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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

GOVERNO

A preferida do ministro

Quando Paulo Renato Souza largar o Ministério da Educação para se tornar candidato – ao Senado por São Paulo ou à Presidência, como ele sonha todas as noites –, quer deixar em seu lugar Maria Helena de Castro, secretária de Educação Superior do MEC e seu braço direito. Se o lobby de Paulo Renato vingar, o ministério de FHC deixará de ser um Clube do Bolinha.

Tudo por uma boa notícia

Nos últimos dias, um funcionário de alto escalão do governo FHC procurou uma grande empresa de telecomunicações com um pedido. Desejava saber se estava prevista alguma inauguração de peso de uma central telefônica ou algo do tipo. Se a resposta fosse sim, o governo queria participar. Em tempo de apagão de popularidade, a idéia é pegar carona em toda e qualquer boa notícia.

 

Exceção a perder de vista

Roberto Jayme

Jobim: interpretação elástica da lei


O ministro Nelson Jobim, do STF, está tentando comprar o apartamento funcional de 500 metros quadrados em que mora em Brasília. Já entrou com o pedido. A única coisa que atrapalha, por ironia, é a lei. Jobim deveria morar lá desde 1990 para ter esse direito. Ele alega que já pode porque em 1990 ocupava outro apartamento funcional, o de deputado federal. O melhor do imóvel não é a vista. De encher os olhos mesmo é o financiamento da CEF em vinte longos anos.

 

ECONOMIA

Às turras

Estão muito ruins as relações entre David Zylbersztajn, diretor-geral da ANP, e Philippe Reichstul, presidente da Petrobras.

Eficiência amazônica

O setor portuário brasileiro nunca decepciona quem espera encontrar extravagâncias por ali. Duvida? Então lá vai: em Santos, cada cargueiro da empresa de navegação Aliança leva oito horas para embarcar os contêineres de mercadorias. Para descarregar o mesmo material no Porto de Manaus, os diligentes trabalhadores locais demoram quatro dias.

Ouvidos moucos

O governo pode tirar o cavalinho da chuva. José Mário Abdo já avisou aos amigos mais chegados que não deixa o comando da Aneel por nenhuma pressão deste mundo. Cumprirá seu mandato até o fim.

Dólar acima, ladeira abaixo

A alta do dólar está fazendo o faturamento dos free shops brasileiros despencar.

 

GENTE

O descanso do superadvogado

Saulo Ramos, 72 anos, está diminuindo celeremente seu ritmo de trabalho. Despacha cada vez menos no escritório. Decidiu que quer conservar dois ou três grandes clientes e se dedicar a escrever poemas. E, claro, manter a média de dar dois pareceres por mês, pelos quais cobra 150.000 reais nos casos menos complicados – afinal, é preciso dinheiro para pagar as contas do mês.

Ainda à sombra da Vale

Nenhum dos dois lados alardeia, mas Eliezer Batista ainda está ligado à Vale do Rio Doce, de onde foi presidente sob três governos diferentes. Ele está na folha de pagamento da mineradora como consultor. Todo mês recebe um cheque de 15.000 reais pelo serviço, que, pelo visto, é tratado com toda a reserva possível.

 

RACIONAMENTO

Sofrimento americano

O ministro do TCU Marcos Vilaça deu na semana passada sua cota para mitigar a crise energética... da Califórnia. Ao pagar a conta do hotel em que ficou em Los Angeles, notou que lhe foram cobrados 3 dólares por dia a título de contribuição compulsória à crise. No final, deixou 12 dólares – quatro diárias – para ajudar os californianos. Deve ser duro, muito duro, viver num lugar com um problema desses.

Paraíso em dose dupla

Além de todas as intocadas maravilhas da natureza, Fernando de Noronha tem um encanto extra nestes tempos de racionamento. Graças a uma usina termoelétrica, a ilha tem energia para dar e vender.

 

POBREZA

Lampião ainda vivo

Um indicador chocante de penúria, coletado pelo economista Marcelo Neri, com base nos dados do IBGE: 44% dos domicílios da zona rural do Nordeste ainda têm como principal fonte de iluminação o lampião.

 

POLÍTICA

Mudança das nuvens

Há alguns meses, o senador José Sarney ligou para José Serra e, em resumo, disse: "Você é o nome para 2002". Agora, com as nuvens políticas mudando de lugar, o ex-presidente está enviando sinais de fumaça para Itamar Franco.

 

CPI DA NIKE

Um velho conhecido

O Delta Bank, aquele que emprestou 30 milhões de dólares à CBF com juros considerados exagerados pelos integrantes da CPI da Nike, pode ser totalmente desconhecido dos brasileiros – mas seu dono não é. O banco é de Aloysio Faria, que até três anos atrás era proprietário do Real e hoje possui também o Banco Alfa. O Delta tem sede nos EUA e agências em Cayman, Paraguai, Uruguai e Suíça.

 

SAÚDE

Ato falho

O Ministério da Saúde deu meia-volta. Alterou a lei e agora os maços exibirão uma foto para ilustrar a afirmação "Fumar causa impotência sexual". A sentença havia sumido, inexplicavelmente, da portaria publicada há duas semanas. A imagem será a mais óbvia possível: um casal na cama com ar desolado e o homem com um cigarro na boca.

 

RÁDIO

A inanição das AMs

As rádios AMs já foram o maior veículo de comunicação de massa do país. Hoje, são uma pálida sombra do passado. Uma pesquisa do Ibope sobre o perfil da audiência nas rádios brasileiras revela que nas classes A e B somente 3,6% dos paulistanos e 4,2% dos cariocas são ouvintes dessas emissoras. E não é uma tendência da elite, muito pelo contrário. Apenas 2,7% dos paulistanos e 3,8% dos cariocas das classes D e E se ligam na rádio AM.

 

De decadente a salvadora

 
Bia Parreiras
Paulo Jares
Marluce e Marlene: modelando a nova Xuxa

Marlene Mattos leva nesta semana o projeto do novo programa diário de Xuxa a Marluce Dias da Silva. A decisão sobre a volta da apresentadora à grade diária da Globo, contudo, já está tomada. Há cinco anos, quando Xuxa restringiu suas aparições aos fins de semana, falou-se que ela estava decadente. Agora, retorna como a grande esperança da Globo para ter manhãs mais tranqüilas.

Colaborou Nahara Bauchwitz

 

 
 
Foto Eduardo Pozzella



   
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