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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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Aos debates, companheiros!

Fotos Antonio Milena
Lula e Serra: no primeiro turno escolheu-se o melhor candidato. O segundo apontará o melhor presidente

Com os quase 40 milhões de votos recebidos nas urnas no primeiro turno, Luís Inácio Lula da Silva foi escolhido pelos brasileiros como o melhor candidato à Presidência. Na mesma votação, porém, os brasileiros decidiram que a disputa deveria ir para o segundo turno, quando não se julgará quem fez a campanha mais bem-sucedida, mas quem encarna o maior número de virtudes para ocupar o posto de presidente do Brasil. As eleições, especialmente as concorridas e emocionantes como as atuais, costumam ser reduzidas apenas a seu aspecto de jogo em que o ápice da emoção vem com a indicação do vencedor. É bom ter em mente que a votação do domingo 27 marcará o início e não o fim de um processo que durará no mínimo quatro anos. Por isso, como candidato, Lula pode ter todos os motivos do mundo para se recusar a debater na televisão com seu oponente, José Serra. Como favorito nas pesquisas para ser o novo presidente do país, Lula não deveria se furtar à exposição dos debates televisionados.

A campanha petista defende a tese de que, justamente por ter conseguido uma votação recorde no primeiro turno, Lula ganhou o direito de participar de apenas um debate, que seria feito em rede nacional de televisão. Afinal, argumentam os petistas, Fernando Henrique Cardoso, franco favorito em 1998, não participou de nenhum debate. O argumento é razoável do ponto de vista eleitoral, mas os brasileiros perderiam com a redução do número de debates. FHC foi eleito da primeira vez com a idéia do Plano Real, amplamente debatida por ele em três encontros televisionados com os concorrentes. Na reeleição, todos já sabiam o que pensava e como administrava. Não era preciso debate algum para reelegê-lo. Lula e Serra são apenas apostas. Se um dia disputarem a reeleição, eles podem até rebarbar os debates. Mas o ideal é que agora se enfrentem diante das câmeras, não apenas uma, como querem os petistas, mas quatro vezes, como estava previsto. Quanto mais os dois candidatos testarem ao vivo, diante de milhões de brasileiros, a aplicabilidade de suas propostas, mais acertada será a escolha no segundo turno. Portanto, aos debates, companheiros! Veja reportagens sobre as eleições e participe da enquete de VEJA on-line.

 
 
   
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