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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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O Smart vem aí

Mercedes-Benz fabricará
no Brasil o minicarro inovador
criado em parceria com a Swatch

 
A versão brasileira terá quatro portas e será 1 metro mais comprida que a vendida na Europa


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O que a Mercedes-Benz deve fazer com sua fábrica em Minas Gerais, que opera com apenas 20% de sua capacidade de produção? Engana-se quem sugeriu que faça as malas e deixe o Brasil. Em lugar disso, a empresa alemã, cuja marca é sinônimo de carro de luxo, pretende aproveitar a ociosidade para produzir um de seus veículos mais fascinantes – o Smart, um carro pequeno, criado em parceria com a fabricante suíça de relógios Swatch. Com lugar para dois passageiros e apenas 2,5 metros de comprimento, parece um carrinho de brinquedo com suas partes de plástico e alumínio. Atualmente, toda a produção anual de 120.000 desses veículos sai de uma única fábrica na França, cuja capacidade de ampliação está esgotada. O que será montado em Juiz de Fora é a próxima geração, cujos detalhes finais ainda não saíram das pranchetas dos projetistas. O protótipo tem 1 metro a mais que o carro atual, quatro portas e capacidade ampliada para quatro passageiros. Continua sendo pequeno, com o tamanho aproximado de um Ford Ka.

 
Smart City Coupé, um modelo de dois lugares: exposto como obra de arte

O Smart nasceu em 1994 com a ambição de ser mais moderno e colorido que qualquer outro veículo. Pequeno, econômico e leve (720 quilos, 200 quilos mais leve que um Ka), de uso individual e fácil de estacionar nas ruas estreitas das cidades européias e japonesas. A parceria com a Swatch – que se desinteressou e saiu da sociedade poucos meses depois do lançamento, em 1998 – era incorporar ao carro a jovialidade do relógio. Bonito ele é, a ponto de ser exibido como um clássico do desenho industrial no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA. O veículo é construído a partir de uma espécie de célula metálica, que cria uma cabine de segurança e isola o motorista do compartimento do motor, com grande eficiência na proteção contra batidas. O mesmo tipo de gaiola protetora foi usado depois pela Mercedes no Classe A, carro fabricado em Juiz de Fora que tem grandes semelhanças com o Smart. Apesar das dimensões reduzidas, o teto alto aumenta a sensação de espaço interno e acomoda com conforto motoristas de até 1,90 metro de altura. As cores das partes de plástico da carroceria podem ser combinadas ao gosto do freguês.

É claro que não se deve esperar do carrinho o conforto e a potência de um verdadeiro Mercedes. Além do motorista e um passageiro, sobra espaço para apenas 150 litros de bagagem. A velocidade máxima é de 135 quilômetros por hora. As vendas não foram nada animadoras no princípio. Entre as críticas estavam o preço de cerca de 10.000 dólares e a performance. Dois anos atrás, a Mercedes reformou o carro, que ganhou um motor turbo mais potente e versões a diesel, que fazem 30 quilômetros com 1 litro de combustível. Criou uma versão conversível, e a cada salão do automóvel mostra um novo protótipo do Smart. Desde o lançamento foram vendidos 430.000 carros, 270.000 depois da reforma geral. No ano que vem serão lançados na Europa o Smart Roadster, um cupê mais baixo que os modelos atuais, e o Roadster Cabriolet, conversível que parece de brinquedo. Todos com capacidade para apenas duas pessoas. O Brasil será o único a produzir o modelo com quatro lugares. Antes de o primeiro deles rodar em Juiz de Fora, a Mercedes-Benz precisa investir pelo menos 100 milhões de dólares na adaptação da linha de montagem. Atualmente, a fábrica brasileira produz por ano 9.000 Classe A e 6.000 Classe C, um carro de luxo feito apenas para exportação. O novo Smart será vendido por aqui, mas a maior parte da produção será enviada para a Europa, para os Estados Unidos e para países da América Latina. "Com o carro vamos ampliar a capacidade de produção da fábrica e manter os investimentos no Brasil", disse o presidente da DaimlerChrysler do Brasil, Ben van Schaik.

   
 
   
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