem costuma
ser generoso, e isso fica evidente no discurso de todas as
mulheres ouvidas por Olga, exceto, é claro, a ex, Zulema
Yoma, que teve de suportar um marido cronicamente infiel.
Se isso fosse possível, pode-se dizer que Menem já
a traía antes mesmo de conhecê-la. Seu primeiro
grande amor foi Ana Maria Luján, uma ativista política
separada do marido. Os pais de Menem queriam que ele se casasse
com uma moça virgem de religião muçulmana,
a mesma da família, e escolheram Zulema a dedo. Mas
Ana Maria sempre esteve por perto. Na Presidência, Menem
a nomeou assessora palaciana e encarregada das relações
com Taiwan. "Depois de passarmos longos períodos sem
nos ver, escapávamos para Buenos Aires", disse Ana
Maria a Olga sobre os anos em que Menem era governador. "Passávamos
três dias no quarto, sem ver ninguém, sem comer."
Igualmente fogosa é a descrição fornecida
por Marcela Labarca, 33 anos, a principal companheira de Menem
depois do divórcio: "Fazíamos amor várias
vezes numa noite. Eu ficava impressionada que um homem com
tantas responsabilidades pudesse se abstrair de tal maneira.
Era insaciável e conhecia todas as maneiras de dar
prazer". Marcela, de acordo com Olga, foi, de todos os entrevistados
do livro, a que mais relutou em abrir a boca. Olga elogia
sua elegância e discrição. Numa prova
de ecletismo, Menem mantém um relacionamento antigo
com uma mulher de temperamento e aparência bastante
opostos, a exuberante vedete Amalia "Yuyito" González.
Ex-mulher de Guillermo Coppola, empresário de Maradona,
Yuyito adora aparecer. Chegou a posar nua para uma revista
sob o título "A amante de Menem". E mantém o
coração aberto para o presidente. Pelo menos
é o que dizem os fofoqueiros da imprensa portenha,
que flagraram os pombinhos juntos recentemente.
Editorial Perfil
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| Filha de Carlitos e sua mãe: neta revelada
após a morte do herdeiro |
Pândego fora de casa, Menem viveu em família
momentos de tragédia. Como é compreensível,
a morte do filho, Carlitos, numa queda de helicóptero
em 1995, foi um golpe do qual até hoje não se
recuperou. Na interminável briga entre o pai e a mãe,
os filhos do presidente passaram por maus bocados. Carlitos,
que também colecionava namoradas e deu uma neta a Menem,
cuja existência só foi revelada depois de sua
morte, detestava o modo como o pai tratava Zulema. Já
Zulemita seguiu um caminho ambíguo, dividida entre
a solidariedade pela mãe e uma paixão quase
incestuosa pelo pai, a quem passou a acompanhar nas viagens
internacionais depois do divórcio. O melodrama está
prestes a sair de cartaz, mas ainda deve render boas reprises.
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