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Boas
de briga
Dinâmica entre as atrizes
é
o forte de A Partilha
Isabela Boscov
Zezé D'Alice
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| As
irmãs vividas por Gloria, Lilia, Andréa e Paloma: falta ritmo |
A
peça A Partilha, escrita por Miguel Falabella, foi um dos
grandes sucessos do teatro nacional na década passada. Ficou cinco
anos em cartaz e foi vista por 1 milhão de espectadores. Com tal
receptividade, não é de admirar que ela cedo ou tarde virasse
filme. Até que demorou. Só na sexta-feira, mais de onze
anos após sua estréia no teatro, A Partilha
(Brasil, 2001) chegou aos cinemas. A história é simples:
quatro irmãs revivem os laços e ressentimentos do passado
quando sua mãe morre e elas decidem vender o apartamento da falecida.
No caminho do palco para a tela, a trama sofreu modificações.
Personagens que eram apenas mencionados pelas protagonistas ganharam vida.
O enredo saiu do apartamento, único cenário da peça,
e foi para as ruas do Rio de Janeiro. E nenhuma das atrizes da montagem
original participa do filme. No lugar de Arlete Salles, Suzana Vieira,
Natália do Valle e Thereza Piffer tem-se Gloria Pires, Lilia Cabral,
Andréa Beltrão e Paloma Duarte. O ponto forte do texto,
porém, continua o mesmo: a dinâmica entre mulheres completamente
diferentes entre si.
Gloria tem o papel mais suculento, o da irmã reprimida. Ela tenta
controlar a vida das demais ao mesmo tempo que anseia por se libertar
do casamento certinho com um militar (Herson Capri) dilema para
o qual o corretor de imóveis vivido por Marcello Antony parece
ser a solução. Lilia interpreta a amalucada da turma, uma
perua que largou o marido e o filho para viver um romance em Paris. Andréa
é a irmã riponga, que faz o gênero "sou mais feliz
sozinha" como forma de esconder suas amarguras. Paloma, finalmente, está
na pele da caçula rebelde, que se imagina esquecida pelas irmãs
e tem um relacionamento homossexual. Claro que, com personalidades (ou
talvez fosse melhor dizer estereótipos femininos) tão diversas
em jogo, não será fácil chegar a um consenso. É
dessa mistura de drama, comédia e sessão de terapia que
A Partilha obtém seus melhores momentos. O filme, porém,
não tira deles o proveito que poderia. É por vezes divertido,
mas em outras ocasiões vacila no ritmo uma surpresa quando
se tem em conta que atrás das câmaras está Daniel
Filho, sempre seguro em seu trabalho na televisão. A fotografia
"lavada" também atrapalha. Como A Partilha tem mais afinidade
com os melodramas esfuziantes do espanhol Pedro Almodóvar do que
com o intimismo de um Ingmar Bergman, teria sido melhor usar cores mais
vivas e fortes.
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