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Diplomacia
Este é o homem
Depois de um ano e quatro meses, Senado
americano aprova embaixador para o Brasil
Vladimir Netto, de Brasília
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Harrington,
o aprovado:
amigo de Clinton |
Enfim terminou a novela. Depois de um ano e quatro meses, os Estados
Unidos definiram seu novo embaixador no Brasil. Seu nome é
Anthony Stephen Harrington, advogado de 58 anos e amigo de Bill
Clinton. A indicação foi aprovada na última
quarta-feira pelo Senado americano, numa noite de alívio
para o presidente, que conseguiu preencher vagas em nada menos que
treze embaixadas. As indicações eram bloqueadas pelas
picuinhas de Jesse Helms, o republicano ultraconservador que preside
a Comissão de Relações Exteriores, conhecido
como "senador não". Helms atrasou o processo e atazanou tanto
os escolhidos anteriores, Brian Atwood e Lee Godfrey, que eles desistiram.
Harrington não recebeu sérias objeções da oposição, apesar de suas
históricas relações com o Partido Democrata. Foi assessor jurídico
do partido de Clinton nos anos 80 e um dos caciques de sua primeira
campanha para presidente, em 1992. Em dezembro de 1997, ele deu
a Clinton um presente que se tornaria conhecido mundialmente: "Buddy",
o cão labrador que destronou "Socks", o gato da primeira-família,
e se tornou o melhor amigo do presidente durante a confusão causada
pelo caso com Monica Lewinsky. O novo embaixador é sócio da Hogan
& Harston, a maior e mais tradicional das grandes firmas de
advocacia de Washington, com 600 funcionários e escritórios em onze
cidades ao redor do planeta. Telecomunicações são a especialidade
de Harrington, que já assessorou várias empresas do setor em processo
de fusão. Ele é também sócio-fundador da Telecom USA, uma operadora
de longa distância, depois absorvida pela multinacional americana
MCI WorldCom. Deve estar aí a razão de sua escolha. Um dos pontos
de atrito atuais entre Estados Unidos e Brasil é a cobrança de 1
bilhão de reais em impostos devidos pela Embratel, comprada pela
mesma MCI. A multinacional americana argumenta que não se responsabiliza
por pendências anteriores à transação.
Harrington nunca esteve no Brasil. Mas, pelo menos diante dos senadores
americanos, ele e sua mulher, Hope, com quem tem dois filhos, mostraram-se
cheios de entusiasmo. É um bom atributo para quem terá tantos nós
a desatar na nova função. Ele deve retomar a antiga chiadeira do
governo americano contra a pirataria praticada no Brasil com produtos
de informática e audiovisual. Há ainda a questão das drogas, que
voltou à ordem do dia com o entrelaçamento do tráfico com a guerrilha
de esquerda na Colômbia. Mais nos bastidores do que em público,
os governos americano e brasileiro já mergulharam em contendas sobre
a melhor forma de combater o narcotráfico na Amazônia. Os Estados
Unidos sempre esperaram uma atuação mais agressiva do Brasil. Até
chegaram a lançar, como balão-de-ensaio, a hipótese de uma intervenção
militar na Colômbia, provocando uma reação nada animadora do governo
brasileiro.
Escaldado pelo exemplo do último embaixador americano no Brasil,
Melvyn Levitsky, um proverbial boquirroto, Harrington até agora
tem sido, apropriadamente, diplomático. Ao falar no Senado sobre
corrupção, tomou o cuidado de não dizer nada que pudesse causar
rusgas com os futuros anfitriões brasileiros. Em 1997, um relatório
americano definiu a corrupção no Brasil como "endêmica".
O novo representante saiu pela tangente e disse que ela é só "persistente".
Um sinal de vocação para o jeitinho brasileiro.
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