Máquina do tempo quântica
Em seu novo livro, Michael Crichton transporta
três estudantes para a Idade Média.
Como? Pelo fax, oras!
Marcelo Marthe
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Michael Benabib

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| Crichton: em vez de vender os direitos
para Hollywood, autor receberá participação
nos lucros |
O americano Michael Crichton é um rato de biblioteca.
Desde seus tempos de estudante de medicina na Universidade
Harvard, ele cultiva o hábito de passar horas a fio
devorando livros sobre assuntos tão complexos quanto
a biogenética e a teoria do caos. Foi de leituras
assim que retirou a trama de Parque dos Dinossauros,
best-seller que deu origem ao megassucesso de Steven Spielberg,
em 1993. Em seus doze livros e oito roteiros para cinema,
os temas variam bastante, mas a fórmula permanece
idêntica. Ele pega assuntos que renderiam acalorados
debates entre pesquisadores e os traz ao alcance do público
por meio de enredos cheios de aventura e suspense. São
os chamados "tecno-thrillers", nos quais, tal e qual um
pesquisador acadêmico, Crichton lista numa bibliografia
os livros nos quais se baseou para tecer suas histórias
mirabolantes. Com isso, causa indignação entre
cientistas e reações gástricas em críticos
literários. Mas ninguém, atualmente, domina
essa técnica como ele. Prova disso é seu mais
recente trabalho, Linha do Tempo (tradução
de Paulo Reis; Rocco; 564 páginas; 38 reais). Lastreado
em mais de oitenta artigos científicos, o livro transforma
em diversão eletrizante temas que costumam ser abordados
de forma soporífera em aulas de ginásio, como
física quântica e história medieval.
Por
baixo de todo o verniz científico, a trama até
que é bem simples. Recorre a uma utopia tecnológica
que sempre exerceu fascínio no cinema e na televisão:
a máquina do tempo. Engenhocas capazes de transportar
seres humanos para épocas remotas deram mote a filmes
como O Exterminador do Futuro e Os 12 Macacos,
além do seriado O Túnel do Tempo. Na
visão de Crichton, obviamente, trata-se de algo mais
complexo uma espécie de fax quântico,
que permite "transmitir" pessoas para o passado. Como isso
é possível? Bem, na diluição
que ele faz da teoria de Albert Einstein, a distância
que separa duas épocas não seria uma questão
de tempo, e sim de espaço como se os séculos
fossem universos paralelos. Assim, o leitor acompanha os
passos de três estudantes do mundo atual que voltam
à França do século XIV para salvar
um professor em apuros. A narrativa é rica em detalhes.
Em entrevistas, o escritor disse ter folheado pelo menos
200 livros para descrever os hábitos da Idade Média,
povoada de monges e cavaleiros de armaduras. A tal máquina
do tempo, por sua vez, é esmiuçada em gráficos
e equações matemáticas.
Só se der lucro Na estrada há
mais de trinta anos, o escritor um cinqüentão
com 2,05 metros de altura, hoje no quarto casamento
vem faturando alto. É um dos poucos em sua profissão
que aparecem na lista das 100 pessoas mais bem remuneradas
do show biz americano, segundo o levantamento anual da revista
Forbes, publicado em março. Com renda de 33,5
milhões de dólares, está no 32º
posto, atrás dos pesos pesados Stephen King (sétimo)
e John Grisham (27º). Sua mina de ouro é a venda
de histórias para Hollywood. E, nesse quesito, Crichton
está passando para um patamar de negociação
restrito a poucos. No contrato para a filmagem de Linha
do Tempo, abre mão do adiantamento de praxe
o que elevaria sua posição no levantamento
da Forbes. Em vez disso, ele vai receber do estúdio
Universal uma participação no faturamento
da fita, cujo orçamento está na casa dos 60
milhões de dólares. Mas só se o projeto
der lucro. Se não vingar, Crichton embolsará
apenas 1 milhão de dólares. Como se
vê, é um risco calculadíssimo.
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