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A
ameaça do
protecionismo global

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O
presidente Fernando Henrique Cardoso qualificou de "anacrônica" a
decisão de seu colega americano, George W. Bush, de sobretaxar em
30% as importações de aço dos Estados Unidos, o que
acarretará um prejuízo anual de centenas de milhões
de dólares para o Brasil. Por todo lado ecoaram lamentos no mesmo
tom. Tony Blair, primeiro-ministro inglês e mais fiel aliado de Bush,
disse que as sobretaxas americanas são "inaceitáveis". A crítica
mais agressiva foi, como seria de esperar, de Pascal Lamy, representante
de comércio da União Européia. "O presidente Bush precisa
entender que o mercado internacional não é o Velho Oeste,
onde cada um faz o que lhe dá na telha", declarou Lamy. Esquecendo-se
por um momento da constatação óbvia de que todos que
condenaram Bush na semana passada em algum momento também protegeram
ou ainda protegem suas indústrias, ficou claro que a medida americana
não foi apenas antipática. Foi perigosa.
Reuters
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| Bush
vestido como operário: desprezo pelo livre comércio |
Por ter vindo do núcleo de poder do país que, pelo menos
no discurso, é o grande defensor do livre comércio no mundo,
essa sobretaxa pode gerar reações exageradas. Nem bem George
Bush fez o anúncio, a União Européia revelou que
está pensando em impor sanções econômicas contra
empresas dos Estados Unidos com negócios em países da Europa.
As reclamações oficiais contra os EUA na Organização
Mundial do Comércio (OMC), na semana passada, vão levar
um ano ou mais para ser julgadas. Até lá é quase
certo que diversos governos vão retaliar os americanos. Teme-se
que os avanços conquistados arduamente pelos países em desenvolvimento
na última reunião da OMC, em Doha, se percam em nova onda
de protecionismo global. Como se sabe pela experiência do século
passado, o protecionismo empobrece a todos. Mas pune mais fortemente os
pobres.
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