
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Um
salto para trás
AFP
 |
| Menem:
o modernizador pego num crime milenar |
Nos dez anos em que presidiu a Argentina, de 1989 a 1999, Carlos Menem foi
o chefe de Estado mais ousado que a América Latina conheceu. Enquanto
seus colegas latinos alimentavam utopias terceiro-mundistas, ele mandava
uma fragata combater Saddam Hussein na Guerra do Golfo ao lado de americanos,
ingleses e franceses. Não tinha dúvidas. Para Menem, a única
salvação da América Latina seria esquecer suas raízes
coloniais e a influência africana ou indígena e mergulhar no
ocidentalismo. Junto com a privatização radical, essa era
a essência do menemismo, cuja etapa final culminaria com a adoção
do dólar como moeda única do continente americano. Na semana
passada, um juiz federal colocou Menem em prisão preventiva, acusando-o
de, ainda como presidente, ter participado de uma quadrilha de contrabandistas
de armas. Pesa sobre Menem uma série de outras acusações
graves que mancham e enfraquecem seu legado controvertido, mas inegavelmente
modernizador.
A trajetória de Menem ilustra o trágico paradoxo da América
Latina. Sempre que o continente acredita estar dando um salto adiante
no tempo, ele se descobre aterrissando no passado. Desta vez a culpa não
é de um dos tipos que o escritor cubano Carlos Alberto Montaner
chamou de "perfeitos idiotas latino-americanos", os populistas, estatizantes,
excêntricos e terceiro-mundistas que sempre estiveram na vanguarda
do atraso do continente. Não. O mais assustador é que o
que parece estar degringolando na América Latina não são
experiências estapafúrdias. São tentativas sinceras
e transparentes de abrir os países às brisas modernizadoras.
O mais arriscado nesses momentos é que a população
caia de amores pelos perfeitos idiotas com suas fórmulas de desenvolvimento
desacreditadas. Ou que, perdendo a fé na modernização,
desacredite também do mercado, do Estado de direito e da democracia,
as únicas vias reais para o progresso. Veja
reportagem.
|
|
 |