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O
dançarino "linha-dura"
Paulo Jares
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A presidência do Clube Militar
do Rio de Janeiro já foi um lugar
de prestígio para seu ocupante.
Desde que foi criado, em 1887, somente
uma vez, em 1923, o cargo não
foi entregue a um general. Mas agora
é muito difícil encontrar
um nome de peso na tropa que se disponha
a tal função. O atual
presidente, general Hélio Ibiapina
Lima, ocupa o cargo desde junho de 1996
e já está novamente em
campanha para as eleições
marcadas para maio do próximo
ano. "Sou novamente candidato porque
os amigos exigem", assim explica sua
terceira candidatura, que pode lhe dar
mandato até 2002. O general é
um homem animado. Não sabe o
que é ficar doente e cuida da
saúde com uma alimentação
naturalista. Aboliu o cigarro há
muito tempo, desconfia dos alimentos
industrializados e só bebe de
vez em quando um gole de uísque.
Um de seus divertimentos preferidos
é dançar nos "bailinhos"
do Clube Militar (veja foto acima).
Diário de
Pernambuco
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Viúvo, três filhos e oito
netos, ele ainda trabalha bastante. De
segunda a sexta-feira à tarde pode
ser encontrado lépido e fagueiro
na sede do Clube Militar cuidando de exposições,
mostras de poesia ou organizando palestras.
Também coordena a edição
da Revista do Clube Militar, com
publicação mensal, distribuição
gratuita e tiragem de 30 000 exemplares.
A revista serve de panfleto dos chamados
nacionalistas e dos militares saudosistas
da ditadura. É por onde Ibiapina
manda seus recados. Na edição
de setembro, o general escreveu artigo
contra a privatização da
Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa
Econômica. É um recado direto,
como no tempo da ditadura. Só que
agora sem a mínima repercussão.
O general foi um dos sustentáculos
da chamada linha dura. O nome dele aparece
no dossiê Brasil: Nunca Mais,
em que são listados os militares
acusados de ter praticado tortura. Ele
nega.
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O
durão veste o pijama
Oscar Cabral
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Newton de Oliveira Cruz já foi
um personagem de meter medo, apesar
do apelido infantil, "Nini". Aos 75
anos, o general é uma pálida
lembrança daquela figura empertigada
que saiu às ruas de Brasília
sobre um cavalo branco, arrogante, para
comandar a repressão a uma passeata
no governo Figueiredo. Morando na casa
de uma filha no Lago Sul, em Brasília,
Nini gasta uma parte do tempo ensinando
matemática aos netos, sempre
de chinelos, metido num pijama de algodão
ou numa bermuda. As aparições
públicas do general são
limitadas a uma rotina: caminha cinqüenta
minutos por dia até uma banca,
compra o jornal e volta para casa. O
resto do tempo se dedica a cuidar da
esposa, que sofre de mal de Parkinson.
A doença da mulher o tem impedido
de viajar para o Rio de Janeiro, aonde
ia com certa freqüência visitar
sua outra filha. Quando vai ao Rio,
sua cidade natal, o general viaja de
ônibus.
Carlos Namba
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Nini fez, há pouco tempo, pela
primeira vez na vida, um check-up. Ficou
satisfeito com o resultado, principalmente
o da pressão, de 12 por 8. Na semana
passada, recebeu um telegrama do ministro
Francisco Dornelles comunicando que havia
sido eleito para a direção
nacional do PPB. O general não
aceitou o cargo. Não quer mais
saber de política desde que foi
derrotado nas eleições para
deputado e governador do Rio. Agora, ele
está concluindo o livro Cassado
e Caçado por Amor à Pátria,
que conta sua passagem pelo poder e uma
suposta perseguição do governo
Sarney. No livro, ele dedicará
um capítulo a sua participação
no caso Riocentro. "Eu soube antes, por
volta das 20 horas, mas nada podia fazer.
Não existia celular na época",
comentou recentemente sobre a explosão
de uma bomba que dois militares levaram
ao centro de convenções
Riocentro, no Rio. A maior frustração
de Nini foi ter encerrado a carreira como
general-de-divisão. Ele era um
dos principais candidatos à quarta
estrela. Também se ressente da
fama de autoritário. "Fiz o que
estava amparado em lei. A diferença
é que sempre assumi minhas responsabilidades.
Não mijo para trás", diz.
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