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Atropelado
pela democracia
Ana Araujo
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O general Octávio Aguiar de Medeiros, aos 77
anos e na reserva desde 1987, não é hoje
nem a sombra do homem poderoso que foi durante o governo
militar. Ex-chefe do SNI no governo Figueiredo, ele
era um militar arrogante, queixo-duro. Hoje, é
um homem retraído e sorumbático. Diariamente,
vai a um restaurante por quilo (foto acima) próximo
de onde mora, no Lago Sul, em Brasília. Entra
na fila, escolhe o almoço para ele e a mulher
e volta para comer em casa. Uma ou duas vezes por semana
vai ao mercado comprar ração para seus
cachorros. Essas são suas atividades.
João Ramid
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Medeiros é apontado pelos amigos como o símbolo
máximo da depressão que acomete alguns
generais quando trocam a farda pelo pijama. Durante
muito tempo, o general entregou-se à bebida.
Hoje, garantem amigos, não bebe mais. Mas prefere
ficar escondido.
Com
cara e jeito de ditador latino-americano em seus bons
tempos, era carrancudo e usava óculos escuros,
como o general Augusto Pinochet. Essa foi a imagem que
ficou dele. Chegou a imaginar que sucederia ao presidente
João Baptista Figueiredo. Foi atropelado pelos
ventos da redemocratização. Amigo íntimo
do ex-presidente, a quem chama de João, sua vida
tornou-se tensa nos últimos meses com a reabertura
do inquérito que investigou o atentado a bomba
no Riocentro, em 1981. Medeiros pode ser indiciado como
um dos responsáveis pela explosão. A suspeita
é de que ele, como chefe do SNI, soube do atentado
a tempo de impedir, mas nada fez.
Ao
ser abordado por VEJA para uma entrevista para esta
reportagem, o general respondeu:
Me deixe em paz. Recebi ordens para não falar.
Mas o senhor não recebe ordens de mais ninguém!
Não foi ordem. Foi um pedido.
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Do quepe
ao chapéu de palha
Ana Araujo
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Quem encontra hoje o general Danilo Venturini, 77 anos,
cuidando de suas 130 cabeças de gado leiteiro
numa fazenda a 15 quilômetros do centro de Brasília,
pode muito bem confundi-lo com um chacareiro feliz e
bem-sucedido. De todos os últimos generais da
ditadura, Venturini é um dos poucos que não
parecem acabrunhados. Entre os militares daquele período,
não esteve entre o grupo de come-abelhas que
formavam a linha dura. Defensor da abertura democrática,
não se tem notícias de ligações
de Venturini com os porões do regime. "Sou um
homem feliz e abençoado", diz ele. Católico
praticante, está casado há 52 anos com
Amarilis e tem três filhos e quatro netos. Com
chapéu, bota e calça jeans, toda manhã
cuida da fazenda arrendada que anexou a seu sítio
particular de 18 hectares. O negócio não
dá lucro. O general não sabe o que é
ficar doente. Disciplinado, reserva as tardes para ler
e organizar as anotações sobre os vinte
anos em que ficou no poder.
Carlos Namba
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Venturini foi assessor do marechal Castello Branco em
1964. Dois anos depois, tornou-se o primeiro chefe de
gabinete do recém-criado Serviço Nacional
de Informações, SNI, sob o comando do general
Golbery do Couto e Silva. Ainda tenente-coronel, passou
seis anos assessorando o general Orlando Geisel, irmão
do ex-presidente, na chefia do Estado-Maior do Exército
e depois no Ministério do Exército. O currículo
de Venturini também inclui dois ministérios,
Gabinete Militar e Assuntos Fundiários. Quando
era chefe do Gabinete Militar do general Figueiredo, ele
foi responsável por um dos assuntos mais turbulentos
do país, a política nacional de informática.
Venturini discorda da denominação "ditadura"
para o regime militar. "O Congresso funcionava, havia
eleições e o governo respeitava as manifestações
da oposição", diz.
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