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Edição 1 742 - 13 de março de 2002
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A ameaça do
protecionismo global

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Reportagem desta edição sobre as restrições impostas pelos Estados Unidos sobre o aço importado
O presidente Fernando Henrique Cardoso qualificou de "anacrônica" a decisão de seu colega americano, George W. Bush, de sobretaxar em 30% as importações de aço dos Estados Unidos, o que acarretará um prejuízo anual de centenas de milhões de dólares para o Brasil. Por todo lado ecoaram lamentos no mesmo tom. Tony Blair, primeiro-ministro inglês e mais fiel aliado de Bush, disse que as sobretaxas americanas são "inaceitáveis". A crítica mais agressiva foi, como seria de esperar, de Pascal Lamy, representante de comércio da União Européia. "O presidente Bush precisa entender que o mercado internacional não é o Velho Oeste, onde cada um faz o que lhe dá na telha", declarou Lamy. Esquecendo-se por um momento da constatação óbvia de que todos que condenaram Bush na semana passada em algum momento também protegeram ou ainda protegem suas indústrias, ficou claro que a medida americana não foi apenas antipática. Foi perigosa.

Reuters
Bush vestido como operário: desprezo pelo livre comércio


Por ter vindo do núcleo de poder do país que, pelo menos no discurso, é o grande defensor do livre comércio no mundo, essa sobretaxa pode gerar reações exageradas. Nem bem George Bush fez o anúncio, a União Européia revelou que está pensando em impor sanções econômicas contra empresas dos Estados Unidos com negócios em países da Europa. As reclamações oficiais contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC), na semana passada, vão levar um ano ou mais para ser julgadas. Até lá é quase certo que diversos governos vão retaliar os americanos. Teme-se que os avanços conquistados arduamente pelos países em desenvolvimento na última reunião da OMC, em Doha, se percam em nova onda de protecionismo global. Como se sabe pela experiência do século passado, o protecionismo empobrece a todos. Mas pune mais fortemente os pobres.


 
 
   
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