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Edição 1 704 - 13 de junho de 2001
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Um salto para trás


AFP
Menem: o modernizador pego num crime milenar

Nos dez anos em que presidiu a Argentina, de 1989 a 1999, Carlos Menem foi o chefe de Estado mais ousado que a América Latina conheceu. Enquanto seus colegas latinos alimentavam utopias terceiro-mundistas, ele mandava uma fragata combater Saddam Hussein na Guerra do Golfo ao lado de americanos, ingleses e franceses. Não tinha dúvidas. Para Menem, a única salvação da América Latina seria esquecer suas raízes coloniais e a influência africana ou indígena e mergulhar no ocidentalismo. Junto com a privatização radical, essa era a essência do menemismo, cuja etapa final culminaria com a adoção do dólar como moeda única do continente americano. Na semana passada, um juiz federal colocou Menem em prisão preventiva, acusando-o de, ainda como presidente, ter participado de uma quadrilha de contrabandistas de armas. Pesa sobre Menem uma série de outras acusações graves que mancham e enfraquecem seu legado controvertido, mas inegavelmente modernizador.

A trajetória de Menem ilustra o trágico paradoxo da América Latina. Sempre que o continente acredita estar dando um salto adiante no tempo, ele se descobre aterrissando no passado. Desta vez a culpa não é de um dos tipos que o escritor cubano Carlos Alberto Montaner chamou de "perfeitos idiotas latino-americanos", os populistas, estatizantes, excêntricos e terceiro-mundistas que sempre estiveram na vanguarda do atraso do continente. Não. O mais assustador é que o que parece estar degringolando na América Latina não são experiências estapafúrdias. São tentativas sinceras e transparentes de abrir os países às brisas modernizadoras. O mais arriscado nesses momentos é que a população caia de amores pelos perfeitos idiotas com suas fórmulas de desenvolvimento desacreditadas. Ou que, perdendo a fé na modernização, desacredite também do mercado, do Estado de direito e da democracia, as únicas vias reais para o progresso. Veja reportagem.

 
 
   
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