
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
"Cuidado, sua
sanguessuga!"
Gisele
Bündchen faz publicidade
de roupas de pele, é xingada por
ecologistas e provoca polêmica
no
mundo da moda
Cristina
Charão
AP Photo/NG Han Guan
 |
| Ativistas
nuas em Pequim: protesto contra desfile de grifes famosas
|

Veja também |
|
|
|
A nova campanha
publicitária de Gisele Bündchen está dando o que falar.
Contratada pela Blackglama, uma das mais famosas fabricantes de casacos
de pele, a modelo brasileira deixou-se fotografar com vistosos casacos
e estolas de mink. Como sempre acontece toda vez que uma top se arrisca
a desfilar criações peludas, os ecologistas armaram um rebuliço.
Uma das mais ativas organizações de defesa dos animais,
a ONG Peta divulgou uma nota raivosa e sexista contra a top. Entre outros
impropérios, o texto diz que "Gisele é uma sanguessuga que
não tem coração, apenas pernas". Escondidos no fundo
dos armários desde o início dos anos 90, quando os ecologistas
deflagraram uma guerra contra a morte dos animais, os casacos de pele
voltaram à moda com força total. Uma demonstração
do retorno do visom foi dada nos desfiles da coleção outono-inverno
na Europa e nos Estados Unidos. Nada menos que 300 estilistas internacionais
incluíram peles em suas criações. O fato de uma estrela
com o brilho de Gisele Bündchen aceitar ligar sua imagem a um produto
tão polêmico também é um sinal dos tempos no
mundo da moda.
Cortesia Blackglama
 |
| Gisele
e sua estola de mink: contratada por fabricante de casacos, a musa
foi acusada de "não ter coração" |
Os casacos de pele sumiram das prateleiras justamente no momento em que
a onda do politicamente correto e o movimento ecologista explodiram. Não
só era arriscado sair por aí usando um modelo de visom (muitas
mulheres nesse período foram alvejadas com spray pela patrulha
ambientalista) como não pegava bem. Com a diminuição
drástica da produção de pele, os verdes afrouxaram
a perseguição às grifes. Não demorou e estas
tornaram a investir no produto. Hoje, as vendas de roupas de pele movimentam
por ano bilhões de dólares, dinheirama que os fabricantes
não estavam dispostos a perder. Para estimular ainda mais o setor,
as grifes voltaram a investir em publicidade. Em setembro passado, a Federação
Internacional do Comércio de Peles bancou a publicação
de um especial da revista Vogue com fotos de criações
em pele de doze dos maiores estilistas do mundo. Entre as grifes contempladas
na revista, estavam Donna Karan, Roberto Cavalli e Jean-Paul Gaultier.
Outra investida recente da entidade ocorreu há duas semanas. Ela
organizou um desfile em Pequim com a participação de doze
grandes estilistas e suas extravagantes coleções. O evento
chamou a atenção dos ecologistas. Ativistas nuas desfilaram
pelas ruas da pudica Pequim protestando contra o que elas acusam ser "uma
matança de animais".
Os defensores
dos bichos reclamam do uso de roupas de pele sob a alegação
de que ela pode perfeitamente ser substituída por material sintético.
De fato, os produtos artificiais têm cada vez mais qualidade e se
aproximam muito dos modelos de pele. Os ambientalistas também dizem
que, diferentemente de animais que são sacrificados para alimentar
pessoas, como vacas, porcos e galinhas, o mundo da moda tira a vida de
bichos para saciar não a fome, mas apenas a vaidade humana. O discurso
pode parecer sensato, mas o fato é que é difícil
encontrar uma mulher que não ache deslumbrante um casaco de pele
ou que não se sinta absolutamente linda usando um produto original,
e não uma imitação sintética. Milhões
de animais são sacrificados por ano para virar peças de
vestuário. Cerca de 85% das peles usadas vêm de bichos criados
em cativeiro. Os outros 15% do mercado são atendidos com espécimes
capturados na natureza. Segundo os fabricantes, a caça desses animais,
além de rigorosamente fiscalizada, serve de sustento para milhares
de pessoas, incluindo populações inteiras de nativos do
Canadá e dos Estados Unidos. As peles mais valiosas são
as da zibelina, da raposa e da chinchila, mas bichos como a lontra, o
guaxinim e o coelho também são utilizados. Segundo os produtores,
o abate procura infligir o menor sofrimento possível às
vítimas. No caso de animais pequenos como a chinchila, o método
mais usado é a fratura manual do pescoço. Detalhe: são
necessárias pelo menos 120 chinchilas para a confecção
de um casaco médio.
|
|
 |
|
 |

|
 |