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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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Deu a louca no mordomo

Revelações de ex-empregado
de Diana falam em amantes no
porta-malas e rainha chorosa

 
Reuters
Burrell, no tribunal: fofocas para todo lado

Por dez longos anos, Paul Burrell foi o mordomo que a princesa Diana pediu a Deus: via tudo, ouvia tudo e não revelava nada. Depois que ela morreu, no acidente em Paris, em agosto de 1997, o dedicado Burrell (apelido: "a rocha") continuou calado. Dispensados seus serviços, mudou-se com a mulher, Maria, e os dois filhos para o interior da Inglaterra, onde abriu uma floricultura. Escreveu, sim, um livro – mas de etiqueta. Em janeiro do ano passado, sua pacata vidinha estremeceu. Com base numa denúncia de furto apresentada pela família de Diana, os Spencer, a polícia revistou a casa e saiu de lá com 415 objetos: vestidos, sapatos, discos e fotos da princesa. Burrell disse que os guardava para evitar que caíssem em mãos erradas. Foi preso, acusado de roubo e levado a julgamento. No começo do mês, a rainha Elizabeth em pessoa o salvou: mandou informar que Burrell de fato lhe comunicara ter tomado a iniciativa de guardar os objetos de Diana. Milagre real, final feliz? Nada disso. Injuriado, Burrell resolveu fazer o que a maioria das pessoas que já privaram da intimidade da realeza faz: pôr a boca no trombone e ganhar um dinheirinho.

O motivo da tardia intervenção da rainha é um mistério. Segundo os tablóides ingleses, teria a ver com uma fita que Diana gravou e Burrell guardou com detalhes de um caso antigo e escabroso: a violência sexual supostamente cometida por um assessor muito próximo de Charles contra um empregado e a ação do príncipe para abafar o caso. Isso já dá uma idéia do tamanho da encrenca. As revelações de Burrell, estimuladas pelo aporte de cerca de 500.000 libras (quase 3 milhões de reais) em sua conta bancária, provêm de duas fontes. Uma, a mais apimentada, é o secretíssimo depoimento à polícia e aos advogados em que justifica a posse de objetos de Diana e se derrama em inconfidências. Várias vezes, contou Burrell, levou amantes de Diana (em especial o médico paquistanês Hasnat Khan) até ela no porta-malas do carro. Viu a princesa, certa vez, sair para encontrar-se com Khan vestida apenas de jóias e um casaco de pele. Sobre o último caso, Dodi Fayed, ela revelou ao mordomo que era viciado em cocaína. Burrell afirma que o depoimento foi roubado e repassado à imprensa.

Nas revelações oficiais, compradas pelo jornal Daily Mirror, o ex-mordomo mistura histórias muito menos picantes com versões delirantes. Afirma, por exemplo, que o encontro com a rainha durou três horas, passadas inteiras de pé, e nele a formalíssima Elizabeth II teria agido como uma espécie de Jânio Quadros. Alertou-o para ter cuidado com "forças que atuam neste país, das quais não temos o menor conhecimento". Confidenciou-lhe, em lágrimas: "Tentei muitas vezes me aproximar de Diana. Escrevi tantas cartas para ela". Íntimos da corte morreram de rir do relato. "Nem com o marido, o príncipe Philip, a rainha é capaz de passar três horas seguidas", disse um deles.

Sobre Diana propriamente há poucas, mas saborosas, indiscrições. Uma: a princesa vendia em brechós as roupas que não queria mais e dava o dinheiro aos filhos. Como toda nota de libra esterlina tem a imagem da rainha, ela os ensinou a identificá-las dando cor à sogra: "A de 5 libras era a vovó azul; a de 10, a vovó marrom; a de 50, a vovó cor-de-rosa". Outra, mais dramática, recorda o dia em que ouviu, ao lado de uma Diana em prantos, a mãe dela imprecar ao telefone contra os namorados muçulmanos da filha. A família Spencer é o alvo principal da fúria do mordomo vingativo. Sobre as irmãs de Diana, Sarah McCorquodale (apelidada de McCrocodile) e Jane Fellowes, ele conta que praticamente saquearam os aposentos da princesa morta. As revelações devem prosseguir. O mordomo falante tem proposta de apresentar um programa de televisão só seu e pensa em escrever novo livro. Adivinhem sobre o quê.

   
 
   
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