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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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CINEMA

Universal Studios

Renée: garçonete maluquinha

A Enfermeira Betty (Nurse Betty, Estados Unidos, 2000. A partir de sexta-feira no Rio) – O diretor americano Neil LaBute ficou célebre pela perversidade de seu filme de estréia, Na Companhia de Homens. Aqui, ele muda radicalmente de tom. Renée Zellweger é Betty, uma garçonete viciada numa telenovela estrelada por um ator canastrão (Greg Kinnear). Ao presenciar o assassinato de seu marido, Betty sofre um trauma. Passa a achar que a novela é real e que ela própria faz parte da trama – como a enfermeira noiva do doutor charmoso que seu ídolo interpreta. Enquanto cruza o país para encontrá-lo, é perseguida pela dupla que matou seu marido. Mas, de tanto observar Betty, o mais velho dos dois assassinos (numa atuação memorável de Morgan Freeman), acaba se enamorando dela. Com um humor bem mais delicado do que o seu habitual, LaBute mostra como, às vezes, uma distância muito pequena separa o "acreditar" do "ser".

 

LIVROS

 

LIVROS

Ambrose Bierce e a Dama de Espadas, de Oakley Hall (tradução de Roberto Muggiati; Record; 318 páginas; 30 reais) – O escritor e jornalista americano Ambrose Bierce celebrizou-se por sua misantropia expressa em aforismos cáusticos – e hilariantes. Nesse romance ele aparece no auge de seu brilho, investigando uma série de assassinatos brutais com a ajuda de um jovem repórter, Tom Redmond. Tecido com muita habilidade, esse misto de thriller e romance histórico ainda apresenta um retrato da cidade de San Francisco no século XIX, com seus donos de ferrovia, seus milionários da corrida do ouro, suas prostitutas e imigrantes chineses. Diversão das boas – e inteligente.

Uma Morte em Vermelho, de Walter Mosley (tradução de Luiz Antonio Aguiar; Record; 287 páginas; 25 reais) – Como tantos detetives de ficção, Easy Rawlins é um sujeito durão e sem ilusões. Além disso, ele é negro – o que lança um sal a mais em sua maneira de encarar o "sonho americano". Nessa aventura, Rawlins se vê prensado entre dois agentes federais: um oficial da Receita, que ameaça encarcerá-lo por dever impostos, e um investigador do FBI, que promete mantê-lo livre se ele colaborar numa ação de espionagem. Rawlins topa a contragosto – e se vê envolvido num banho de sangue. Esse é o segundo romance protagonizado pelo personagem, que estreou em O Diabo Vestia Azul e já foi vivido pelo ator Denzel Washington no cinema.

 

DISCOS

Now, Maxwell (Sony Music) – O americano Maxwell, de 28 anos, debutou em 1996 com Maxwell's Urban Hang Suite, um trabalho classudo que lhe rendeu comparações com Marvin Gaye, o rei do soul. Se eram exagerados para um estreante, os elogios começam agora a se tornar merecidos. Esse seu terceiro disco emplacou logo de cara no topo da parada americana. Maxwell prova que é mesmo um intérprete elegante. A nata da música negra marca presença no álbum – gente como o saxofonista Stuart Matthewman e o guitarrista Wah Wah Watson, ex-Motown. Now tem faixas dançantes, como Get to Know Ya e NoOne. Mas o supra-sumo são mesmo as baladas, perfeitas para embalar namoros.

The Look of Love, Diana Krall (Universal) – A cantora e pianista Diana Krall é uma espécie de João Gilberto de saias: é tímida até a medula, avessa a entrevistas e costuma "desconstruir" e remontar ao seu jeito tudo o que canta. The Look of Love é a mais recente amostra do talento – e da voz deliciosa – da canadense. Seja ao lado do seu trio ou rodeada por convidados (como o violonista Dori Caymmi e a Orquestra Sinfônica de Londres), Diana exibe um repertório eclético. Destacam-se S'Wonderful, dos irmãos George & Ira Gershwin – que João Gilberto já gravou –, e Cry Me a River, eternizada por Julie London, outra musa da bossa nova. Atenção ainda para a releitura jazzística da faixa-título, uma das composições mais populares de Burt Bacharach.

 

TELEVISÃO

 
Discovery Channel

Dinossauros: mais novidades

No Tempo dos Dinossauros (dia 16 de setembro, às 21h, no Discovery Channel) – O programa é uma continuação do especial Caminhando com Dinossauros, exibido no ano passado pelo Discovery, na TV paga, e pela Globo. Com os mesmos recursos de ponta da computação gráfica, ele mostra novas descobertas dos paleontólogos. As principais são o Nothronychus, um dinossauro herbívoro e de pescoço longo, parente do Tiranossauro rex, e um réptil carnívoro, de apenas 1 metro de altura e extremamente voraz, que ainda não foi batizado. Ambos vagaram pela Terra 93 milhões de anos atrás – e o programa também procura mostrar as características dos seus habitats.

 

LITERATURA BRASILEIRA


A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro
Fernando Monteiro;
Editora Globo;
248 páginas;
21 reais

O russo Dmitri Vonizin ocupa uma nota de rodapé na história da egiptologia. Sob o nome de Alberto Childe, ele foi, na primeira metade do século XX, conservador-chefe do Museu Nacional do Rio de Janeiro e realizou vários estudos sobre a interessante coleção egípcia da instituição. Em torno dele revolve o terceiro romance do escritor pernambucano Fernando Monteiro. Seria errado dizer, no entanto, que se trata de uma biografia romanceada de Childe – personagem sobre o qual pouco se sabe. O verdadeiro assunto do autor é a literatura. Ou, para usar suas próprias palavras, "a artificialidade da literatura".

Monteiro é daqueles autores para quem o simples ato de narrar tornou-se uma impossibilidade. Problemas teóricos ou filosóficos em torno da "natureza da ficção" parecem atormentá-lo, e ele se esforça ao máximo para pôr em evidência os andaimes de sua obra. Faz isso saltando incessantemente de uma técnica narrativa para outra e, no que diz respeito à história, fugindo como o diabo de qualquer coisa que cheire a completude e coerência. Ele constrói sua narrativa como um mosaico em que faltam partes. Para usar uma metáfora sugerida pelo próprio livro, age como um falsificador de antiguidades: cria suas peças já com fissuras e desgastes.

Não falta inteligência a Monteiro. Seu problema é dar preferência à reflexão teórica sobre a ficção, deixando a própria ficção em segundo plano. Seu livro sonega ao leitor um prazer primordial: o de imergir numa boa história. Todos os prazeres mais difíceis, por assim dizer, decorrentes da interpretação, deveriam vir depois desse. A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro só dá ao leitor a sensação de ter perdido algo no meio do caminho. Perseverando, ele se dará conta das intenções "metalingüísticas" de Monteiro. Mas então estará aborrecido e já será tarde demais.

 

Carlos Graieb

 

 

   
 





Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

 

   
 
   
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