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Deu
a louca no mordomo
Revelações
de ex-empregado
de
Diana falam em amantes no
porta-malas
e rainha chorosa
Reuters
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| Burrell,
no tribunal: fofocas para todo lado |
Por
dez longos anos, Paul Burrell foi o mordomo que a princesa Diana pediu
a Deus: via tudo, ouvia tudo e não revelava nada. Depois que ela
morreu, no acidente em Paris, em agosto de 1997, o dedicado Burrell (apelido:
"a rocha") continuou calado. Dispensados seus serviços, mudou-se
com a mulher, Maria, e os dois filhos para o interior da Inglaterra, onde
abriu uma floricultura. Escreveu, sim, um livro mas de etiqueta.
Em janeiro do ano passado, sua pacata vidinha estremeceu. Com base numa
denúncia de furto apresentada pela família de Diana, os
Spencer, a polícia revistou a casa e saiu de lá com 415
objetos: vestidos, sapatos, discos e fotos da princesa. Burrell disse
que os guardava para evitar que caíssem em mãos erradas.
Foi preso, acusado de roubo e levado a julgamento. No começo do
mês, a rainha Elizabeth em pessoa o salvou: mandou informar que
Burrell de fato lhe comunicara ter tomado a iniciativa de guardar os objetos
de Diana. Milagre real, final feliz? Nada disso. Injuriado, Burrell resolveu
fazer o que a maioria das pessoas que já privaram da intimidade
da realeza faz: pôr a boca no trombone e ganhar um dinheirinho.
O motivo da tardia intervenção da rainha é um mistério.
Segundo os tablóides ingleses, teria a ver com uma fita que Diana
gravou e Burrell guardou com detalhes de um caso antigo e escabroso: a
violência sexual supostamente cometida por um assessor muito próximo
de Charles contra um empregado e a ação do príncipe
para abafar o caso. Isso já dá uma idéia do tamanho
da encrenca. As revelações de Burrell, estimuladas pelo
aporte de cerca de 500.000 libras (quase 3 milhões de reais) em
sua conta bancária, provêm de duas fontes. Uma, a mais apimentada,
é o secretíssimo depoimento à polícia e aos
advogados em que justifica a posse de objetos de Diana e se derrama em
inconfidências. Várias vezes, contou Burrell, levou amantes
de Diana (em especial o médico paquistanês Hasnat Khan) até
ela no porta-malas do carro. Viu a princesa, certa vez, sair para encontrar-se
com Khan vestida apenas de jóias e um casaco de pele. Sobre o último
caso, Dodi Fayed, ela revelou ao mordomo que era viciado em cocaína.
Burrell afirma que o depoimento foi roubado e repassado à imprensa.
Nas revelações oficiais, compradas pelo jornal Daily
Mirror, o ex-mordomo mistura histórias muito menos picantes
com versões delirantes. Afirma, por exemplo, que o encontro com
a rainha durou três horas, passadas inteiras de pé, e nele
a formalíssima Elizabeth II teria agido como uma espécie
de Jânio Quadros. Alertou-o para ter cuidado com "forças
que atuam neste país, das quais não temos o menor conhecimento".
Confidenciou-lhe, em lágrimas: "Tentei muitas vezes me aproximar
de Diana. Escrevi tantas cartas para ela". Íntimos da corte morreram
de rir do relato. "Nem com o marido, o príncipe Philip, a rainha
é capaz de passar três horas seguidas", disse um deles.
Sobre Diana propriamente há poucas, mas saborosas, indiscrições.
Uma: a princesa vendia em brechós as roupas que não queria
mais e dava o dinheiro aos filhos. Como toda nota de libra esterlina tem
a imagem da rainha, ela os ensinou a identificá-las dando cor à
sogra: "A de 5 libras era a vovó azul; a de 10, a vovó marrom;
a de 50, a vovó cor-de-rosa". Outra, mais dramática, recorda
o dia em que ouviu, ao lado de uma Diana em prantos, a mãe dela
imprecar ao telefone contra os namorados muçulmanos da filha. A
família Spencer é o alvo principal da fúria do mordomo
vingativo. Sobre as irmãs de Diana, Sarah McCorquodale (apelidada
de McCrocodile) e Jane Fellowes, ele conta que praticamente saquearam
os aposentos da princesa morta. As revelações devem prosseguir.
O mordomo falante tem proposta de apresentar um programa de televisão
só seu e pensa em escrever novo livro. Adivinhem sobre o quê.
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